#Desafio 087
Entre Sol e Sal
Imenso, azul, espumante
ansioso por engolir.
Fulgurante, ardente, impiedoso
devorador de pele e sombras.
Amantes vorazes!
E ela, ali, na areia
voyeur à espreita do casal libertino.
Seria justo assistir sem arder?
Os olhos denunciam:
febre, ânsia, entrega.
Os pés afundam,
o corpo cede.
Um mergulho lascivo
arrepiando a pele.
Ali se dissolve…
Nas investidas impetuosas das ondas
nas carícias atrevidas da brisa
no domínio implacável do sol.
Esquece-se de que não se dobra.
Abre-se inteira
não quer ser poupada.
Gotas desprendem dos cabelos
serpenteiam pelo pescoço
cirandam o seio teso
descem famintas ao umbigo
despedem-se
onde deveriam fazer-se de línguas.
E então vem:
sem toque
sem trégua
sem perdão.
Um sismo intenso, cruel, redentor.
O gozo escorre salgado.
O riso explode trôpego.
A alma, descalça
caminha vitoriosa
exibe seu êxtase
sobre as águas.
Crs Ribeiro
***Revisado
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#Desafio 086
Os olhos,
mais que os lábios,
falam no silêncio:
sussurram o que a boca
não ousa dizer.
O sorriso na foto,
cheio de promessas,
não se sustenta,
despenca
quando os olhos
não são fiéis.
Guardiões do além,
contam histórias
sem começo ou fim.
Revelam segredos
que a língua teme tocar,
ainda que a gente tente calar.
São delatores sem voz,
X-9s da alma,
cagoetes da essência.
Entregam o que somos,
sem piedade, sem fuga.
E o preço disso?
A verdade, meus caros,
desnuda e crua,
como o chão sob nossos pés.
Sem adornos,
Sem ilusões.
Crs Ribeiro
***Revisado
Os olhos,
mais que os lábios,
falam no silêncio:
sussurram o que a boca
não ousa dizer.
O sorriso na foto,
cheio de promessas,
não se sustenta,
despenca
quando os olhos
não são fiéis.
Guardiões do além,
contam histórias
sem começo ou fim.
Revelam segredos
que a língua teme tocar,
ainda que a gente tente calar.
São delatores sem voz,
X-9s da alma,
cagoetes da essência.
Entregam o que somos,
sem piedade, sem fuga.
E o preço disso?
A verdade, meus caros,
desnuda e crua,
como o chão sob nossos pés.
Sem adornos,
Sem ilusões.
Crs Ribeiro
***Revisado
#Desafio 085
Inimigo à Meia Luz
Um rosto partido
no vidro trincado da alma.
Sombra muda
voraz por calcanhares incautos.
Serpente de olhos abertos
nunca dorme, nunca cega
nunca cede.
Vigia.
Vigia.
Vigia.
Cruel, impassível.
E eu danço
à beira do erro
na estação do último trem
que não vem.
Esmaga.
Sufoca.
Sangra.
Obriga-me a voar mais alto.
É pedra que ensina
a raiz a resistir.
No espelho embaçado
um vulto que não se apaga.
Sou eu? Ou sou outra?
Ele ri.
Já sabe o meu nome.
E, ai de mim!
Sei bem
quem ele
é.
Crs Ribeiro
Inimigo à Meia Luz
Um rosto partido
no vidro trincado da alma.
Sombra muda
voraz por calcanhares incautos.
Serpente de olhos abertos
nunca dorme, nunca cega
nunca cede.
Vigia.
Vigia.
Vigia.
Cruel, impassível.
E eu danço
à beira do erro
na estação do último trem
que não vem.
Esmaga.
Sufoca.
Sangra.
Obriga-me a voar mais alto.
É pedra que ensina
a raiz a resistir.
No espelho embaçado
um vulto que não se apaga.
Sou eu? Ou sou outra?
Ele ri.
Já sabe o meu nome.
E, ai de mim!
Sei bem
quem ele
é.
Crs Ribeiro
#Desafio 084
O Riso do Equilibrista
Fez da vertigem morada,
aprendeu a flutuar
no fio do nada.
Já não teme
o vaivém da corda,
é ele quem sopra o compasso.
A altura já não assusta,
é partitura
dos seus passos.
O vento, que antes empurrava,
agora lambe sua pele e sussurra:
Vai.
Beijou o chão mil vezes,
sentiu na língua
o áspero da queda:
mil bocas de pedra,
mil dentes de aço.
O tropeço virou impulso,
o risco,
vício doce.
E a queda, ah, a queda!
É só um riso,
desengonçado,
do tempo
pairando
no ar.
Crs Ribeiro
O Riso do Equilibrista
Fez da vertigem morada,
aprendeu a flutuar
no fio do nada.
Já não teme
o vaivém da corda,
é ele quem sopra o compasso.
A altura já não assusta,
é partitura
dos seus passos.
O vento, que antes empurrava,
agora lambe sua pele e sussurra:
Vai.
Beijou o chão mil vezes,
sentiu na língua
o áspero da queda:
mil bocas de pedra,
mil dentes de aço.
