O Sr. Garcia Mérou e o Brasil intelectual Estudos de Literatura Brasileira: 3ª Série · Capítulo 11 de 14
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O Sr. Garcia Mérou e o Brasil intelectual

XI o SR. GARCIA MEROU E O BRAZIL INTEL. LEGTUAL El lirazil InieUceiual, Impressiones e notas literárias, por MARTIN GARCIA MéROU, Buenos-Aires. Felice Lajouane, Editor, 1900. Nós, nações americanas, nos desconhecemos reciproca e radicalmente. E' o que tem sido verificado pelos raros que se hão occupado de povos americanos, para lhes estudar a historia, as instituições, os costumes, a vida emfim, econômica, moral ou intellectual. Um desses é o Sr. Garcia Mérou, diplomata, homem de Estado e escriptor argentino, cuja notável bagagem literária, além de livros consideráveis sobre a sua pátria, conta mais de um de interessantes noticias sobre outros paizes da America. E' sobretudo o aspecto espiritual que nesses paizes in- •214 ESTUDOS DE LITERATURA. teressa ao Sr. Mérou. EUe entende seguramente que mesmo nestas nações novas, ainda algumas não de lodo civilizadas, ou apenas com uma escassa e tênue camada de minguada cultura, a expressão mais interessante, mais significativa da sua vida será a da sua intelligencia.

Uma civilização material, umcommercio desenvolvido, uma industria ílorescento, caminhos de ferro, portos, telegraphos, construcções urbanas e ruraes, tudo isso pôde ser feito por estrangeiros, com os seus capitães, com a sua intelligencia e actividade, com os seus braços, com a sua sciencia e os seus machinismos importados. Uma cultura, quaesquer que sejam os soccorros que lhe traga o estrangeiro, só se faz com o gênio nacional. Só ella, por isso, pôde de facto dar a feição, a medida, o valor de um povo. Só ella, sobretudo, pôde exprimir o que ha na sua alma, dizer as suas aspirações, manifestar as suas capacidades. Pôde ser que em povos puramente imitadores essa expressão de si mesmo não tenha sinão um medíocre interesse; em todo o caso talvez não seja de todo despiciendo verifical-o. Até aqui, ao menos, era natural e explicável esta ignorância em que as nações americanas vivíamos umas das outras. De fado, não nos interessávamos reciprocamente. Nada tínhamos a aprender umas de outras, sinão maus exem- o SU. GARCIA MEROU pios de vida publica.

A cultura em Iodas era rudimentar; a intclligencia em todas, somcnos; a producção espiritual em todas, de segunda ordem e de segunda mão. De nenhuma haveria a aprender ou a receber nada. Os seus mais altos espíritos apenas se approximariam dos bons da cultura européa. Idéas, concepções da vida, sensações, principies, noções, emoções, sentimentos, tudo nellas, de fundo e de fôrma, era de empréstimo, deimilaçào, tudo era reflexo. Somente haveria um pequeno interesse em observar como reílccliam, como recebiam e reenviavam a luz vinda de outrem, e nesta operação quemodiücações poderiaessaluz acaso ter soffrido. Esta mesma curiosidade não a incitava uma conveniência pratica. A própria existência polilica e econômica dessas nações, algumas aliás limitrophes, nos era menos presente, menos sabida, menos interessante, menos próxima, que a de qualquer das da Europa. Nem mesmo na sua pátria americana se passava a nossa vida espiritual, sinão nos centros da cultura européa, e nas nossas antigas metrópoles políticas.

Não acho que condemnar neste facto, que me parece ao contrario naturalissimo, e se me aíigura ao envéz artificial querermos crear ficticiamente um interesse americano que não existe e ao qual somos de facto radicalmente >1G ESTUDOS DE LITERATURA alheios. Elle nascerá naturalmente da approximação pratica entre os povos, que em virtude de condições geographicas e econômicas especiaes, tenham forçosamente de se approximar. Antes do estabelecimento de relações commerciaes, de communicações fáceis e freqüentes, de trocas de produclos, de relações políticas e sociaes; antes da creação, emíim, de um interesse reciproco entre essas nações, estou em que tudo o que se íizer para pôl-as em relações espirituaes será artiücial e falho. Por ora os povos americanos têm vivido, em todos os sentidos, isolados uns dos outros. Occupando com uma população minguada c disseminada extensos territórios, elles não têm mesmo entre si, dentro dos seus próprios limites, o contacto necessário á sua mesma cohesão e solidariedade. Menos ainda se sentem uns aos outros.

