Pedido Inspirações do Claustro · Capítulo 5 de 38
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Não é verdade que possa-se bem escrever, quando se sofre. CHATEAUBRIAND. Belo jovem, tu vagueias Por campinas de esmeralda. Adormentas sobre as flores O doce amor que te escalda. Ainda o céu te aparece Vasta abobada de anil. A teus olhos não há nuvem, Nem furacão, nem fuzil. Inda levantas os olhos Á tua estrela feliz, Lês cada noite em seus raios Mil esperanças gentis. Depois das visões ditosas De teu dourado dormir, Acordas falando amores Com prazenteiro sorrir. Ao ardor meridiano Ouvem-te ainda cantar. Não vês a mágoa estampada Na face crepuscular. Pela escada da ventura Sobes cad'hora um degrau, Tua existência mimosa É um contínuo sarau. Belo jovem, — no teu peito Não tocou a mão da dor. Teu espírito inocente Pode bem pensar de amor. Belo jovem, — só tu podes Co'os sentimentos na mão, Falar palavras ardentes, Labaredas de paixão. Eu que tenho lutado contra a vida, Bebido noutro cálice de dores, Jovem! — não posso meditar doçuras, Cantar ternos amores. Eu que nunca senti nos olhos dalma O traspassar dos olhos da donzela, Jovem! — não posso te pintar ardores Que não senti por ela. E se eu quisera, disfarçando angustias, Cantar suave a tua bela Armia, Jovem! — de todos eu teria em paga Um riso de ironia.

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