PARTE I · Catedral Fausto — edição integral · Capítulo 23 de 33
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PARTE I · Catedral

PARTE I · Catedral

Missa, órgão e canto. Gretchen entre uma grande multidão. Um Espírito Mau atrás dela.

ESPÍRITO MAU.

Como era diferente para ti, Gretchen,

Quando ainda, cheia de inocência,

Vinham teus passos até este altar,

E, do pequeno livro gasto,

Balbuciavas orações,

Metade brincadeira de criança,

Metade Deus dentro do coração!

Gretchen!

Onde está tua cabeça?

Em teu coração,

Que crime se abriga?

Rezaste pela alma de tua mãe, que

Por tua causa adormeceu para um tormento longo, longo?

Na soleira de tua porta, de quem é o sangue?

E sob teu coração

Já não se move algo, crescendo,

Que te angustia e a si mesmo

Com a ameaça de sua existência?

MARGARIDA.

Ai! Ai!

Se eu pudesse livrar-me dos pensamentos

Que vão e voltam dentro de mim,

Contra mim!

CORO.

Dies irae, dies illa

Solvet saeclum in favilla.

Som do órgão.

ESPÍRITO MAU.

O furor te agarra!

A trombeta ressoa!

Os túmulos estremecem!

E teu coração,

Do repouso das cinzas

Recriado para tormentos em chamas,

Estremece!

MARGARIDA.

Se eu pudesse sair daqui!

Parece que o órgão

Me corta a respiração,

E que o canto dissolve meu coração

No mais profundo de mim.

CORO.

Judex ergo cum sedebit,

Quidquid latet adparebit,

Nil inultum remanebit.

MARGARIDA.

Meu peito se aperta!

Os pilares das paredes

Me aprisionam!

A abóbada

Me esmaga! Ar!

ESPÍRITO MAU.

Esconde-te! Pecado e vergonha

Não ficam escondidos.

Ar? Luz?

Ai de ti!

CORO.

Quid sum miser tunc dicturus?

Quem patronum rogaturus?

Cum vix justus sit securus.

ESPÍRITO MAU.

Os bem-aventurados

Desviam de ti o rosto.

Os puros sentem horror

De estender-te as mãos.

Ai!

CORO.

Quid sum miser tunc dicturus?

MARGARIDA.

Vizinha! Vosso frasco!

Desmaia.

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