#Desafio 108
O Poeta Se Toca
Assisto
tua solidão
se despir.
Respiro tua febre
entre versos
e telas.
O punho,
cúmplice da lascívia
e da métrica,
não escreve:
faz gozar estrofes
no silêncio do quarto.
Tua mão sobe,
desce,
declama no escuro
um poema suado
que só teu corpo
decifra.
Teus olhos se fecham,
afundam
nas próprias palavras.
Os gemidos?
Metáforas
que me atravessam.
Teu gozo?
Um ponto final
sem pudor.
E eu aqui,
vestida de olhos,
clandestina.
Entre venezianas
e vontades,
testemunho a arte
nascendo
em jatos.
Sem papel,
ela escorre
e se recolhe,
escrevendo
no íntimo
do ventre:
tocado,
alucinado,
possesso
dedos ansiosos
que me embriagam
e me leem inteira
úmida,
entregue
ao gozo
que invade
e grava
teu nome
com fogo
no cerne de mim.
Crs Ribeiro
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Eder B. Jr.
#Desafio 107
Coração Solto
Levo nada.
Trarei tudo?
Meus pés?
Bússolas bêbadas.
Meu coração?
Cão sem coleira.
Não quero certezas.
Quero estradas que mudam de nome,
encontros de uma estação;
o silêncio
que só existe
fora de casa.
O medo?
Chora no armário.
A culpa?
Dormiu no passado.
Hoje, sou filha do vento:
não me desculpo por danos.
Se eu tropeçar,
que seja em poesia.
Se me perder,
que seja de mim,
pra me achar melhor.
Viajar
desobedecer a rotina,
romper a cela do costume
de vestido novo
e alma nua.
E eu vou.
A Roda gira,
eu danço.
Temperança me guia
com mãos leves
e olhos no Enamorado.
E o Louco…
O Louco segura minha mão
e com a outra
afaga as estrelas.
Crs Ribeiro
Coração Solto
Levo nada.
Trarei tudo?
Meus pés?
Bússolas bêbadas.
Meu coração?
Cão sem coleira.
Não quero certezas.
Quero estradas que mudam de nome,
encontros de uma estação;
o silêncio
que só existe
fora de casa.
O medo?
Chora no armário.
A culpa?
Dormiu no passado.
Hoje, sou filha do vento:
não me desculpo por danos.
Se eu tropeçar,
que seja em poesia.
Se me perder,
que seja de mim,
pra me achar melhor.
Viajar
desobedecer a rotina,
romper a cela do costume
de vestido novo
e alma nua.
E eu vou.
A Roda gira,
eu danço.
Temperança me guia
com mãos leves
e olhos no Enamorado.
E o Louco…
O Louco segura minha mão
e com a outra
afaga as estrelas.
Crs Ribeiro
#Desafio 106
Na tela
na dela
ao alcance?
Trancada
sentinela
jogada
descabelada
na cama
uma fada:
safada
sem nada
rainha
sem coroa
cilada
feriado
na pele
taça cheia
riso profundo
sem relógio
sem culpa
só o silêncio
ecoando dentro
bem tirado
só ela
centelha
solta
nua
sem coleira
sem limites
alma vestida
de brilho
e cicatriz
de quem goza
sem pressa
as próprias descobertas
dona de si:
Feliz.
Crs Ribeiro
Na tela
na dela
ao alcance?
Trancada
sentinela
jogada
descabelada
na cama
uma fada:
safada
sem nada
rainha
sem coroa
cilada
feriado
na pele
taça cheia
riso profundo
sem relógio
sem culpa
só o silêncio
ecoando dentro
bem tirado
só ela
centelha
solta
nua
sem coleira
sem limites
alma vestida
de brilho
e cicatriz
de quem goza
sem pressa
as próprias descobertas
dona de si:
Feliz.
Crs Ribeiro
#Desafio 106
*Foram devaneios*
Parece que, quanto
Mais perto do “enfim”,
Mais cedo o “fim” se apressa.
O que nos resta?
Nada.
Não resta mais nada
Neste plano, nesta vida.
Ficou um engano engasgado,
O câncer no peito alastrado,
A revolta carcomendo a calma,
A voz que diz, mas não fala…
A dúvida do que haverá
De ter acontecido?!
Apesar de, no fundo,
Já saber do perigo.
Descuido desprevenido
De haver pertencido,
Ter sido mais que um querer,
Um sonho não acontecido,
Não vivido,
Não medido,
Não merecido,
E que agora, nunca irá acontecer.
