#Desafio 053
Ensinas-me a amar?
No exato suspiro do teu sonho,
com a febre ou a brandura
que teus olhos rogam;
seja incêndio ou brisa,
conforme o vento
que teu corpo semeia sem saber.
Acolhes-me em teu colo?
Afasta o medo,
sela minha alma num beijo
e diz que me amas ainda mais
quando eu não mereço
nem o pouso do teu olhar.
Sê tudo, sê nada,
mas não me deixa no meio.
Sê o gesto, o corte,
alma lavada
estendida no varal do tempo,
onde a carne cria raiz
e o desejo, cicatriz.
Já és isso tudo?
Tens razão…
És mesmo:
Tradutor juramentado
das minhas sombras mudas,
das esquinas onde meu coração
se perde só pra lembrar de voltar.
Como não te amar, então?
Se és rio
e também a sede.
Se és abrigo
e também ausência.
Se és gozo e corte,
presença e saudade.
Se, mesmo sem querer,
és o quase que nunca chega,
o sempre que sempre vai,
a falta que nunca passa.
E o abismo para o qual,
louca e feliz,
eu salto.
Sem hesitar…
Crs Ribeiro
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#Desafio 052
NU
Me olhas.
Sorriso afiado nos lábios,
segurança cravada no gesto.
Sabes o que queres,
e tomas.
Teu corpo ordena.
Teus pensamentos?
Açoites.
Você se toca,
só para me torturar.
O tônus do braço me domina:
a firmeza,
o controle,
o fogo contido
na carne que exige.
Decoro teus gestos,
memorizo o ritmo.
Suplico em silêncio.
Te falo indecências,
desenho promessas com a língua.
Provoco,
mas és tu quem dita.
O som do momento me fere,
minha boca seca,
meus sentidos gritam.
Estou molhada:
aumento o ritmo.
Te obedeço.
Me devoras.
O mundo silencia
quando gozas.
Te sigo.
Me desfaço.
Bruto
Sagrado
Meu.
Crs Ribeiro
NU
Me olhas.
Sorriso afiado nos lábios,
segurança cravada no gesto.
Sabes o que queres,
e tomas.
Teu corpo ordena.
Teus pensamentos?
Açoites.
Você se toca,
só para me torturar.
O tônus do braço me domina:
a firmeza,
o controle,
o fogo contido
na carne que exige.
Decoro teus gestos,
memorizo o ritmo.
Suplico em silêncio.
Te falo indecências,
desenho promessas com a língua.
Provoco,
mas és tu quem dita.
O som do momento me fere,
minha boca seca,
meus sentidos gritam.
Estou molhada:
aumento o ritmo.
Te obedeço.
Me devoras.
O mundo silencia
quando gozas.
Te sigo.
Me desfaço.
Bruto
Sagrado
Meu.
Crs Ribeiro
O tema do Livro que apoia o #desafio de hoje é:
51- Fale sobre um livro que você não entendeu ou teve bastante dificuldade para entender.
#Link365TemasLivros
51- Fale sobre um livro que você não entendeu ou teve bastante dificuldade para entender.
#Link365TemasLivros
#Desafio 051
O Amor entre o 5 e o 7
Não se dividem por outros,
mas sabem somar.
Colhem-se inteiros:
rio e margem;
cálculo exato da incerteza.
Dizem que são primos,
sem par…
E o amor se importa com isso?
Não cabe em parentesco,
não preenche formulário.
O amor não se desculpa por ser,
ainda que o mundo exija.
Rótulos, fórmulas, razão:
“Por que não simplificam?”
Mas amor não é cálculo,
não resolve lacunas.
É erro bonito que vira solução.
Perfeitos? Nunca foram.
Quem, de fato, quer ser?
O amor é sobra, é caco, é sorte.
É partir e voltar
sempre ao mesmo sinal.
E se alguém pergunta
se a união faz sentido,
respondem num riso,
desafiando a lógica:
“O amor é primo…
E primo é para sempre.”
Crs Ribeiro
O Amor entre o 5 e o 7
Não se dividem por outros,
mas sabem somar.
Colhem-se inteiros:
rio e margem;
cálculo exato da incerteza.
Dizem que são primos,
sem par…
E o amor se importa com isso?
Não cabe em parentesco,
não preenche formulário.
O amor não se desculpa por ser,
ainda que o mundo exija.
Rótulos, fórmulas, razão:
“Por que não simplificam?”
Mas amor não é cálculo,
não resolve lacunas.
É erro bonito que vira solução.
Perfeitos? Nunca foram.
Quem, de fato, quer ser?
O amor é sobra, é caco, é sorte.
É partir e voltar
sempre ao mesmo sinal.
E se alguém pergunta
se a união faz sentido,
respondem num riso,
desafiando a lógica:
“O amor é primo…
E primo é para sempre.”
Crs Ribeiro
O encantamento e a profundidade de @eliz_leao. Lindeza que fala?
Declamação: setembro de 2024
Declamação: setembro de 2024
Um dos meus poemas preferidos dele.
Toda a grandeza de @Albertobusquets!
Declamação em setembro de 2024
Toda a grandeza de @Albertobusquets!
Declamação em setembro de 2024
#Desafio 050
Despedida
Oco.
