Burrada e Paquebot Serafim Ponte Grande · Capítulo 7 de 19
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Burrada e Paquebot

Burrada e paquebot

Na vespera da Pascoela, se tendo abalado em fuga com um figaro de damas Dona Dinorah — o nosso hcroe por sua vez toma bordo e barco a Kerozene e vela no Steam Ship Rompe Nuve, luxuoso e rápido paquete que seu fiel secretario José Ramos Góes Pinto Calçudo pasmara em ver com a fumaça de seus tres apitos, nas folhas e cartazes do Rio de Janeiro. Manobra a nau contra o vento traquete e põe olho Serafim em mulher viuva e moça a palrar com garboso official sobre o outeiro do Pão de Assucar. Pensa d’ ahi em Dorotéa longin- •i qua e com as mãos enclavinhadas no tombadilho, urra vindicta sem sequer ver a paisagem.

Literaturas de bombordo

Na manhã seguinte, tendo-se-lhe dado uns engulhos, eil-o que deita carga ao mar. E sarando percebe a ausência de bi­ bliothecas, pois o paquebot as não possue. Reclama de seu

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secretario José Ramos Góes Pinto Calçudo, na mescla prostituí­ da da segunda-classe, um livro; e este dá-lhe um diccionario de bolso de sua lavra para não confundir nem esquecer as pes­ soas que conhece ou conheceu.

Adelina Cinira — Actriz que amei em silencio. Amélia — Minha ama de leite. Amelinha — Filha da precedente. Arnaldo Bicudo — Celebre pintor de letreiros. Aguiar Nogueira (Dr.) — Medico gordo que me curou de recaída de gonorrhéa. Adauta Bernardelli Schubert — Professora systema Ber­ litz. Ia sempre passar os domingos e dias santos núa no matto, segundo os civilizados costumes da Europa. Arary (D r.). Padrasto de meu amigo de infancia Juquinha B Belmiro — Sujeito que conheço pouco. Birimba — Pirata da Repartição e vendedor de cocaina. Acaba na cadeia. A sua fama entre as moças é porque é ba­ lisa do Sport Club Syrio e nos dias de parada sahe na frente semi-nú, mexendo aquelle negocio. Carlos Florencio — Grande poeta inédito falecido na flor da edade. Claudina Rios — Moça de cara grande que vivia na ja­ nela e acabou freira. Dona Bataclina Benevides — Conheço-a de legenda. Ex- sogra longe do meu presado amigo e chefe Serafim Ponte Grande.

Carlindoga — Exemplo da indignidade humana! Carolina — Casada com seu Thadeu. Eu ás vezes vou lá, dar uma prosa, depois do jantar. Padre Carrão — Sacerdote da religião catholica. Um pouco jesuita. Dr. Carlos Bretas — Deputado do povo!

D

Dorotéa Gomes — Sapo e nuvem. Diva Ismenia — Sonho que embeleza a adolescência tragica do poeta Carlos Florencio. Se tivesse coração, se sui­ cidava. Domiciano Bombeiro — Heroe das chamas!

E

Seu Ephigenio — Marido da Gija.

Filomena — Sujeita amalucada. Mme. Firmina — Estrella de primeira grandeza da Com­ panhia de Operas e Operetas Salvaterra. Pernas dignas de museu!

Dona Guiomar — Senhora importante da sociedade. Co- nheço-a de ouvido.

H

Helena — Filha de Seu Hippolito.

Henriqueta — Irman da precedente. Hippolito — Pae das duas.

I

Ignacio — Preto de pé escarrapachado. Foi empregado do Dr. Quincas.

J

José Ramos Góes Pinto Calçado — Autor deste modesto baedecker anesico. João — Diversos. Justiniano — Creado da Pensão do Gallo, onde passei a residir.

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Kotier — Sabio allemão e massagista. Meu visinho de quarto. Käthe — Baleia que amei uns tempos. Seu Kuk — Allemão que fazia creação de gatos de raça. Faziam troça com o seu homonymo corporal.

Lino — Garganta. Lulú Jangada — “ Arbitus elegansiorum” ! Seu campo de acção é o Triângulo. Dona Lalá — Jovem e carinhosa esposa de meu presado collega e particular amigo Serafim Ponte Grande.

O que lendo o nosso heroe fecha fragorosamente nessa pa­ gina o indice e o atira ás aguas revoltas do oceano exclamando:

— Pinterrimo, tu erraste!

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