Ainda a questão ortográfica: carta ao Sr. Cândido de Figueiredo
XIV AINDA A QUESTÃO ORTHOGRAPHICA Tendo o erudito escriptoi- portuguez, Sr. Cândido de Figueiredo, se ocupado, no Jornal do Cominercio, dos artigos sobre a « questão orthographica » atraz reproduzidos, e que na mesma follia foram publicados, julguei-mo obrigado a responder-liie nesse jornal, por esta maneira: Exm. Sr. Cândido de Figueiredo. Meu illustrado confrade. Li e considerei, com a attenção que mereciam o autor e o assumpto, a carta aberta que por este jornal, onde temos ambos a lionra de coliaborar, me fez V. Ex. a fineza de dirigir, a propósito de dous artigos meus aqui publicados sobre a ortliograpbia portugueza. Eu quasi mo podia dispensar do gosto de responder a V. Ex., pois, como V. Kx. reconhece. 3Í2 ESTUDOS DH LITERATURA não ha entre nós sinão divergências fortuitas, como lhes chama, estando ambos do accordo sobre a questão principal: que não tendo a lingua portugueza orthographia, é preciso dar-lhe uma eque, por mil razões que nos parecem excellentes, essa deve ser a orthographia usual de hoje, simplificada.
Nos meus artigos, evitei de industria falar de orthographia phonetica; V. Ex., mais corajoso, não recua ante o termo que arripiava a Latino Coelho. Na accepção em que naquelles escriptos aceitei essa expressão de reproducção exacta da pronuncia correcta, não ponho davida em empregal-a para maior commodidade da exposição. Informando-me V. Ex. da existência em Portugal de um grupo de eruditos, especialistas em lingüística e philologia, entre os quaes dous, pelo menos, conheço e aprecio, os Srs. Gonçalves Vianna e Vasconcellos Abreu, que são partidários decididos da orthographia phonetica, causou-me grande gáudio, pois eu, que não sou nem erudito, nem philologo, nem glottologo, nem siquer grammatico, receiava pudessem attribuir á minha ignorância as minhas opiniões neste assumpto. ]•] muitos haverá no meu caso, que sabendo-se na companhia de sabedores de tão alta reputação na sua especialidade como aquelles, tenham melhor a coragem das suas ojíiniões.
]•] podemos, com effeito, sustental-as com todo o desassombro, pois temos por nós a primeira tradição da nossa hngua, a sua Índole, o exemplo das duas que lhe são mais affins, o hespanhol e o italiano, a ten- NOTA 313 dencia popular para a simplificação orthographica nos povos que a falam e ató, cm numerosíssimos casos, a mesma etymologia, que, como V. Ex. no seu Novo Diccionavio c o Dr. Ribeiro de Vasconcelloz na sua Grammatica mostram, determinaria uma graphia mais simples que a cm uso. E' possível que eu, não obstante conhecer alguns dos trabalhos de V.Ex., não lhe tenha feito inteira justiça tendo-o por decidido phonetista. Mas na sua mesma carta dá-me V. Ex. de algum modo razão. Assim, contra uma opinião minha, declarando que as graphias povtuguõs o açúcar não seriam aceitas no Brazil, sustenta V. Ex. a sua firmado na etymologia, e quanto á segunda em João de Barros também.
Ora, para um phonetista declarado o argumento etymologlco não colhe, sinão quando a etymologia justifica a graphia plionetlca, e a autoridade de João de IJarros, grande e respeitável no estudo histórico da lexeologia, da semântica e da syntaxe da língua, é nulla para nos ensinar a graphar hoje, ou apenas teria applicação no estudo da nossa evolução orthographica. Esse estudo do admirável chronista nos mostraria, por exemplo, como sabe V. Ex. melhor do que eu, (jue a sua orthographia era muito mais phonetica, muito mais simples do que a fez depois a reacção erudita. E nem me embaraça o exemplo que V. Ex. me cita para confundir-me. « Quero que me de: esse livro que tu lez, porque bem vez que preciso delle. i) Não sou, parece-me o haver deixado claro nos meus artigos, um reformador da orthographia, um autor de systeina orthographico, que me apaixone por esta questão.