A falta quasi absoluta de vias de communicação ou o desaproveitamento das que existem, augmenta essa separação e põe entre elles muralhas mais effectivas que as da China. O problema de um espirito americano, de uma consciência americana, de uma internacionalidade americana — si é que vale a pena tental-o — é eminentemente um problema econômico. Dependo inteiramente do estabelecimento de relações industriaes entre os paizes americanos. o SR. GAUCIA MEROU 217 O de communicações fáceis, commodas e freqüentes enlre elles. Sem isto o Peru, a Bolivia, a Venezuela, o México serão para nós alguma cousa mais vaga, mais indecisa, mais apagada, e muito menos interessante, que qualquer das pequenas nações curopéas. E nós, o Brazil, seremos para elles igualmente uma cousa indefinida e sem interesse. Não estão já absolutamente no mesmo caso o Chile, a Argentina e o Uruguay, como não estão os Estados-Unidos.

Mas, seguramente, das nações da America a que, pela sua posição geographica, pela sua proximidade da nossa capital, polo seu desenvolvimento econômico nas suas relações comnosco, pelos interesses políticos que a altrãempara nós, está destinada a manter com o Brazil mais estreitas, e devemos todos desejar, mais cordiaes relações, é a Argentina. Já é com ella que mais avulta o nosso commercio no continente, e tudo parece indicar que as relações por ellc creadas tendem a augmentar consideravelmente. Ha, pois, motivo para que se crie entre e Brazil e a Argentina uma corrente de curiosidade, do sympathia, do interesses de toda a ordem. A Europa, é a minha convicção, manterá ainda por larguissimos séculos, sinão para sempre, a sua supremacia espiritual, mas dentro de dous ou três séculos a America, ou, pelo menos, alguns paizes da America, eonipelirào com ella na dissemina(;ão da culUira.

O que estamos hoje 'fazendo para reproduzir aqui a alta civilização que de lá trouxeram as gentes que fundaram estas nacionalidades, tem já, sob o aspecto do futuro, o seu interesse, c duas nações, como a Argentina c o Brazil, quo devem ter as mais estreitas relações econômicas e sociaes, sentem inslinctivamente que cada unia dellas tem uma feição [)or onde sobretudo valerá na obra do progresso em que ambas se empenham. Foi certamente com estes pensamentos e intuitos que o Sr. Garcia Mérou estudou, com tanta intelligencia e sympathia, no livro que acaba de publicar, a nossa vida iiitelleclual. As íinezas de benevolência com que nelle se occupou do obscuro escriptor destes Estudos, do alguma sorte restringcm-mc a liberdade de dizer todo o bem que merece. Mas a simples exposição de como o concebeu e realizou, basta-lhe como o melhor e mais encarecido elogio. O Sr. Garcia Mérou foi Ministro Plenipotenciario do seu paiz no Kio de Janeiro. Aqui conheceu os nossos homens de letras e as suas obras, que não somente leu, mas estudou e meditou. Trazia um nohie laureado de poeta c prosador.

Publicara já onze volumes de poesias, de critica e estudos literários, de viagens e o SR. GARCIA MEROU 219 memórias, além de um nolavel estudo critico sobre João Baptista Albcrdi, o grande pensador e publicista da sua palria, e outro sobre o poeta Eclieverria. Hoje accrescentou-lhes mais dous \o\umesdL\ Historia de Ia Republica Argentina de 1815 a 1870, e um de Estúdios Americanos. Como um homem do antigo continente, o Sr. Garcia Mérou, diplomata, plenipotenciario no Brazil, nos Estados-Unidos ou no México, Ministro da Agricultura, não acha incompatível a actividade da política com as letras, e acha tempo para redigir notas, relatórios e circulares e escrever livros que demandam estudo e reflexão. Aliás, na sua terra os melhores homens de Estado, os homens públicos mais consideráveis, foram escriptores, poetas ou publicistas; Sarmicnto, Bartholomeu Mitre, Alberdi, João Maria Guticrrez, Saenz Pefia, os Quesadas, Nicoláo Avellaneda, Calvo, Zeballos, Miguel Gane, Pellegrini, Ramon Carcano, Agostinho de Vedia, e muitos outros, são disso exemplo. O Sr.

