#Desafio 123
Jaz
Já é jaz,
mas
jaz com pulso.
finge-luto,
veste-susto,
dribla-cruz,
engana-lápide.
viva no escuro:
olhos de farol quebrado,
unhas sujas de amanhã,
veias batucando segredo
que ninguém traduz.
cuspe de relâmpago.
o fígado,
em braile,
escreve epitáfios
de bocas
que o grito
perdeu.
o verbo na carne
acende cigarro
em vela gasta,
risca poema erótico
nas pétalas mortas
da flor de plástico
que adorna
a coroa.
jaz que não jaz;
é pausa.
descanso com dentes.
um coração
mastigando reza,
um útero
cuspindo silêncio
em brasa.
tem jaz
que não deita.
tem jaz
que range.
que rosna.
que morde
com a lembrança
presa na garganta,
com cicatriz
feita a ferro
nas paredes
da costela.
e sangra.
Crs Ribeiro
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#Desafio 122
Se acaso me perco,
é no teu corpo que me acho.
Cada investida
(ousadia sagrada)
acende a fome do inacabado.
Tuas carícias dissolvem
medos e abismos.
Nos teus beijos:
duas mentes febris,
em fusão, em simbiose.
Tuas mãos
(altar do meu culto)
guiam as minhas
ao teu sexo:
impávido,
teso,
cobiça de todos os meus lábios.
Dançamos
(saliva e suspiros)
num compasso suado de delírio.
Gozo concupiscente
de amor real.
Mas há ternura no torpor,
e verdade em cada gemido.
Sem regras. Sem grades.
Carnal. Espiritual.
Um êxtase que liberta
ao invés de prender.
Crs Ribeiro
***Revisado
Se acaso me perco,
é no teu corpo que me acho.
Cada investida
(ousadia sagrada)
acende a fome do inacabado.
Tuas carícias dissolvem
medos e abismos.
Nos teus beijos:
duas mentes febris,
em fusão, em simbiose.
Tuas mãos
(altar do meu culto)
guiam as minhas
ao teu sexo:
impávido,
teso,
cobiça de todos os meus lábios.
Dançamos
(saliva e suspiros)
num compasso suado de delírio.
Gozo concupiscente
de amor real.
Mas há ternura no torpor,
e verdade em cada gemido.
Sem regras. Sem grades.
Carnal. Espiritual.
Um êxtase que liberta
ao invés de prender.
Crs Ribeiro
***Revisado
#Desafio 121
Amor Âncora
Me ataste sem nó.
Ainda assim,
fiquei.
Não por prisão;
por ternura.
Não por querer,
mas por medo
de não saber voltar.
Presa para não sumir.
Presa demais para seguir.
Meu casco rangia distância.
Sonhava correntes selvagens,
ventos com nomes
que não eram o teu.
Há chamados
que não se negam.
Não fugi de ti.
Só precisei
voltar para mim.
Sou mar que ama o cais,
mas não pertence.
Feita de travessias,
trago a alma
em estado líquido.
Livre por urgência,
sou voo que se lança
mesmo sem céu.
Há quem nasça farol,
eu nasci tempestade.
E ainda permaneço.
Com âncora no peito
e a bússola apontando
para o norte
que arde em mim
feito estrela
que nunca dorme.
Crs Ribeiro
Amor Âncora
Me ataste sem nó.
Ainda assim,
fiquei.
Não por prisão;
por ternura.
Não por querer,
mas por medo
de não saber voltar.
Presa para não sumir.
Presa demais para seguir.
Meu casco rangia distância.
Sonhava correntes selvagens,
ventos com nomes
que não eram o teu.
Há chamados
que não se negam.
Não fugi de ti.
Só precisei
voltar para mim.
Sou mar que ama o cais,
mas não pertence.
Feita de travessias,
trago a alma
em estado líquido.
Livre por urgência,
sou voo que se lança
mesmo sem céu.
Há quem nasça farol,
eu nasci tempestade.
