PARTE I · Junto à Fonte
PARTE I · Junto à Fonte
Gretchen e Lieschen, com jarros.
LIESCHEN
Não soubeste nada da pequena Bárbara?
MARGARIDA
Nem uma palavra. Quase não tenho visto ninguém.
LIESCHEN
É verdade, Sibylle contou-me hoje.
Enfim ela também se deixou enganar.
É o que dá querer parecer tão distinta!
MARGARIDA
Como assim?
LIESCHEN
A coisa fede!
Agora, quando come e bebe, alimenta dois.
MARGARIDA
Ah!
LIESCHEN
Enfim recebeu o que merecia.
Quanto tempo não andou atrás daquele sujeito!
Era passeio para cá,
Passeio pela aldeia e pelo salão de dança,
Tinha sempre de ser a primeira,
Ele sempre lhe fazia a corte com tortas e vinho;
Ela se gabava da própria beleza
E foi desavergonhada a ponto de aceitar
Os presentes que ele lhe dava.
Era beijo e lambida sem parar;
E agora a florzinha se foi!
MARGARIDA
Pobre criatura!
LIESCHEN
Ainda tens pena dela?
Quando nós ficávamos fiando,
E nossa mãe não nos deixava descer à noite,
Ela ficava docemente junto ao amante;
No banco da porta e no corredor escuro,
Hora alguma parecia longa demais.
Agora que se humilhe,
Vista a camisa de pecadora e faça penitência na igreja!
MARGARIDA
Com certeza ele se casará com ela.
LIESCHEN
Seria um tolo! Um rapaz esperto
Ainda encontra bastante diversão em outros lugares.
Além disso, ele já foi embora.
MARGARIDA
Isso não é bonito!
LIESCHEN
Caso ela consiga agarrá-lo, que se prepare:
Os rapazes lhe arrancarão a pequena coroa,
E nós espalharemos palha picada diante da porta!
Sai.
MARGARIDA (caminhando para casa)
Como eu sabia censurar com tanta coragem
Quando uma pobre moça caía em pecado!
Como, diante dos pecados alheios,
Minha língua nunca encontrava palavras suficientes!
Como tudo me parecia negro, e ainda o tornava mais negro,
E mesmo assim nunca era negro o bastante para mim;
Eu me benzia e fazia pose de grande virtude,
E agora estou eu mesma exposta ao pecado!
Mas tudo, tudo o que me levou a isso,
Meu Deus, era tão bom! Ah, era tão querido!