Os donos da pequena casa Branca de Neve e os Sete Anões · Capítulo 6 de 14
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Os donos da pequena casa

Os sete voltaram ao anoitecer, trazendo nas roupas o cheiro de pedra, metal e frio. Antes de abrir a porta, perceberam que algo havia mudado. A fumaça subia de outro jeito, a neve diante da soleira guardava marcas que não eram deles, e o silêncio da casa tinha a delicadeza inquietante de uma presença.

Entraram sem alarde. Eram pequenos, sim, mas nada havia de frágil neles. Tinham mãos de trabalho, olhos acostumados à penumbra da mina e uma desconfiança nascida não de maldade, mas de sobrevivência. Um deles apontou a tigela lavada. Outro viu a cadeira deslocada. O mais velho ergueu a lamparina na direção das camas.

Branca de Neve despertou com sete rostos inclinados sobre ela.

Por um instante, todos se assustaram na mesma medida. Ela sentou-se depressa, procurando palavras que não parecessem roubo, mentira ou nobreza. Disse seu nome. Depois contou menos do que sabia e mais do que conseguia suportar. Falou da rainha, da ordem, da floresta, do caçador que a mandara correr. Quando terminou, a casa inteira pareceu menor, como se o perigo houvesse entrado com ela e se sentado junto ao fogo.

Os sete se entreolharam. Viviam afastados do castelo, mas nenhum trabalhador ignora completamente as crueldades de quem manda. Conheciam a diferença entre boato e verdade pelo modo como uma pessoa treme ao contá-la. Branca de Neve tremia sem tentar convencer.

-- Pode ficar esta noite -- disse o mais velho.

-- E amanhã? -- perguntou ela.

Ninguém respondeu de imediato. O amanhã era sempre mais caro. Dar abrigo por uma noite era bondade; transformar abrigo em compromisso era outra forma de coragem. Ao fim, um deles colocou mais lenha no fogo, outro abriu espaço no armário, outro resmungou que a sopa ficaria melhor se ela não tivesse esperado esfriar.

Assim ficou decidido. Branca de Neve ajudaria no que pudesse. Eles ensinariam as regras da casa: não abrir a porta, não confiar em vendedores perdidos, não achar que a floresta é muda só porque não fala como gente. Ela ouviu tudo com atenção. Pela primeira vez desde a fuga, não se sentiu salva por encanto. Sentiu-se recebida por uma comunidade. E isso, descobriu, podia ser ainda mais raro.

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