Garcia Mérou continua com talento e distincção essa tradição gloriosa. Elle é, sem nenhum estreito preconceito continentalista, ao contrario, com uma larga admiração pela cultura européa, a nossa alma mater, um enthusiasta da cultura americana. E' nella talvez que elle enxerga a salvação da America. De todas as literaturas sul-americanas, ne- nhuma, aflii-ma o Sr. Méi'ou, ó lüo pouco conhecida na Republica Argentina como a nossa. No momento em quefazia o seu livi'o, não conhecia elle escriplo ali sobre nós sinão uma «interessante analyse » da Confederação dos Tainoi/os, do Magalhães, por João Maria Gutierrez, alguns juizos literários de Ernesto Quesada, « a soberba descripção de um trecho da natureza fluminense (po enquadra uma das bellassccnas do Fruto prohibido, de Groussac » e as « paginas ligeiras » que lhe dedicou Sarmiento nas suas Viagens. Salvo erro grande, não seria mais, si tanto fosse, o que pudéssemos por nossa parte mostrar da nossa sciencia da vida espiritual argentina. E si hoje, graças ao livro do Sr.

Mérou, elles estão em condições de avaliar da nossa, com informação segura, nós continuamos, a respeito da sua, na mesma ignorância. Aos que tenham vontade de sair delia, tomo a liberdade de rccommendar com justo encarecimento o Juan Baptista Alberdi., os Libros y autores, os Recuerdos literários, as Confidencias literárias c o Ensayo sobre Echeverria, do mesmo Sr. Garcia Mérou. Estes livros lhes darão um quadro que parece exacto, e é animado e vivo, da vidaintellectual argentina. Convém também ler o interessante estudo literário do Sr. Araripc Júnior sobre o Sr. Mérou, e os dous bons artigos que sobre o SR. GARCIA MUROU 221 este lilcralo argentino publicou na Reoista Brazileira o Visconde de Taunay. E' pelo estudo particularizado da personalidade e da obra do Sr. Sylvio Roméro, que enceta o Sr. Mérou o da nossa actualidade intelleetual. Porque este é especialmente o objecto do seu livro, de « impressões » como elle claramente declara.

Nem o escriptor argentino.se propoz, também lisamente o confessa, « fazer um estudo metliodico c minucioso do desenvolvimento inlelleclual do Brazil », nem remontar aos nossos primordios literários. Entretanto desses mesmos se informa, guiadopelo Sr. Sylvio Roméro, conservando entretanto sempre a liberdade do seu juizo. Acompanha as analyses do Caramurú e do Uruguay, de traducções correclas e elegantes, em verso, dos trechos afamados dos dons poemas. -As suas referencias aos poetas do nosso romantismo, como ainda aos do período pseudo-classico, aos Mineiros, são de quem os conhece mais que da mera informação do historiador da nossa literatura. Uma traducção homeometrica e ([uasi completa do Y-Juca-pirama, de Gonçalves Dias, dirá aos Argentinos a que altura se elevou a musa brazileira. O estudo do Sr. Sylvio Roméro e de sua obra poz o Sr. Mérou no âmago da questão do nosso movimento inlellectualcontemporâneo, que era o seu principal objecto.