E ainda permaneço.
Com âncora no peito
e a bússola apontando
para o norte
que arde em mim
feito estrela
que nunca dorme.
Crs Ribeiro
#Desafio 119
Cinco Marias
Pedrinhas dançam no ar,
pequenas luas de quintal.
Saquinhos cheios de lembrar,
soprando infância no final.
Maria no vento lançada.
Maria no susto,
encantada.
Maria que escapa ligeira.
Maria que some na beira:
do vão,
da rua,
da vida inteira.
Tocar
sem deixar cair.
Apanhar
sem hesitar.
Cair,
sem doer demais:
é o que se aprende no ar
sem ninguém
nunca ensinar.
O chão vira céu
(por um triz).
A mão vira sopro
feliz.
O olho
espera,
feito janela
de primavera.
É dança.
É jogo.
É risco.
É sonho
num traço arisco.
Cinco pedras…
e o tempo
brincando no contratempo,
jogando
de ser poesia.
E se a pedra
despenca,
não é perda,
é sentença
do chão
sussurrando baixinho:
“Menina,
recomeça o caminho.
A vida é jogo,
é errar
com carinho.”
Porque,
para ser inteira,
de fato,
tem que perder
um pedaço.
Deixar ir…
sem alarde.
Fruta da vez
(tão madura)
que cai
quando
já é tarde.
Crs Ribeiro
Cinco Marias
Pedrinhas dançam no ar,
pequenas luas de quintal.
Saquinhos cheios de lembrar,
soprando infância no final.
Maria no vento lançada.
Maria no susto,
encantada.
Maria que escapa ligeira.
Maria que some na beira:
do vão,
da rua,
da vida inteira.
Tocar
sem deixar cair.
Apanhar
sem hesitar.
Cair,
sem doer demais:
é o que se aprende no ar
sem ninguém
nunca ensinar.
O chão vira céu
(por um triz).
A mão vira sopro
feliz.
O olho
espera,
feito janela
de primavera.
É dança.
É jogo.
É risco.
É sonho
num traço arisco.
Cinco pedras…
e o tempo
brincando no contratempo,
jogando
de ser poesia.
E se a pedra
despenca,
não é perda,
é sentença
do chão
sussurrando baixinho:
“Menina,
recomeça o caminho.
A vida é jogo,
é errar
com carinho.”
Porque,
para ser inteira,
de fato,
tem que perder
um pedaço.
Deixar ir…
sem alarde.
Fruta da vez
(tão madura)
que cai
quando
já é tarde.
Crs Ribeiro
#Desafio 120
Para “Quartar” com gosto de:
# ☯️輦
Benzem,
tocam,
pecam;
acalmam.
Mãos que inflamam,
que tremem
ao limite da febre.
Tua carícia,
meu elixir:
o sopro
que me arranca do vazio.
Mãos que deslizam,
exploram,
prendem
atadas
na urgência do instante.
Atrevidas,
invasivas,
digitais
que decifram,
mapeiam;
se perdem
e encontram
o prazer.
Meu toque,
teu toque:
um desabrochar lento,
um mergulho
sem volta
no gozo.
Um querer
sem fim.
Um querer
só meu.
Selvagem.
Sem controle.
Ai de mim!
Entregue,
à mercê
da palma
da tua mão.
“Ais” de nós!
Que deixam eco,
deixam silêncio
e o vão imenso
das ausências…
Crs Ribeiro
Para “Quartar” com gosto de:
# ☯️輦
Benzem,
tocam,
pecam;
acalmam.
Mãos que inflamam,
que tremem
ao limite da febre.
Tua carícia,
meu elixir:
o sopro
que me arranca do vazio.
Mãos que deslizam,
exploram,
prendem
atadas
na urgência do instante.
Atrevidas,
invasivas,
digitais
que decifram,
mapeiam;
se perdem
e encontram
o prazer.
Meu toque,
teu toque:
um desabrochar lento,
um mergulho
sem volta
no gozo.