Aquelles escriptos eram singelas observações de um escriptor que não sabe como deve escrever a sua lingua, sem divergir de alguns dos mestres mais illustres delia, e de um homem, pai defamilia, preoccupado de como a deve ensinar a escrever a seus íilhos ou, genei-alizando, de como se deve ensinar ás pobres crianças hesitantes entre.modos vários e múltiplos de escrever as mesmas palavras. Nelles disse apenas os meus reparos, as minhas duvidas, manifestando ao mesmo tempo o meu desejo, que será sem duvida o de todos os que precisam escrever a nossa lingua, de que ella acabe por ter uma orthographia uniforme. Uniforme, não lógica, nem systematica, nem scientifica, digo eu, sabendo, apezar da minha ignorância, que é talvez impossível, sem fazer um trabalho todo artilicial, conseguir um systema orthograjjhico com a exacção de um systema de logarithmos. A orthographia é uma convenção, mas uma convenção que assenta em uma serie de convenções que se continuam, desenvolvem, modificam segundo um typo 'commum.
Em portuguez, por exemplo, estamos presos pelas leti'as do alphabeto, herdado dos latinos, apenas com o acci^escimo de dous signaes para certas palavras de origem grega ou germânica, li eio, e um systema orthographico que inventasse novos signaes, ou somente novos empregos dos já existentes, não teria certamente nenhuma probabilidade de bom oxito. Isto posto, penso que po-- demos continuar a usar do z nos patroniiuicos, como até agora, salvo excepções, aliás illustres, temos feito os Portuguezes e Brazileiros, e escrever Franccz, Inglcz, Portuguez, e, com alguma incoherencia, reconheço, escrever cies, les, ves. Não me arrepia, aliás, a idéa de escrever dêz, lêz, vêz, si se convencionasse que, para evitar um accento, assim se escrevesse. Quanto a açúcar, a çapato, a outras formas idênticas, que V. Ex., no seu Diccionario e em um artigo do Jornal do Commercio, preconisa como graphia mais certa, não duvido reiterar a V. Ex., emljora não tenha para isso procuração especial dos meus compatriotas, que ninguém as aceitará no Brazil.
Não obstante se encontrarem nos escriptores antigos taes fôrmas graphicas com ç, não ha negar, penso eu, que ellas são antipathicas ao portuguez moderno. Também creio poder afflrmar que não aceitaremos o uso, que V. Ex. me não levará a mal chamar immoderado, dos accentos graphicos, que V. Ex. e outros illustres reformadores da orthographia portugueza querem introduzir na nossa lingua. E para rejeitar-lhes de antemão a reforma, não precisamos de oppôr-lhe nenhuma razão theorica (e, aliás, as temos e boas); basta-nos a fortíssima da impossilidade material de conformar a nossa prosódia com a do povo portuguez. Pronunciando nós differentemente, teríamos de accentuar differentemente, e para não chegarmos á extravagância de accentuarmos os portuguezes de um modo e os brazileiros de outro, melhor é, salvo casos especiaes, 316 ESTUDOS DE LITERATüllA como OS dos agudos ou oxytonos, e algum outro raro, continuarmos a tradição da nossa lingua, avessa, como a latina, á accentuação graphica.
Nós brazileiros não podemos enxergar a necessidade de accentuar diccionário, sciéncia, história, ■período, ainda, inútil, secundário, colônia, e todas as exdruxulas, como manda o Dr. Ribeiro de Vasconcelloz, e, creio, quer V. Ex. também. Para nós aquella accentuação não tem cabimento: nós não dizemos sciéncia nem colônia, mas sciéncia e colônia; com o segundo o quasi mudo. Eis porque eu disse — e julgo que com toda a razão — e continuo a sustentar, que a introducção de uma copiosa accentuação graphica na orthographia da lingua portugueza não tinha nenhuma probabilidade de vingar no Brazil. Não desconheço, entretanto, a sua utilidade pratica, sobretudo do ponto de vista escolar, mas diante da impossibilidade manifesta, absoluta, de a fazer aceitar pelos dous povos de lingua portugueza, parece-me prudente rejeital-a, tanto mais que nada impede que, nos casos onde a notação do accento seja absolutamente necessária para evitar confusões ou para facilitar a pronuncia correcta, usem e abusem delle os mestres, até haverem fixado a prosódia exacta na memória dos seus discimulos.