Quaesquer 222 13STUD0S DE LITERATURA que sejam os defeitos dessa obra, defeitos que são os do temperamento do escriptor, ella representa uma acção fecunda nas nossas letras, e pela sua vastidão e complexidade, em todo o nosso movimento inlellectual. Os seus senões são manifestos, mas si ella não vale pelo que encerra de correcção e verdade, si é fácil.mostrar nella, como com tanto espirito e delicadeza fez o Sr. Mérou, as numerosas e flagrantes incoherencias e contradicções de toda a espécie, a paixão, o preconceito, o polemista' sobrelevando ao critico, não se lhe pôde negar o valor do talento, do saber, do ardor intellectual e, sobretudo, da influencia que exerceu na nossa mentalidade. E' um acontecimento literário de primeira ordem, não é uma grande obra literária. Reconhece-o nestas palavras o Sr. Mérou: et No seu conjunto, a obra do Sr. Roméro apresenta um quadro colorido da vidapsychica de sua pátria, desde a época da conquista até os nossos dias. E' a mais particularizada e extensa que sobre a matéria se haja no paiz escripto.

Revela no seu autor uma intelligencia poderosa, um amor apaixonado das letras, uma independência de juizo e um valor moral que inspiram respeito. Mas, sem embargo, acabo de relel-a com attenção, e reconhecendo todas estas condições, ella me deixa no espirito um o SR. GARCIA MEUOU 223 vasio, parece-mo confusa e pouco ponderada, difíicuUa-mo construir mentalmente o vasto todo que procurou animar com o brilho de sua palavra calida e vibrante. » E ainda, referindo-se a deficiências aponta das dessa obra: « Essas mesmas mostram mais plenamente a sua personalidade vigorosa e permittem ver até ao fundo de sua alma de apaixonado c de combatente.

Ao terminar a leitura deste livro extenso, desigual, porém nunca banal, nunca medíocre, sentimos uma viva sympatliia pelo dislincto escriptor que se refere com amargura ás suas lutas tenazes e aos seus intimes soffrimentos, fazendo-se justiça a si próprio, ao declarar que as idéas da sua vida concentraram-se no sonho da independência literária, da independência scientitica e no reforço da emancipação política da sua pátria, e que este triplico fanal luminoso guiou as suas generosas emprezas ». São cheias do razão e humor as suas considerações sobre Tobias Barreto, de cujos Estudos Allemães diz com toda a procedência: » Não é este livro uma explicação do pensamento allemão, uma synthese da philosophia alleman, nem siquer um allegado em favor da cultura germânica, opposta á cultura latina. E' uma serie de artigos de grande variedade de Ihemas... que apenas correspondem ao 224 ESTUDOS DE I.ITEEATURA titulo, porque reffectem todos o pensamento de algum autor allemão, citam todos algum livro allemão, encerrào todos algum hymno... á cultura, á intelligencia, á arte, ao poder da Allemanha.

Si Tobias Barreto se occupa da alma da mulher, é para dizer-nos o que pensa sobre ella o dislinclo israelita Adolpho Jelliuck; si escreve sobre zoologia, é para falar-nos das theorias de Hoeckel; enxerga a historia religiosa do Brazil através de Júlio Frõbel e de Hartmann, o que pouco esclarece o seu assumplo; mais tarde traça um « ensaio prehistorico da literatura clássica alleman fundado nas mesmas bases, assim como assignala alguns traços de literatura comparada do século XIX, extractados de George Brandes, que, embora, creio, não seja allemão, apparece ali como si o fora. Analysa os estudos históricos de Renan para dar-se ao luxo de deleitar-se com Ewald, com Gratz, com Ranke, como mais tarde fala da philosophia no Brazil, para evocar « uma recordação de Kanl ». Nunca se disse com mais razão e com mais graça a nenhuma originalidade do pseudopensador que é Tobias Barreto, o espirito mais livresco, dos bons espíritos das nossas letras. Já creio haver dito que o livro do Sr. Mérou é um livro de sympathia; mesmo um livro de benevolência, accrescentarei.

Mas vê-se por esfes exemplos que elle não o SR. GARCIA MliROU 225 sacrifica a independência do seu juizo.De Tobias Barreto acha clle que seria « flagranie injustiça » negar o esforço inlellectual respeitável de que o seu livro é o resultado, a seriedade eimportan cia do trabalho que representa, os nobres ideaes que o inspiraram, « o que acho, declara, é que nada do que nos diz Tobias Barreto é uma novidade para espirites cultos da nossa época, para amadores mais ou menos profundos que tenham freqüentado bibliothccas e estejam um pouco ao corrente do movimento das letras da Europa. O que eu desejaria achar nelle não é o que dizem Ewald, Hartmann, Jellinck, Ilanke e outros, o que me é fácil averiguar, lendo as suas obras, mas alguma cousa de original, de nativo, tirado da sua própria substancia...