Um querer
sem fim.
Um querer
só meu.
Selvagem.
Sem controle.
Ai de mim!
Entregue,
à mercê
da palma
da tua mão.
“Ais” de nós!
Que deixam eco,
deixam silêncio
e o vão imenso
das ausências…
Crs Ribeiro
#Desafio 118
Solstício dos Corpos
■ ■ ■ ■ ■
Em meio às noites profundas
de crepúsculo infinito:
uma ausência doída,
um colo que se oferece.
Picos de luz rompem o frio,
rasgam a sombra estendida;
fim do solstício sofrido,
do inverno sem sentido.
No entrelaçar dos opostos,
a tênue linha do equilíbrio:
luminosidade harmônica
em polos que se convergem,
vivendo estações de um amor
que não se cansa de ser.
Dois meses. Três. Seis.
O verão anunciado se aproxima,
trazendo em si o calor
de um desejo indomável:
a transição definitiva,
o realinhamento dos corpos
no espaço-tempo comum
onde explode o sentimento.
Par de almas destinadas,
em urgência aflita,
caem de joelhos
sem rogar perdão.
Clamam por comunhão.
Crs Ribeiro
Solstício dos Corpos
■ ■ ■ ■ ■
Em meio às noites profundas
de crepúsculo infinito:
uma ausência doída,
um colo que se oferece.
Picos de luz rompem o frio,
rasgam a sombra estendida;
fim do solstício sofrido,
do inverno sem sentido.
No entrelaçar dos opostos,
a tênue linha do equilíbrio:
luminosidade harmônica
em polos que se convergem,
vivendo estações de um amor
que não se cansa de ser.
Dois meses. Três. Seis.
O verão anunciado se aproxima,
trazendo em si o calor
de um desejo indomável:
a transição definitiva,
o realinhamento dos corpos
no espaço-tempo comum
onde explode o sentimento.
Par de almas destinadas,
em urgência aflita,
caem de joelhos
sem rogar perdão.
Clamam por comunhão.
Crs Ribeiro
#Desafio 117
Danço contigo
sem pressa,
sem passo delineado,
a liberdade do corpo é nossa única lei.
Somos dois
e, ao mesmo tempo,
somos um,
no horizonte que não limita,
no porto que é sempre o mesmo
refeito em cada toque
em cada olhar.
Crescemos sem medir,
sem contar.
Somos pedaços
e somos inteiros;
não pelo que possuímos,
mas pelo que ousamos explorar.
O amor é constelação,
brilha porque a gente vê,
porque a gente se vê
e se deixa ver.
Não precisa de mais nada,
só a voraz entrega.
A confiança é corda,
uma rede que nos prende
e também liberta.
Não quer explicações:
quer a alma, a carne, o instante.
Quer agora.
Crs Ribeiro
Danço contigo
sem pressa,
sem passo delineado,
a liberdade do corpo é nossa única lei.
Somos dois
e, ao mesmo tempo,
somos um,
no horizonte que não limita,
no porto que é sempre o mesmo
refeito em cada toque
em cada olhar.
Crescemos sem medir,
sem contar.
Somos pedaços
e somos inteiros;
não pelo que possuímos,
mas pelo que ousamos explorar.
O amor é constelação,
brilha porque a gente vê,
porque a gente se vê
e se deixa ver.
Não precisa de mais nada,
só a voraz entrega.
A confiança é corda,
uma rede que nos prende
e também liberta.
Não quer explicações:
quer a alma, a carne, o instante.
Quer agora.
Crs Ribeiro
A despedida que ninguém quer na vida.
Tivemos risos, alegria, comemoração de uma vida que se iniciará. Hoje vimos momentos alegres. Uma família linda, trazendo outra vidinha, que será o motivo de mais risos e felicidade.
Mas meu coração transborda, mesmo na felicidade de vê-los felizes, de alegria mas também na tristeza pela constatação dura, que se avizinha.
