Cudelumes Serafim Ponte Grande · Capítulo 14 de 19
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Cudelumes

CUDELUMES

Serafim pisa as escadas subterrâneas da Rue Daunou e encontra no newyorkino zinco do bar que o espera solitário a cabeleira esguia de um jovem artista arquiteto e pintor da Grande Republica Estrellada da America do Norte, o qual admira os alemães pelos seus dons polisexuais. O uranismo entrou em franca decadência. . . — Sim, a promiscuidade---- Perfeitamente, a promiscuidade, como nos povos an­ teriores ao alfabeto. . . Estrelas verticais passam na noite de cantos negros. E sobre o eterno feminino? Adoro as mulheres de Dumas Filho. . .

— E os homens? 1*1*’ — Os de Dumas Pae! Garçon! um gin secco, um side-car e especiarias! Nosso heroe offerece ao joven moço recondução, hotel e vias urinarias.

POR ROSAIS E PAVILHÕES

Branca Clara faz a bocca em canudo e chupa elle até a moleira numa quentura mole, dente no dente. E como se perdem na longinquidade de Fontainebleau, es­ tando a noite repleta de fantasmas no Hotel Gravurado de França e de Inglaterra, Jantam em Comebiche e conseguem um unico quarto d’hotel duvidoso como o Eden. Despiu-se brandamente como uma fada que vae dar um trocadilho. Saiu para trapos de vapores. Banhou-se em banhos da cidade de Colonia. Sdletram o luar sem lua.

Pode ser que não sejas muito elegante de longe na rua. Mas na cama. Oh! Deliras

TARAS

Apezar do sabonete inglez de verbena que aprendeu a cheirar em Deauville, apezar mesmo das cavalgatas synchroni- cas no Bois, como side-car — não admite que os garçons er- gam os guardanapos cahidos durante as risadas empernadas dos jantares.

VITA NUOVA

Mas eis que Branca Clara é um frio soirtido no jantar para­ sol da Pomme d’ Api. Caem na noite e no deserto da noite a mulher apparece no deserto da vida. Como uma vibora mo­ rena no contacto bem tratado da carne. Que serviu de tel-a tida? A despreocupada alure azul de campo de golf em quinto chá, tóca para o Claridge, toca para o Ritz, toca para o Rumfp- pelmeyer. Serafim resolve posar para o busto da humanidade sofre­ dora.

t a x ím e t r o

Quando ele lhe deu um osculo e pegou na coxa de setineta, a pucela Jacquy sussurrou sem bocca: — Oh! Vós me fazeis chorar! : I. Ele então narrou-lhe a proeza nautica de que pescara Joa­ ninha das aguas turbulentas do Sena. E subindo, sob a calça, ligeiramente tocou-lhe o mandorová. Mas ella disse: — Oh! Vós me fazeis corar!

A berlinda passa no kilometro 69. — Morde minha stegomia!

SAUDADES

Entre montanhas quadrilongas, caminhos saem menstrua­ dos á procura do Brasil mas logo parapeitos da minha cidade atropelam torres antiguas que são hotéis modernos e as palmei­ ras são brinquedos da rua das Paílmeiras.

DE PAPAGAIO

Nosso heroe para esquecer busca a Suissa como um relogio por via aerea. Na primeira classe do aerobus encontra o Go­ vernador de cavanhaque da Cochinchina que toma-se seu amigo comentando ambos com ardor o caso duma americana bebeda -de uisque que quebra a vidraça e quer jogar-se lá em baixo como ícaro no que é impedida pelos seus creados. — Não! Caro Senhor da Ponte Grande, mas que educa- sção é essa, a dessas mulheres de hoje? A culpa é da Rússia! Olhe, fui soldado e fui moço e não me lembro de ter tomado uma carraspana dessas! E veja que sáias. Vê-se-lhe tudo! Até os bigodes, com perdão da palavra! A ’ s devassas, meu senhor, a terra não deve a população que tem!

PROPAGANDA

Se Dona Lalá viesse agora de saias pelo joelho, fazer as scenas indignas do começo do volume, nosso heroe a fulminaria repetindo a frase do seu novo amigo, o Governador da Cochin­ china. Não! Mas que educação é esta? Estaremos por acaso na Russia!

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