Para os estrangeiros que quizessem aprender theoricamente a nossa lingua, se fariam grammaticas e livros de leitura accentuados, como a Igreja Catholicaaccentuou os seus livros sagrados, para evitar as syllabadas dos padres que não sa- biam latim. Ainda assim se não evitaria o inconveniente da dupla prosódia que tem de facto hoje a lingua portugueza; o estrangeiro que a aprendesse por um livro de Portugal acabaria por pronuncial-a diversamente do que a houvesse aprendido por um compêndio brazileiro. Este inconveniente, porém, é ja agora fatal, impossivel de ser remediado. Temos de nos curvar a ellc. A única medida que ambos os povos podem tomar, ao estabelecerem, como todos desejamos façam, um padrão orthographico único para a lingua que falam, é a discreta accentuação indispensável para evitar confusões de palavras em que são ellas não só possíveis, mas fáceis: como álea, anodinò, batega, pegada e avô e avó, besta e besta, rola e rola. Tudo o que não fôr isto, parece-me demasiado, e, o que peior é, sob o aspecto pratico, impossivel de realizar no Brazil.
E como eu não desejo que nós venhamos a ter duas graphias portuguezas, uma de Portugal, outra do Rrazil, aügura-se-me que, seja qual fôr a excellencia das razões theoricas que possam ter os Portuguezes para adoptar a sua preconisada accentuação graphica, sábio será de sua parte ceder á razão pratica. Não quer V. Ex. admittir commigo que o accento grave não é portuguez, nem que o trema esteja banido da nossa lingua. Peza-me ter de persistir na minha opinião, contra a autoridade de V. Ex. Em portuguez, principalmente no portuguez de Portugal, ha certamente o som grave, que quasi não existe mais no Brazil, mas nunca houve um signal para notal-o. Esto é o facto que da leitura dos velhos autores da língua, si não erro, se verifica. Alguns lexicographos, como observa o talvez mais excellente grammatico da lingua portugueza, o Sr. Júlio Ribeiro, o usaram para marcar os sons fechados, mas, segundo elle, esse accento, « estranho ao portuguez », acha-se banido do uso geral. Garrett também não o admittia como joortuguez.
Como o trema, é uma excrescenciaintroduzida na lingua por grammaticos e diccionaristas esquecidos que elles não fazem a lingua, mas apenas lhe registram os factos. E a prova maior de que é uma superfluidade, uma creação artificial degranimaticographos e lexicographos, ó que de facto nunca se introduziu no uso corrente, nunca foi de emprego commum. Nos tempos mais modernos pelo menos, nenhum escriptor da lingua portugueza deixou de usar dos accentos agudo e circumflexo, lidimos portuguezes, mas apenas se apontaria algum, si algum ha, que do grave usasse. Mais ainda, esse accento não tem na nossa lingua, segundo os mesmos que o empregam e recommendam, funcção bem determinada. Servia até aqui para marcar os sons fechados ou assignalar os sons graves; V. Ex. usa-o significando que « a respectiva vogai é aberta mas não tônica »: córado, luso-francês, etc, e o Dr. Ribeiro de Vasconcelloz escreve: àquelles, alem, amanhã.