Alguém que não se sente mais bem, que já cansou de estar entre nós.
Que pede descanso e que a deixem ir. Chega de sofrimento e dores.
Ela já lutou todas as suas batalhas.
Mas ela segurou minhas mãos ao aprender os primeiros passos na vida.
Acolheu meus choros, nem sempre com tanta paciência, pois foi ensinada a calar e não a acolher.
Ontem segurei sua pequena mão. Que foi para mim há muitos anos, motivo de alegria, choros... E eu sinto tanto a falta dela, pois sei que ela já se retira aos poucos.
Sua mente, já não se lembra de muito.
É duro começar a se despedir de alguém que ainda vive.
Eu queria ainda, aquela mulher forte que andava pra onde fosse, quando tinha vontade. A minha companheira de caminhada.
Tenho tanto do que ela me ensinou em mim.
Só sinto muito por ela sofrer tanto assim. A vida poderia ser mais suave. Guardaria meu coração no bolso, pra que ela não sofresse mais.
E agora no findar do dia, eu choro, pois talvez não terei seus olhos verdes/mel a me fitar um dia.
Eliz Leão
Tivemos risos, alegria, comemoração de uma vida que se iniciará. Hoje vimos momentos alegres. Uma família linda, trazendo outra vidinha, que será o motivo de mais risos e felicidade.
Mas meu coração transborda, mesmo na felicidade de vê-los felizes, de alegria mas também na tristeza pela constatação dura, que se avizinha.
Alguém que não se sente mais bem, que já cansou de estar entre nós.
Que pede descanso e que a deixem ir. Chega de sofrimento e dores.
Ela já lutou todas as suas batalhas.
Mas ela segurou minhas mãos ao aprender os primeiros passos na vida.
Acolheu meus choros, nem sempre com tanta paciência, pois foi ensinada a calar e não a acolher.
Ontem segurei sua pequena mão. Que foi para mim há muitos anos, motivo de alegria, choros... E eu sinto tanto a falta dela, pois sei que ela já se retira aos poucos.
Sua mente, já não se lembra de muito.
É duro começar a se despedir de alguém que ainda vive.
Eu queria ainda, aquela mulher forte que andava pra onde fosse, quando tinha vontade. A minha companheira de caminhada.
Tenho tanto do que ela me ensinou em mim.
Só sinto muito por ela sofrer tanto assim. A vida poderia ser mais suave. Guardaria meu coração no bolso, pra que ela não sofresse mais.
E agora no findar do dia, eu choro, pois talvez não terei seus olhos verdes/mel a me fitar um dia.
Eliz Leão
#Desafio 116
Doido, doído, moído
alma triturada
palavras presas, enjauladas.
Espremido, entalado
pedra na garganta:
enlutado.
Por demais esperado…
O fim:
um drama de corações feridos
por tudo o que não foi
por tudo que se perdeu.
Quem será o culpado?
Pergunta medíocre
que late
desnecessária.
Não coaduna com vidas
que explodiram como estrelas cadentes
que se consumiram no vazio da noite.
Ainda resta
um abraço profundo de gratidão
a mão estendida
a dor domada
a temida amizade.
E, enfim:
“Siga bem!”
P.S.: Te amo. Mesmo assim.
Doido, doído, moído
alma triturada
palavras presas, enjauladas.
Espremido, entalado
pedra na garganta:
enlutado.
Por demais esperado…
O fim:
um drama de corações feridos
por tudo o que não foi
por tudo que se perdeu.
Quem será o culpado?
Pergunta medíocre
que late
desnecessária.
Não coaduna com vidas
que explodiram como estrelas cadentes
que se consumiram no vazio da noite.
Ainda resta
um abraço profundo de gratidão
a mão estendida
a dor domada
a temida amizade.
E, enfim:
“Siga bem!”
P.S.: Te amo. Mesmo assim.
#Desafio 114 de
365 dias de ⛵️力
Entre Mentes: Bicho e Verso.