O tropeço virou impulso,
o risco,
vício doce.
E a queda, ah, a queda!
É só um riso,
desengonçado,
do tempo
pairando
no ar.
Crs Ribeiro
#Desafio 083
A mão que afaga
pode, sem querer,
brandir a adaga.
Não por maldade,
mas por desejo esquivo
que pulsa no gesto
mesmo quando tenta amar.
O toque que embala
abre a pele sem som:
sangra sem aviso,
dói na surpresa.
Antes de empurrar,
meça bem o abismo!
Pode ser que teus pés
já tenham tocado o fundo.
A mágoa é faca torta:
fere quem sente,
e, sem querer,
dilacera quem a fez nascer.
Um eco profundo,
que à origem retorna.
Sem perdão.
Crs Ribeiro
A mão que afaga
pode, sem querer,
brandir a adaga.
Não por maldade,
mas por desejo esquivo
que pulsa no gesto
mesmo quando tenta amar.
O toque que embala
abre a pele sem som:
sangra sem aviso,
dói na surpresa.
Antes de empurrar,
meça bem o abismo!
Pode ser que teus pés
já tenham tocado o fundo.
A mágoa é faca torta:
fere quem sente,
e, sem querer,
dilacera quem a fez nascer.
Um eco profundo,
que à origem retorna.
Sem perdão.
Crs Ribeiro
#Desafio 082
Esgotamento
Não ter forças
e, ainda assim, ir.
Tantos caminhos…
nenhum clamando teu nome.
O cansaço não manda recado.
Chega. Toma. Pesa.
Desfaz teu tempo,
tua pressa,
tua fé.
Te cala.
Te curva.
Te some.
E no vácuo de quem já foi demais,
fica só o eco:
para onde, agora?
Crs Ribeiro
Esgotamento
Não ter forças
e, ainda assim, ir.
Tantos caminhos…
nenhum clamando teu nome.
O cansaço não manda recado.
Chega. Toma. Pesa.
Desfaz teu tempo,
tua pressa,
tua fé.
Te cala.
Te curva.
Te some.
E no vácuo de quem já foi demais,
fica só o eco:
para onde, agora?
Crs Ribeiro
#Desafio 081
Itacaré
Fui riso aberto,
alma acesa,
verdade sem freio.
E depois?
Quebrei ao meio,
deixei o recheio,
fui fome de mim.
Agora, marés.
Agora, vento.
Me desfaço,
me refaço,
não mais me reparto.
Me reinvento.
Crs Ribeiro
Itacaré
Fui riso aberto,
alma acesa,
verdade sem freio.
E depois?
Quebrei ao meio,
deixei o recheio,
fui fome de mim.
Agora, marés.
Agora, vento.
Me desfaço,
me refaço,
não mais me reparto.
Me reinvento.
Crs Ribeiro
Em uma série dedicada à imensidão azul, ao mar que abraça e transborda, não poderia faltar o poeta que navega, como poucos, pelos sentimentos mais profundos e impetuosos.
Com todo carinho, dedico este momento ao meu grande amigo @Albertobusquets e a todos vocês que apreciam a beleza das palavras. Como presente, compartilho um fragmento do seu talento: um sopro de poesia para embalar a alma.
Aproveitem!
Com todo carinho, dedico este momento ao meu grande amigo @Albertobusquets e a todos vocês que apreciam a beleza das palavras. Como presente, compartilho um fragmento do seu talento: um sopro de poesia para embalar a alma.
Aproveitem!
#Desafio 078
Cabia na minha palma
aquela mãozinha quente,
um lume inocente
um quase nada de gente.
“É té!”
e o dedo cortava o ar.
Olhos de estrela:
curiosos, urgentes,
querendo tudo
sem saber o nome.
Pulava de alegria
por um punhado de nada:
tampinha, rolha, papel…
ninharias de um mundo
num sem preço de céu.
Sorria de boca nua,
e meu bobo coração
se vestia de amor.
E era tanto,
tão vasto,
tão sem jeito…
Que fiz relicário no peito
e, sem hesitar,
só o ofertei a você.
Crs Ribeiro
Cabia na minha palma
aquela mãozinha quente,
um lume inocente
um quase nada de gente.
“É té!”
e o dedo cortava o ar.
Olhos de estrela:
curiosos, urgentes,
querendo tudo
sem saber o nome.
Pulava de alegria
por um punhado de nada:
tampinha, rolha, papel…
ninharias de um mundo
num sem preço de céu.
Sorria de boca nua,
e meu bobo coração
se vestia de amor.
E era tanto,
tão vasto,
tão sem jeito…
Que fiz relicário no peito
e, sem hesitar,
só o ofertei a você.
Crs Ribeiro
É uma honra declamar os versos de uma poetisa de alma e arte tão lindas. Este poema dá voz a tantas mulheres, a seus silêncios e suas dores, e poder interpretá-lo foi uma experiência muito emocionante. Ainda mais por fazê-lo em um lugar especial para você, que representa união e, espero, a eterna capacidade de renascer. Com todo carinho, amiga. Amo você!