Vazio.
Um sopro. Frio.
Quase nada.
Um arrepio.
Uma lâmina na pele do dia.
Queria tudo,
queria mais.
Mas foste sombra,
eco,
vão…
Nem um olhar,
nem um adeus:
Partiste.
Rasgo no vento.
E eu?
Fiquei aqui.
No dentro do dentro.
No nunca.
Na fome de ti.
Crs Ribeiro
Despedida
Oco.
Vazio.
Um sopro. Frio.
Quase nada.
Um arrepio.
Uma lâmina na pele do dia.
Queria tudo,
queria mais.
Mas foste sombra,
eco,
vão…
Nem um olhar,
nem um adeus:
Partiste.
Rasgo no vento.
E eu?
Fiquei aqui.
No dentro do dentro.
No nunca.
Na fome de ti.
Crs Ribeiro
#Desafio 049
Amor Psicodélico
Desaprende os mapas
desenlaça os fios da lógica
caminha torto
de pés descalços
na contramão do tempo.
Vento sem dono
tremor sem cura
arde em surto:
sol desobediente
na palma da mão.
Chove cor no peito
faz o coração dançar
sem música
sem chão
sem medo…
É dor que ri
loucura que brilha
vaga-lume bêbado de lua.
Deus menor
deslembrado de si
errante, errando
inventando morada.
Bate, explode
entre a carne e o cosmos
no exato lugar
onde se rasga e se refaz.
Pobre mente fria
atada a normas
engavetando explicações…
O amor é bicho faminto:
morde, lambe, fere, sara.
É sopro profano
saliva em cio
um grito preso
que escapa pelos furos
pelas frestas
pela imensidão.
Ou talvez nem escape.
Só fique ali,
respirando,
esperando fazer sentido.
Crs Ribeiro
Amor Psicodélico
Desaprende os mapas
desenlaça os fios da lógica
caminha torto
de pés descalços
na contramão do tempo.
Vento sem dono
tremor sem cura
arde em surto:
sol desobediente
na palma da mão.
Chove cor no peito
faz o coração dançar
sem música
sem chão
sem medo…
É dor que ri
loucura que brilha
vaga-lume bêbado de lua.
Deus menor
deslembrado de si
errante, errando
inventando morada.
Bate, explode
entre a carne e o cosmos
no exato lugar
onde se rasga e se refaz.
Pobre mente fria
atada a normas
engavetando explicações…
O amor é bicho faminto:
morde, lambe, fere, sara.
É sopro profano
saliva em cio
um grito preso
que escapa pelos furos
pelas frestas
pela imensidão.
Ou talvez nem escape.
Só fique ali,
respirando,
esperando fazer sentido.
Crs Ribeiro
#Desafio 048
Fila do Pão
O cheiro dourado
passeia no ar,
quadro recém-pintado
por mãos invisíveis do dia.
O sol na vitrine
realça o vidro.
A fome brilha
entre o querer e o nada.
Na fila, cores e vidas:
olhos de café,
bocas de goiaba,
mãos de trigo,
sonhos de açúcar
e muito suor.
Eu,
entre paciências e risadas,
espero.
O pão ainda não veio,
mas o vazio
já pediu a senha.
Fecho os olhos,
pinto na mente o teu rosto.
Mordo tua ausência
antes mesmo do pão,
antes mesmo de saber
se haverá café
para me consolar.
Crs Ribeiro
Fila do Pão
O cheiro dourado
passeia no ar,
quadro recém-pintado
por mãos invisíveis do dia.
O sol na vitrine
realça o vidro.
A fome brilha
entre o querer e o nada.
Na fila, cores e vidas:
olhos de café,
bocas de goiaba,
mãos de trigo,
sonhos de açúcar
e muito suor.
Eu,
entre paciências e risadas,
espero.
O pão ainda não veio,
mas o vazio
já pediu a senha.
Fecho os olhos,
pinto na mente o teu rosto.
Mordo tua ausência
antes mesmo do pão,
antes mesmo de saber
se haverá café
para me consolar.
Crs Ribeiro
#Desafio 047
Leve
Sinto-me assim:
barco de papel
sobre lago sem pressa,
valsando ao compor do vento.
O sol me toca,
arde a pele:
lume suave,
incêndio manso…
jeito terno de amar
(amar a mim).
Anos a me perder de ser,
sepultei minha alma
em avalanches de culpa.
Metamorfose:
cansei de me sufocar.
Hoje sou leal a mim.
Fui raiz,
cravada na espera:
imóvel, funda, sem alarde.
Agora sou pólen.
E voo.
E voo...
E voo,
até onde o sonho me chamar.
Crs Ribeiro.
Leve
Sinto-me assim:
barco de papel
sobre lago sem pressa,
valsando ao compor do vento.
O sol me toca,
arde a pele:
lume suave,
incêndio manso…
jeito terno de amar
(amar a mim).
Anos a me perder de ser,
sepultei minha alma
em avalanches de culpa.
Metamorfose:
cansei de me sufocar.
Hoje sou leal a mim.
Fui raiz,
cravada na espera:
imóvel, funda, sem alarde.
Agora sou pólen.
E voo.
E voo...
E voo,
até onde o sonho me chamar.
Crs Ribeiro.