Serafim Menestrel
SERAFIM MENESTREL
Dona Branca Clara. Oh! Não vos recuseis. Senhora! Peço-lhe apenas um apres-midi de vossa vida. Que é afinal de contas um après- midi? Nos separaremos ao depois. Mas levareis no vosso corpo o orgulho de teres sido amada. 0 orgulho de teres sida amada por um legitimo brasileiro. A senhora sabe que um brasileiro é geralmente differente dos outros.
E além disso por um poeta. Os poetas — já o disse Dante são aspirinas de loucura e de ferro velho! Guardareis no fundo do vosso coração e do vosso sexo a baita lembrança desse après-midi. E’ o que, de joelhos, soluçando, peço-lhe.
E. R. M. De Da Ponte Grande Depois de devidamente sellada no enveloppe com uma estampilha federal de 2$500, e reconhecida a firma, a missiva é entregue ao groom do hotel.
REPUCA
Senhor Não continue! Por quem é! Por alma de sua mãe! Não me faça mandinga! Vossa gentil missiva, poz-me em grave “ peligro” . De- cejo partir, fugir, fazer o golf, jogar petéca, me distrahir, levar a breca! Branca Clara
MADRID
Mulheres fendidas colocam pandeiros nos corações dan- sarinos, com cabelos de peopaias, sob as arvores degoladas no : verao. No espaço das mesas bem toalhadas, mulheres syncopam como bandeiras, como dynamos nos braços esmaltados de São Guido.
Sob as arvores soltas do verão, debaixo dos balões captivos das lanternas. A orquestra mistura falas, altifalantes, serrotes e gaitinhas. Elle a desfolha do fundo dos pampas, em funcção de nos talgias aritméticas. I Ela encheu-lhe os bolsos dos mais caros Sullivan com algodão drogado, dos mais finos Philipp Morris. Quando os foquestrotes mudam da languidez balanceada para pernas de passos longos com uma taboa na cabeça de hemisférios engastados. Serafim segura o hálito de Branca Clara os cabelos de todo o corpo depilado, o ventre que indica o gelo central da terra.
ii
INTERNATIONAL-SUMMER
Nove horas de verão. A tarde provinciana demora a ver se vê os effeitos luminosos. Caçadores de vermelho povoam de fom os a tarde metalica sobre o cabo da torre em luva de Cham- pagne. Do outro (lado, sobre a Torre vertical de Paris uma radiola foquestrota para outros planetas. Emquanto isso, a Torre Eiffel descobre para que foi feita e pisca 0 b-a-bá de Citroen. A lua medalha em prata a Exposição das Artes Decorativas. Anno 25. Século de Serafim ou da Fortuna Mal Adquirida.
CONVOCAÇÃO
N. 13. Tribunal dos Cachorros, 7 de junho. Departamento da Velocidade a pé. O sr. Esparramado, juiz de Instrucção, convida o illmo. Sr. Serafim da Ponte Grande a comparecer ao seu Gabinete no Palacio da Deusa Justiça e outros vehiculos, afim de darem uma prosa a respeito do cachorrinho Pompeque.
GIGOLOTAGEM
No Perroquet vendo-o dansar o visceral charlestão com as porcelanas renovadas por um dentista épatant, já se chucho- tava interrogativamente de grupo a mesa: Quem será esse novo e estranho professor?
MUSICO’ L
A floresta hrasilica e outras florestas. Mulheres fertillizantes conduzem colunas, arquiteturas e hortaliças. Musica, maestro! Materia organica! Corbeilles monumentaes atiram do sétimo céo dos copos !:* brancos ananazes de negras nuas. Periquitos, ursos, onças, avestruzes, a animal animalada. Rosaceas sobre aspargos da platéa. Condimentos. As partes pudendas nos reflectores. Syncopes sapateiam cubismos, des locações. Alterando as geometrias. Tudo se organiza, se junta collective, simultâneo e nuzinho, uma cobra, uma fita, uma guirlanda, uma equação, passos suecos, guinchos argentinos. Serafim, a vida é essa.
PNEUMÁTICO
Um almoço oficial no Ritz com diversos banqueiros e algumas celebridades bomosexuaes impediu-me de vos-tel-a na ponta do fio, a uma hora. Paris está horrivell. Cheio de amas de leite e sem leite, desembarcadas do canal. Do teu Pequenerrimo