O Príncipe: Dedicatória O Príncipe: Tradução Literunico · Capítulo 1 de 32
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O Príncipe: Dedicatória

Ao magnífico Lorenzo di Piero de’ Medici

Aqueles que desejam conquistar o favor de um príncipe costumam apresentar-se diante dele com aquilo que possuem de mais precioso, ou com aquilo em que percebem que ele encontra maior prazer. Por isso se veem tantas vezes cavalos, armas, panos de ouro, pedras preciosas e ornamentos semelhantes serem oferecidos aos príncipes, como dons dignos de sua grandeza.

Desejando, portanto, apresentar-me a Vossa Magnificência com algum testemunho de minha devoção, não encontrei entre meus bens nada que eu estime tanto, nem que considere de maior valor, quanto o conhecimento das ações dos grandes homens. Esse conhecimento adquiri por longa experiência nas coisas do meu tempo e por estudo contínuo das antigas. Depois de refletir sobre ele com demorada atenção, envio-o agora a Vossa Magnificência, reunido e ordenado em um pequeno volume.

Embora eu considere esta obra indigna de chegar à vossa presença, confio muito em vossa bondade para que ela seja aceita. Não me é possível oferecer dom melhor que a ocasião de compreender, em pouco tempo, tudo o que aprendi em tantos anos, entre tantos incômodos e perigos. Não adornei este livro com palavras inchadas ou magníficas, nem o enchi de períodos redondos, nem de atrativos ou enfeites exteriores, como tantos costumam fazer com suas obras. Quis que ele recebesse honra apenas da verdade da matéria e do peso do assunto.

Também não concordo com os que julgam presunção que um homem de condição baixa e humilde ouse examinar e ordenar os assuntos dos príncipes. Tal como os que desenham paisagens se colocam embaixo, na planície, para contemplar a natureza dos montes e dos lugares altos, e sobem aos montes para contemplar as planícies, para conhecer bem a natureza dos povos é preciso ser príncipe, e para conhecer a dos príncipes é preciso pertencer ao povo.

Receba, pois, Vossa Magnificência, este pequeno presente no espírito com que o envio. Se o ler e considerar com atenção, verá nele meu desejo extremo de que alcance a grandeza prometida pela fortuna e por vossas demais qualidades. E se Vossa Magnificência, do alto de sua grandeza, voltar às vezes os olhos para estes lugares baixos, verá quanto sofro, sem merecimento, uma grande e contínua severidade da fortuna.

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