Olho do Porco
De como Pinto Calçudo querendo fazer o ‘^Olho do Porco’*
produz um desenho immoral pelo que é de novo posto a ferros.
Logo uma commissão de moças vestidas de azul e branco vem chamar o trefego e popular secretario para a disputa final dos brincos de bordo.
Ele abandona a mesinha do bar, onde jogava dados com o Ultimo Hamlet que por signal anda sempre de botas lustrosas de montar.
E tratando-se de desenhar o ^^Olho do Porco” de cara ven dada, Pinto Calçudo não tarda em produzir no soalho do tom 4 badilho uma piroquinha, razão por que o Capitão apita, o Rompe-Nuve estáca e quatro robustos marinheiros o agarram e trancafiam nas masmorras do porão.
Onde a berruga intercepta um radiogramma em, que se fala
de piratas e do doce alvoroço que isso causa a bordo das cabmas
femininas.
A providencial e horrenda berruga do malogrado secreta rio faz com que não muito se prolongue o seu segundo capti- veiro.
Mais que ninguém, após o sucesso do dueto do Rigoleto, a jovem e apreciada Mariquinhas Navegadeira inquieta-se pela evolução clinica do papiloma que todas as manhãs é estrale- jado de raios na cabina telegráfica sem fios. E consegue um vale do Commandante para acompanhal-o como fiel enfermeira de avental e bidé, piedosamente seguida pelo Ultimo Hamlet. Num lindo occaso, estão todos locupletados de gin, can tando ao ar livre, em redor do piano onde gaiatamente se senta Padre Narciso. Eis quando palida e tremula, entra Mariquinhas Navega deira relatando que Pinto Calçudo recebeu na sua antenna en cefálica um radio annunciando a presença de piratas, tragica nova que circula no Rompe-Nuve, deixando todas as passagei ras geladas de apreensivo e falso horror.
De como Pinto Calçudo por causa do jogo de futebol pro mette cortar um argentino de dito a baixo, com uma afiada na valha de barba que mostra e faz reluzir.
— Pois é 0 que lhe digo. Era uma vez o tal Dom Juanito no primeiro porto nacional em que descermos! Emquanto Pinto Calçudo assim se expande para um par ceiro de pocker chamado Paulino Guedes, o argentino reune um luzido grupo de senhoras e senhoritas no bar e oferta-lbes cocktails, mandando convidar o zangado brasileiro afim de ter minar a briga em risonha tertúlia. Mas Pinto Calçudo dóbra- Ihe duras e indignadas bananas. Muito diversamente, o nosso heroe entregue a nc^bre cogita ções, produz os seguintes versos que passam de mãos em mãos com justos louvores.
P oesia de bordo
A noite desce qual um passaro inclemente. Sobre a gran vasta amplidão. Nem uma canoa no grave horizonte marinho. Só zefiro acaricia.
O crepe-santé da agua quando tudo invade. O mantó da Nostalgia. Numa lurida e doentia Mas agridoce saudade.
Assi a noute cáe Assi a noute vae Estão todos roncando nas cabinas Só vivem e resfolegam Do navio as usinas Co seus vastos pulmões Remexendo os porões
Mas numa beleza pagan Logo resurge a manhã Co seu loiro clarão
Tudo são cantos Tudo são gritos Tudo são mantos De luz e apitos A ’ s vezes. . . do Capitão
Movietone ou
Interpelação de Serafim e definitiva qu{ebra de relações com Pinto Calçudo
Aparecido que foi o frio anunciando o porto de Marse lha, os passageiros do Rompe-Nuve num só gesto pôem luvas, echarpes, sobretudos e agazalhos que fazem a sua aparição com as dobras e os fedores das malas. ,Na noite estrepitosa Serafim passeia para cá e para lá. Chegam-lhe os ruidos da farra de despedida em que a voz nasal de Pinto Calçudo tudo domina, produzindo balburdia e riso. Vendo-o levantar-se tragando um cigarrinho e se dirigir ao W. C. 0 nosso heroe intercepta4lie a marcha e passa-se entre ambos o seguinte dialogo: — Venha c á . . . — Agora não posso. Estou com familias. Mas Serafim insiste; dirige-se atraz dele até o reservado dos homens e grita-lhe:
— Diga-me uma coisa. Quem é neste livro o perso nagem principal? Eu ou você? Pinto Calçudo como unica resposta solta com toda a força um traque, pelo que é imediatamente posto para fóra do 1 .1
romance.
i. fn