Bicho esperto
bicho do mundo:
tundra
floresta
deserto
montanha
onde o silêncio dança com o vento
e a solidão é só mais uma forma
de liberdade.
Ela
raposa de olhos atentos
sina de errância
mora em si
mas sabe partir
inteira
altiva
se recolher
sem se render.
Não permite a doma
é feita do selvagem:
faro de alma
fareja o que pulsa
o que vibra
o que dói bonito.
E foi ali
na curva de uma noite cheia
cheia de folhas
de luas
de vontades
que o poeta
surgiu
perdido num quase-suspiro
vagando entre páginas soltas
e noites sem fim
castelos de papel nos olhos
delírio de amor nos dedos.
Ele falava com as estrelas
e escrevia com as entranhas
amava como quem reza
bebia palavras como vinho forte
e chorava beleza.
Ela o olhou
e viu o mundo escorrendo pelos olhos dele.
Ele a leu
como um poema esquecido no bolso:
amassado
verdadeiro
inesperadamente necessário.
Entre um “oi, moço”
e um “virei tua fã”
nasceu o improvável:
o enlace nu entre duas fomes.
Corpos pagãos
mentes em chamas
um alfabeto novo
inventado na pele.
Excesso se amando
falta se acolhendo
promessas sussurradas
entre dentes
devota mente
devotamente.
Porque o poeta
ah
o poeta também era bicho;
raposa do verbo
selvagem da metáfora
caçador de belezas tortas.
E quando a escreveu
não foi com tinta
foi com saliva
com calor
com espasmo.
Ele a fez casa.
Ela o fez rito.
Um no outro
foram altar
e oferenda.
E ele levou pra si
o que nem sabia querer:
o corpo
a alma
a paixão dela inteira.
Assim,
no tempo em que a Terra
dança em volta do Sol seduzindo
ela gira dentro dele:
cativa
e livre
casta
e nua
tua
tão tua
e só tua.
Crs Ribeiro
365 dias de ⛵️力
Entre Mentes: Bicho e Verso.
Bicho esperto
bicho do mundo:
tundra
floresta
deserto
montanha
onde o silêncio dança com o vento
e a solidão é só mais uma forma
de liberdade.
Ela
raposa de olhos atentos
sina de errância
mora em si
mas sabe partir
inteira
altiva
se recolher
sem se render.
Não permite a doma
é feita do selvagem:
faro de alma
fareja o que pulsa
o que vibra
o que dói bonito.
E foi ali
na curva de uma noite cheia
cheia de folhas
de luas
de vontades
que o poeta
surgiu
perdido num quase-suspiro
vagando entre páginas soltas
e noites sem fim
castelos de papel nos olhos
delírio de amor nos dedos.
Ele falava com as estrelas
e escrevia com as entranhas
amava como quem reza
bebia palavras como vinho forte
e chorava beleza.
Ela o olhou
e viu o mundo escorrendo pelos olhos dele.
Ele a leu
como um poema esquecido no bolso:
amassado
verdadeiro
inesperadamente necessário.
Entre um “oi, moço”
e um “virei tua fã”
nasceu o improvável:
o enlace nu entre duas fomes.
Corpos pagãos
mentes em chamas
um alfabeto novo
inventado na pele.
Excesso se amando
falta se acolhendo
promessas sussurradas
entre dentes
devota mente
devotamente.
Porque o poeta
ah
o poeta também era bicho;
raposa do verbo
selvagem da metáfora
caçador de belezas tortas.
E quando a escreveu
não foi com tinta
foi com saliva
com calor
com espasmo.
Ele a fez casa.
Ela o fez rito.
Um no outro
foram altar
e oferenda.
E ele levou pra si
o que nem sabia querer:
o corpo
a alma
a paixão dela inteira.
Assim,
no tempo em que a Terra
dança em volta do Sol seduzindo
ela gira dentro dele:
cativa
e livre
casta
e nua
tua
tão tua
e só tua.
Crs Ribeiro