Cerebro, Coracao e Pavio Serafim Ponte Grande · Capítulo 10 de 19
Obra Menu

Cerebro, Coracao e Pavio

CEREBRO, CORAÇAO E PAVIO

(Onde havia muitos tigres, Leoens, e todo o outro genero de Alimarias nocivas

Historia Tragico-Maritima.

Um mez após, um homem trajando violentas polainas demi- saison subia calmamente a Avenue des Champs Elyseés em Paris.

Os leitores já terão advinhado que era Serafim Ponte -

Grande.

Sob o elefante pedrez da Etoile, descobriu-se ante a

flama do Sovenir e pela portinhola do Arco em espiral subiu 'ÿ r

setenta e quatro degraus.

Paris ajoelhou a seus pés coberto de lagartixas arborizadas. Elle, então digiriu-lhe este óra viva!

— Fornalha e pecego! Domingo de semi-deusas! Egypto dos faraós! Roma de Garibaldi! Dás dobrado o que as ou­ tras capitais oferecem! Ao menos, dentro de tuas muralhas, se póde trepar socegado!

PERN ’ INO

Saia branca Engomada Das avós brasileiras Repolho de pecados Fabrica de suores Ninho de bebês Onde estás? Em que arca?

Saia de dansarina Das senhoras honestas De meu século Rála Pétala Vaes subindo E deixando ver Nas ruas, nos bars, nos automóveis Os troncos florestaes Onde eu mergulho

Pernas Pra que te quero!

NA ROTONDE

Um garçon apressado lhe serve num copo leite coloidal com chicorea azul, do outro lado do Sena. Ele bolina ime­ diatamente as senhoritas Tzatza, Chipette e Dedê e com ellas passeia e faz confidencias. Tzatzá e o chinez das fourrures. Chipette e o preto dos tapas. Dedê e Serafim dos bons modos. Estamos em Montparnasse.*

‘" I PATINAGEM

Grudam-lhe laminas nas solidas patas e soltam-no como um palhaço para gozo de Dona Lalá. O Palais de Glace funciona na musica.

NOITE DE ESTOPA J

Serafim entre as pernas de uma radiola. 3 horas e 21 minutos nos relogios deitados. Silencio de nozes.

Ela — Como você ronca! Ela — Vou dormir com a cabeça nos pés! Ela — Vou mesmo. . . Ela — Você não ouve? Ela — Melhor é dormir com a cabeça na sua barriga. . . Ela — Você não quer?

Levanta-se. Accende um cigarro. Serafim começa a so­ nhar que está andando a cavalo num campo verde.

DECEPÇÃO D’ AMOR

Nas 24 horas seguintes, e],e tropica numa italiana cinema- tizada do Hotel Lutetia e combina de jantar e suarem juntos. Mas quando ele foi buscal-a num elegante taxi, ela fugira nos abraços de um gigante para o Alcatrão da Noruega.

E’POCA MAQUINISTA

— Major Duna Sabre, ex-ferido da Conflagração! Appa- reço-lhe no meu papel. 0 de vir ao seu luxuoso hotel, offere- cer-lhe, já que está na Cidade-Luz, a ultima invenção dos incen­ diados bolevares! A Mariquinha do Livre Arbitrio! Nem mais nem menos. Funciona como fonola, também como radiola! E como Paris-viril. No segundo centenário de Kant, fui eu que instalei a primeira em Koenigsberg! 0 professor Freud, de Vienna, encommendou-me sete dúzias! Trabálha com pilhas sêccas. No automovel, no autobus, no avião, no watercloset!

Decide as indecisões! Máta na cabeça as abulias! Diverte, remoça, espevita! .Eu acho-me no meu papel. Shopingar a domicilio. . . Serafim paga e põe o vendedor no olho da rua. Depois desenrola a maquina, liga os fios, libera as antennas, recoloca os fusiveis. Depois, deposita-lhe na greta o nome, a edade, o sexo e uma moeda de 200 réis. Depois escuta como uma lam- pada eletrica.

' E’ uma complicação de logarithmos e silvos, um berreiro de Klaxons e diversos buracos de olhos.

— Volta para o regaço de Joanninha, a insone! Essa te ama com os vinte annos de Mistinguete, anonymes e dolori- dos. Todas as noites veste o pijaminho que lhe compraste nas Galeries Laffayette e sóca uma bronha em tua honra!

Serafim entre pundonoroso e encantado pára a imoral.

1/1
Menu

Fazer anotação