O apóstata
CANÇÃO DO CATÓLICO Não sentes por sobre a face, Como um raio inopinado, Esse anátema sagrado, Essa férrea excomunhão? Não sentes a espada nua De Roma no teu semblante, De Roma, — eterno gigante, Sustendo infernos na mão? Ah! triste, perjuro infame, Que esqueces esse legado, Santa herança do passado, Santa crença de Jesus! Que a negras voragens desces, E julgas que ao céu te elevas! Que por turbilhões de trevas Trocas um reino de luz! Ah! triste, que te abismaste Num precipício insondável Com esse orgulho execrável Que Lusbel inspira aos seus! Que duas vezes perdeste Esse domínio sagrado, Paraíso resgatado Co'o sangue puro de Deus! Ah! triste, que espedaçaste, Com sacrilégio altanado, O juramento prestado Junto à fonte batismal! Co'o perjúrio que fizeste, Tu, infante estremecido, Cravaste um punhal buído No coração paternal! Ah! triste, que te desgarras, De queda em queda passando, Como do monte rolando Costuma a pedrinha vir. Ah! onde, cristão perjuro, Parará teu baque infindo? Ou irás sempre caindo De um em outro nadir? Ah! triste, que insano clamas, Com teus sofismas cruentos, Que de livres pensamentos Precisa o espírito teu! E com Lutero te abraças, Tu, apóstata ignorante, Na convicção protestante, Prelúdio certo do ateu! Vai, apóstata, perjuro, Com esse raio gravado, Esse anátema sagrado, Essa férrea excomunhão! Não sentes a espada nua De Roma no teu semblante, De Roma, — eterno gigante, Sustendo infernos na mão?