Não era pra ser.
Vou entender como um devaneio
de pensamentos intrusivos…
É só o que pôde ser…
Nada mais!
MarU
*Foram devaneios*
Parece que, quanto
Mais perto do “enfim”,
Mais cedo o “fim” se apressa.
O que nos resta?
Nada.
Não resta mais nada
Neste plano, nesta vida.
Ficou um engano engasgado,
O câncer no peito alastrado,
A revolta carcomendo a calma,
A voz que diz, mas não fala…
A dúvida do que haverá
De ter acontecido?!
Apesar de, no fundo,
Já saber do perigo.
Descuido desprevenido
De haver pertencido,
Ter sido mais que um querer,
Um sonho não acontecido,
Não vivido,
Não medido,
Não merecido,
E que agora, nunca irá acontecer.
Não era pra ser.
Vou entender como um devaneio
de pensamentos intrusivos…
É só o que pôde ser…
Nada mais!
MarU
#Desafio 105
Epitáfio do Amor que não Queimou
Silêncio.
O amor está sendo velado.
Tenham respeito,
era um nobre sentimento.
Tão honrado,
não ousou desejá-la como merecia.
Tão terno,
não a queimou como deveria.
Tão respeitoso,
não a tocou como carecia.
Como verso vazio,
matou a poesia.
Afogou-se no mar da rotina.
Ainda tentou se salvar, é verdade.
Mas era tarde.
Sem bote.
Sem sorte.
Sem tempo.
Um último suspiro.
A luz se apagou.
O coração, não mais…
Ore por sua alma.
Mas, por favor,
não sinta saudade.
Ele já perecia.
Que um sonho novo se faça
das cinzas que espalho agora.
O solo ainda pulsa,
fértil,
fecundo
a toda afeição
desse mundo.
Crs Ribeiro
Epitáfio do Amor que não Queimou
Silêncio.
O amor está sendo velado.
Tenham respeito,
era um nobre sentimento.
Tão honrado,
não ousou desejá-la como merecia.
Tão terno,
não a queimou como deveria.
Tão respeitoso,
não a tocou como carecia.
Como verso vazio,
matou a poesia.
Afogou-se no mar da rotina.
Ainda tentou se salvar, é verdade.
Mas era tarde.
Sem bote.
Sem sorte.
Sem tempo.
Um último suspiro.
A luz se apagou.
O coração, não mais…
Ore por sua alma.
Mas, por favor,
não sinta saudade.
Ele já perecia.
Que um sonho novo se faça
das cinzas que espalho agora.
O solo ainda pulsa,
fértil,
fecundo
a toda afeição
desse mundo.
Crs Ribeiro
#Desafio 105
*Te des (Escrever)*
Como escrever sem você,
Se meu texto te chama,
E a tinta da caneta se inflama,
Querendo te descrever?
Como será que vai ser,
Sem a plenitude da palavra aberta,
E escrever-te poemas ardentes,
Sabendo que lembrarás nossas conversas?
Como poderei não desviar a ponta dileta,
Deslizando-a na curva do meu sorriso,
Rasgando, propositalmente ao seu viso, a palavra incerta,
Em alto tom de paixão que te dedico?
Como me farei poeta,
Sem aquele que me desperta a poesia?
Deixarei de te escrever, serei de palavra vazia,
Uma promessa, na imensidão, que jurei manter.
Como honrarei minha palavra,
Se, em plena consciência ativa,
No papel, a palavra me escapa
E se rasga, me abrindo pra você?
Como resistir à tentação de te escrever,
Se nos encontrarmos nas entrelinhas
Dos meus poemas é o que nos dá prazer?
Se sei que lê o que omito,
De você não me escondo ou minto,
Mas serei obrigada a esquecer.
Como poderei… Mesmo sabendo
Que você não mais me lê,
Que já não lembra dos nossos planos…
Quanto engano, entregar meu coração a você.
MarU
*Te des (Escrever)*
Como escrever sem você,
Se meu texto te chama,
E a tinta da caneta se inflama,
Querendo te descrever?
Como será que vai ser,
Sem a plenitude da palavra aberta,
E escrever-te poemas ardentes,
Sabendo que lembrarás nossas conversas?
Como poderei não desviar a ponta dileta,
Deslizando-a na curva do meu sorriso,
Rasgando, propositalmente ao seu viso, a palavra incerta,
Em alto tom de paixão que te dedico?
Como me farei poeta,
Sem aquele que me desperta a poesia?