» Mais de uma vez tenho mettido á bulha os nossos pseudo-philosophos, que sem capacidades philosophicas —c penso piamente que não as podemos ter sem a cultura necessária, sem o saber scientiíico indispensável (Tobias ignorava completamente as sciencias pliysicomathcmaticas) limitam a sua philosophia á repetição dos autores cujas doutrinas mais escolhem por palpite, por syrapathia de temperamento, que mediante processos de raciocínio. Tobias foi o mais emmente destes nossos philosophos. Em capítulos extensos, ou era paginas bre- ves e ainda em linhas ligeiras, passa o Sr. Mérou em revista a personalidade e a obra do Visconde de Taunay, dos Srs. Ruy Barbosa, Joaquim Nabuco, Araripe Júnior; os poetas das novas gerações: Alberto de Oliveira, Raymundo Corrêa, Olavo Bilac, João Ribeiro; os romancistas: Machado de Assis, Aluizio Azevedo, Coelho Netto, Inglez de Souza; escriplores diversos: Rodrigo Octavio, Oliveira Lima, Affonso Celso; jornalistas: Carlos de Laet, Ferreira de Araújo, Carlos Rodrigues, Tobias Monteiro, Campos Salles e Assis Brazil.

De sorte que quasi não ha aspecto da nossa vida intellectual que elle não considere por um ou mais dos que lhe parecem os' seus melhores representantes. Poder-se-ia reparar que dá importância acaso maior que a justa, aos críticos o á critica, aos escriplores sociaes e pohticos, e que os romancistas e os poetas têm relativamente menos espaço no seu livro. A razão será porque aquelles lhe facilitavam mais a tarefa, dando-lhe nos seus estudos a imagem que se faziam da nossa intellectualidade. Demais, poeta e homem de letras, o Sr. Garcia Mérou é, pela tendência principal da sua mente, um espirito votado á critica, ao estudo das sociedades, á historia, mesmo á política. Na nossa vida intellectual o que principalmente lhe devia interessar era o nosso pensamento social, que lhe pareceu des- o Sn. GARCIA MEROU 227 cobriria melhor na obra crilica dos Srs. Sylvio Roméro e Araripe Júnior, na obra polilica e social dos Srs. Ruy Barbosa e Joaquim Nabuco, e na dos nossos publicistas.

Não que elle não dè sempre ao literato o primeiro lugar; o que elle aprecia o admira, com gabos generosos, nos citados, é o escriptor, o homem de letras, o inlcUectual. O seu processo de informaçião, pela exposição e analyse do que ha de essencial e característico no obra de cada autor, é seguro e feito com intelligoncia c sinceridade. Para ter uma noção exacta c suíliciente da obra do Sr. Sylvio Roméro, do Sr. Araripe Júnior, do Sr. Ruy Barbosa, do Sr..Joaquim, Nabuco, basta conhe-. cer os capítulos que lhes consagra o Sr. Mérou. E como, occupando-se delia, refere-se a cousas e homens nella tratados, a José de Alencar, a Gregorio do Mattos, a poetas e eseriptores, e acontecimentos, o a indivíduos estudados por aquelles autores, quasi nenhum nome ou facto interessante da nossa vida intcllectual escapa no seu livra. Não se tirará, talvez, delle uma vista synlhetica, uma somma das feições características, das tendências geraes do nosso espirito. Não o procurou acaso o critico; achal-o-ia enlretanto, si o buscasse? E' pelo menos duvidoso.

O que elle julga ter achado, e o diz com declarada sympathia, é que ha um Brazil intel- 228 ESTUDOS DB LITERATURA leclual. Esforceino-nos por não o desmentir. Será ainda o melhor meio de lhe reconhecermos a fineza do affeclo e inlelligencia com que nos estudou, e do talento que poz em divulgar a nossa ignoradissima vida espiritual na mais espalhada lingua da America.

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