PARTE I · Catedral
PARTE I · Catedral
Missa, órgão e canto. Gretchen entre uma grande multidão. Um Espírito Mau atrás dela.
ESPÍRITO MAU.
Como era diferente para ti, Gretchen,
Quando ainda, cheia de inocência,
Vinham teus passos até este altar,
E, do pequeno livro gasto,
Balbuciavas orações,
Metade brincadeira de criança,
Metade Deus dentro do coração!
Gretchen!
Onde está tua cabeça?
Em teu coração,
Que crime se abriga?
Rezaste pela alma de tua mãe, que
Por tua causa adormeceu para um tormento longo, longo?
Na soleira de tua porta, de quem é o sangue?
E sob teu coração
Já não se move algo, crescendo,
Que te angustia e a si mesmo
Com a ameaça de sua existência?
MARGARIDA.
Ai! Ai!
Se eu pudesse livrar-me dos pensamentos
Que vão e voltam dentro de mim,
Contra mim!
CORO.
Dies irae, dies illa
Solvet saeclum in favilla.
Som do órgão.
ESPÍRITO MAU.
O furor te agarra!
A trombeta ressoa!
Os túmulos estremecem!
E teu coração,
Do repouso das cinzas
Recriado para tormentos em chamas,
Estremece!
MARGARIDA.
Se eu pudesse sair daqui!
Parece que o órgão
Me corta a respiração,
E que o canto dissolve meu coração
No mais profundo de mim.
CORO.
Judex ergo cum sedebit,
Quidquid latet adparebit,
Nil inultum remanebit.
MARGARIDA.
Meu peito se aperta!
Os pilares das paredes
Me aprisionam!
A abóbada
Me esmaga! Ar!
ESPÍRITO MAU.
Esconde-te! Pecado e vergonha
Não ficam escondidos.
Ar? Luz?
Ai de ti!
CORO.
Quid sum miser tunc dicturus?
Quem patronum rogaturus?
Cum vix justus sit securus.
ESPÍRITO MAU.
Os bem-aventurados
Desviam de ti o rosto.
Os puros sentem horror
De estender-te as mãos.
Ai!
CORO.
Quid sum miser tunc dicturus?
MARGARIDA.
Vizinha! Vosso frasco!
Desmaia.