Deixarei de te escrever, serei de palavra vazia,
Uma promessa, na imensidão, que jurei manter.
Como honrarei minha palavra,
Se, em plena consciência ativa,
No papel, a palavra me escapa
E se rasga, me abrindo pra você?
Como resistir à tentação de te escrever,
Se nos encontrarmos nas entrelinhas
Dos meus poemas é o que nos dá prazer?
Se sei que lê o que omito,
De você não me escondo ou minto,
Mas serei obrigada a esquecer.
Como poderei… Mesmo sabendo
Que você não mais me lê,
Que já não lembra dos nossos planos…
Quanto engano, entregar meu coração a você.
MarU
#Desafio 104
Foi ontem…
13 de abril. Dia do beijo.
Beijo.
Estalado, molhado, colado.
Na boca, na nuca, no susto.
De mãe, de filho, de amante (quero!).
No roubo, na oferta, arriscado…
Beijo que diz: fica.
Beijo que grita: vai.
Com pressa, com língua, ou vontade.
Eu beijo.
Porque falar é fácil.
Beijar, meu bem, é arte.
Crs Ribeiro
Foi ontem…
13 de abril. Dia do beijo.
Beijo.
Estalado, molhado, colado.
Na boca, na nuca, no susto.
De mãe, de filho, de amante (quero!).
No roubo, na oferta, arriscado…
Beijo que diz: fica.
Beijo que grita: vai.
Com pressa, com língua, ou vontade.
Eu beijo.
Porque falar é fácil.
Beijar, meu bem, é arte.
Crs Ribeiro
#Desafio 103
“Do Lado de Dentro do Grito”
Um conto para quem já quis sumir, se reinventar, se despir — de roupas, culpas e funções.
Sobre carne, dor, prazer e renascimento.
Curto. Cru. Quente.
Te convido a ler,
a gritar (ou a gemer) comigo.
Espero que te atravesse.
“Do Lado de Dentro do Grito”
Um conto para quem já quis sumir, se reinventar, se despir — de roupas, culpas e funções.
Sobre carne, dor, prazer e renascimento.
Curto. Cru. Quente.
Te convido a ler,
a gritar (ou a gemer) comigo.
Espero que te atravesse.
#Desafio 102
E se, de repente
tudo
se alinhasse?
E a estrada, ainda enevoada
te trouxesse sorrindo
devagar
pro lado de cá
de mim?
Se o trem
parasse de trepidar
e corresse sereno:
leve
livre
pelos trilhos
(en)fim?
E a paz
toda perspicaz
descobrisse
o caminho certo
de morar
em mim?
Eu sorriria
contente
dispensando lógica
toda displicente…
Amar
e ser amada
sem travas,
sem travessias.
Acordada
sonharia
que esse amor
abrasante
forte
fundo:
sol depois da tempestade
nunca,
nunca
jamais
tivesse fim.
Crs Ribeiro
E se, de repente
tudo
se alinhasse?
E a estrada, ainda enevoada
te trouxesse sorrindo
devagar
pro lado de cá
de mim?
Se o trem
parasse de trepidar
e corresse sereno:
leve
livre
pelos trilhos
(en)fim?
E a paz
toda perspicaz
descobrisse
o caminho certo
de morar
em mim?
Eu sorriria
contente
dispensando lógica
toda displicente…
Amar
e ser amada
sem travas,
sem travessias.
Acordada
sonharia
que esse amor
abrasante
forte
fundo:
sol depois da tempestade
nunca,
nunca
jamais
tivesse fim.
Crs Ribeiro
#Desafio 101
Nenhum querer é maior:
amanheço em ti
E é tua boca desejada
que me dá “bom dia!”
Tua língua, desassossegada
que me banha a pele
Teus dedos curiosos
que prazer me levam
em tantos toques indecentes
que me cerram os dentes
teu roçar, insistente
não sai da minha mente:
num compasso alucinado
que explode a gente
E te dou, sem resistir
o dia inteiro…
para me engolir.
Crs Ribeiro
Nenhum querer é maior:
amanheço em ti
E é tua boca desejada
que me dá “bom dia!”
Tua língua, desassossegada
que me banha a pele
Teus dedos curiosos
que prazer me levam
em tantos toques indecentes
que me cerram os dentes
teu roçar, insistente
não sai da minha mente:
num compasso alucinado
que explode a gente
E te dou, sem resistir
o dia inteiro…
para me engolir.
Crs Ribeiro