Assim, o accento grave já não é mais uma notação craphica pertencente á lingua, como é em francez, por exemplo, com applicação rigorosa, mas um mero signal que grammaticos e diccionaristas podem usar aseu talante para nos indicarem a recta pronuncia das palavras, conforme a entendem, como SC poderiam servir de qualquer outro symbolo de sua invenção, como nos alphabetos phoneticos preconisados por alguns pedagogos allemães. A' minha afíirmação, que reitero, de que estava banido da lingua portugueza o trema, oppõe V. Ex. a doutrina contraria de um grammatico, meu compatriota, que o admitte. Naquolla minha asserção ha um erro, confesso; é haver eu dito banido. Devia ter escripto — não existe, — para ser mais exacto. Quanto a um ou mesmo a dez grammaticos o haverem admittido, isso pouco alterou a questão. O caso é que elle seja « praticado », isto é, que os escrijítores eo commum dos que escrevem a lingua o empreguem correntemente. Sem isto, podem todos os grammaticos da lingua decretar a sua introducção, que nem por tal elle faz parte delia.
Aliás, si o parecer dos grammaticos pesasse no caso, eu creio que a maioria delles, ao menos brazilciros, apoiariam o meu aviso. E' certo que Garrett o admittiu e praticou, mas ficou só. Desde Ilerculano e os Castilhos, os mais notáveis escriptores portuguezes jamais o empregaram. No Brazil, quer dos escriptores mprtos, quer dos vivos, posso garantir a V. Ex., só ha apenas um que delle use, o Sr. Dr. Ramiz Galvão, aliás mestre provecto da lingua. Posso, pois, com toda a segurança, continuar a afíirmar que o tal trema foi banido ou, talvez melhor, não é da lingua. Que V. Ex., como lexi- 320 ESTUDOS DE LirURATüRA cographo, o empregue, como ao accento grave, ou a outro qualquer signal grapliico, para notar a pronuncia da palavra, eu aceito, mas não posso admittir que nos dè taes signaes como fazendo parte da nossa orthographia tradicional, e menos da corrente. A admittil-os agora seria como uma nova convenção que eu, releve-me V. Ex. o ousio, acho inteiramente desnecessária. O accento agudo, que (■; nosso, satisfaz plenamente em todos os casos em que precisássemos, como V. Ex.
entende, de usar do trema. São estas, Exm. Si:., as principaes divergências entre nós. O publico, que nos lê, está vendo, como V. Ex. foi o primeiro a reconhecer, que não havia talvez motivo para por amor delia discutirmos, e eu poderia ficar aqui, apresentando a V. Ex. a expressão leal do meu apreço, si V. Ex. não se referisse a uma frase minha a respeito do seu Novo Diccionario da língua portugueza, contrastando-a. Sinto que o haja feito, porque me poz na desagradável situação, já que o amor da verdade me não consente retractar-me, de repetir u V. Ex. que julgo aquelle seu trabalho de « escasso mérito », e de dar as razões do meu, reconheço-o sem fingimento de modéstia, desautorizado juizo. Chamei de preferencia Vocabulário ao Diccionario de V. Ex., querendo signifiòar que elle era uma lista copiosa, não importa, de palavras, com as suas significações ou definições, e uma succinta indicação da sua origem, mas sem aquillo que só, não ao meu ver, mas no de todos os competentes.
faz o mérito de um diccionario: as citaçOes de frases de autores clássicos ou de bom nome, exemplificando as differentes accepções da palavra, e, ainda mais, como já o praticou o nosso Moraes, e o fazem a Academia Franceza e Littré, com breves e claras lições de synonymia e de syntaxe dos vocábulos que as reclamam. Sem isto me parece — c julgo como um ignorante que tem necessidade de recorrer ao diccionario — que uma obra dessas perde a maior parte do seu valor. O que principalmente se busca em um diccionario — e é com a minha experiência que falo, crendo, entretanto, poder generalizal-a — c menos a definição, a significação do vocábulo, que as suas accepções especiaes, os seus matizes e gradações de sentido, o como empregal-o com exacção e propriedade. Ora isto só se pode conseguir de um diccionario que nos dê a palavra na frase, mesmo porque nenhuma definição, ainda a mais perfeita, dará jamais a noção exacta das accepções de uma palavra, qual a deduzimos, muitas vezes a sentimos mais que a comprehendemos, do seu emprego por um bom escriptor. V. Ex.
