O Largo da Se Serafim Ponte Grande · Capítulo 6 de 19
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O Largo da Se

O LARGO DA SE'

Ensaio de apreciação nirvanista pelo Sr. Serafim P onte-Grande-no vo-rico.

0 Largo da Sé agora está se modificando muito. Nem parece o Largo da Sé de dantes. Dantes era menor. Tinha cesas com tectos para fóra e a egreja com uma porção de carros. Naquelles bons tempos a gente ia á missa mas como derru­ baram a egreja e nasceu outra geração que só cuida dos jogos de futebol, e do bicho, ninguém mais vae á misSa. 0 Largo da Sé começou a ficar diferente por causa das Companhias Mutuas e das casas de Bombons que são umas ver­ dadeiras roubalheiras mas que em compensação ahi construiram os primeiros arranha-céos que nem chegam á metade dos últimos arranha-céos que não chegarão decerto á metade dos futuros arranha-céos.

0 Largo da Sé é, sem perigo de contestação, o ponto de con- junoção das ruas 15 de Novembro e Direita que também são, sem perigo de contestação, as principaes de São Pauilo. De modo que as pessoas que querem fazer o celebre triângulo, seja ou por negocios e business ou para o simples e civilizado fo­ oting, passam fatalmente no Largo da Sé.

Quando um extrangeiro saudoso regressa á patria e pro­ cura o Largo do Sé, encontra no lugar a Praça da Sé. Mas é a mesma coisa.

COMPUTO

Efemerides, metempsicose ou transmigração de almas íT!

Serafim como um diamante no dedo da cidade, trepa no canhão que collocou graças aos acontecimentos, sobre a osci­ lante banana do arranha-céo, onde inutiknente se apresenta candidato a edil.

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Ora, a fornicação é deleitavel..,

São Thojnaz de Aquino — De Maio

— art. 9 — ad 7 — q III.

Dinorá a todo cerebro

, ou seja

A extranha mulher do Copacabana Palace

ou seja

A ex-peitudinha do Hotel Fracaroli

ou seja

O mais belo amor de Cascanova.

— Como são finas as tuas meias! — Malha 2360 — São duráveis? — Duram tres, quatro horas. . .

O mar lá fóra urra querendo entrar em Guanabara. — Não. Lindas são as minhas calças. Olha, ninguém tem este recortezinho. . . Mas como estás mudo. . . sem es­ pirito . . . — Commovido porque te conquistei. . . — Não. Não é uma conquista. . . ' r'.' ' — Que é então? — Uma revanchc. . . — De que? — Da vida. 0 telephone estraçalha o silencio. — Allô! Quem é? 0 tintureiro? Faça subil-o! Espere! Não faça não! Recebo-o amanhã ás tres e meia. . .

Lá fóra o mar. O mar sem par. Serafim amanhece. BÜa o envolve^ o laça. E’ uma mãozinha que tem cara, cabelos de recemnascido á la garçonne. — Te esmigalharei como um pequenino insecto. . . — Levada!

Boccas que se beijam como nos melho­ res folhetins do planeta Marte, que se lam­ bem como nos melhores canis. — Não! Fui eu o blefado! Eu que tenho uma tragica

experiencia do amor! Eiu que me acreditava cynico para o resto da vida!

jE” um pijama que dá guinchos, iro­ nias, pinotes. Ella o acompanha de pri­ meira fila.

— Sentir que o coração se comprometteu nesta vasta aven­ tura de très dias! Perguntaste-me se te quero um pouco. Amo-te! Porque és a resposta no vasto dialogo telefônico da vida! Falaste-me em embellezar os dias que passam. Com outra, eu teria rido ás bandeiras despregadas! Mas a tua sim- pleza. . . a tua naturalidade. . . — Barbaro ! — Não! Oh! Porque te prendo na atmosfera que tu mesma creaste. Porque te reduso á menina permanente, cu­ riosa, sentimental que existe em toda mulher!

Lá fóra o mar. De par em par. Ella baixou a cabeça. Perdeu a syntaxe do co­ ração e as calças.

— Nunca julguei que fosses tão forte!

Serafim vae á janella e qual Narciso vê, no espelho dcts aguas, o forte de Copa­ cabana.

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