mesmo, em um nota do seu Diccionario, reconhece oerro quecommetteu cedendo á extravagante e singular opinião de Latino Coelho, — erudito considerável mas sem nenhum espirito critico ou scientifico, — « de que um diccionario synthetico ou manual não se coaduna bem com citações e transcripções. » Não sei aliás até que ponto se pôde chamar manual a um livro em formato de 322 ESTUDO DE LITERATURA folha, cm dons grossos volumes, com mais de 700 paginas cada um. Ao contrario de Latino Coelho, pensava, com toda a razão, Voltaire que « um diccionario sem citações é um esqueleto )>. Não haja no mundo quem lhe não reconheça a justeza do conceito. A Academia Franccza no seu diccionario poude dispensar citações de autores, exemplificando as suas definições, com frases suas. Mas, tendo a Academia, em matéria da lingua, a mesma autoridade dos bons escriptores, o seu exemplo não implica uma violação deste principio. Entretanto, ha quem, como Voltaire, preferisse que, em vez de citar-se, citasse os clássicos.
O que se pôde fazer em um diccionario que não tome as proporções do de Littré ou do inglcz de Murray (porventura ainda mais desenvolvido e completo que aquelle) e o que fizeram os scientes autores do mais recente e, na opinião dos entendidos, excellente diccionario francez, os Srs. Adolpho Ilatzfcld e Arsenio Darmesteter, é supprimir esses exemplos quando elles não são necessários para assentar o emprego contemporâneo de palavras que todos conhecem c podem por si mesmos verificíir, mas não deixar de dal-os, como elles não deixaram de fazel-o, em todos os casos de accepções especiaes, de gradações diversas de vocábulo. Hoje, aliás, em todas as linguas, diccionarios menores que o Novo Diccionario da lingua portugueza trazem exemplos tirados a autores em abono da sua doutrina. E sem isso um diccionario de pouca utilidade é. Todos ou quasi todos os grandes diccionarios da nossa lingua, e o de V. Ex. deve ser classificado de grande, têm citações, e só por isso serão na maioria dos casos de consulta mais prestadios que o Novo Diccionario. Informa-nos V. Ex.
que só do padre Antônio Vieira poz V. Ex. no seu Diccionario perto de 400 vocábulos que não figuram em nenhum outro. Permitta-me V. Ex. a liberdade de notar-lhe que mais corria então a V. Ex. o dever de acompanhal-os da citação por extenso da frase em que os encontrou. Tendo por fim V. Ex. a consciência do erro que a irracional opinião de Latino Coelho lhe fizera commetter, entrou, de certa parte em diante do seu livro, a citar autores, mas em vez de cital-os por extenso, e com a indicação exactada fonte, não; limitou-se a indical-a, assim, para exemplificar: « Cf. Castilho, Vastos, I, p. 340 » na palavra Dispoéta. E' verdade que uma ou outra vez cita por extenso, o que revela falta de systema. A simples citação das fontes obrigaria o consultante a ter uma bibliotlicca completa dos bons autores da lingua. Taes os motivos que me levaram a taxar de escasso o mérito do novo diccionario, com que V. Ex. acaba de dotar a lingua portugueza.
Não lh'o negando todo — e injusto fora negar-lli'o — reconheço a somma enorme de trabalho benemérito de apreço que nelle ha, esperando que, para bem de todos os que falam e escrevem a nossa formosa lingua, V. Ex. nos jiossa dar em breve nova edição, em que aqueües senões^ e outros que acaso 324 ESTUDO DE LITERATURA tenha, sejam corrigidos. Nem eu tenho a pretenção de haver dito a V. Ex. novidade alguma; estas objecçOes já V. Ex. as previra com a sua citada nota. Agradeço a V. Ex. as informações que se dignou dar-me sobre a questão orthographica na Academia das Sciencias. Não tendo nenhuma espécie de preconceito nacional, respeito a Portugal e aos escriptores portuguezes, que leio, admiro e prezo, conforme o merecem; creia V. Ex. que terei máxima satisfação em ver assentada pelos dous povos de língua portugueza uma orthographia uniforme, á qual, quaesquer que sejam as minhas divergências pessoaes, prometto de antemão submetter-me. De V. Ex., cordialmente, J. VERíSSIMO.