Saudação Inspirações do Claustro · Capítulo 26 de 38
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Saudação

AO NATALÍCIO DO MEU AMIGO OLYMPIO MÁXIMO CHAVES O mundo antigo está às garras com o moderno. LACORDAIRE. I Quebrai a lousa impura que vos fecha, Fantasmas do passado. Surgi da cinza, oh séculos de outrora, Ouvi, ouvi meu brado. Deixai na campa esse sudário imundo, Essa toga da morte. Tomai da vida, do prazer, das galas O sobranceiro porte. Vinde saudar a obra que sonhara Vosso espírito ardente. Vinde baixar a frente respeitosa Ao século presente. Co'os olhos longos ao porvir que vemos Nobre tortor sofrestes. E os louros imortais que não cingistes, Olhai aqui, — são estes. Novos Batistas, na soidão clamastes, Clamastes na cidade. E a vosso brado os cárdines, rangindo, Soaram — Liberdade! Honrosa luta, sublimado anelo Foi toda a vossa vida. Mas não entrastes, ai! Moisés modernos, Na terra prometida. Assistiu-vos cruel o desespero À ultima extorsão. Destes ainda o derradeiro espiro Nas mãos da escravidão. Não pudestes pisar o brônzeo colo De déspotas colossos. Mas armas de outra tempera forjastes Para os vindouros vossos. Esse fantasma atroz — vestido a crimes, Seu nome... Assolação, — Caiu depois de vós, — e livre assoma Do Cristo a redenção. Ressuscitai: vosso ideal sublime Venceu, triunfa agora. E o semblante dos déspotas que restam Aterra-se, descora... II Este século ditoso Resume os bens do passado. Bebe a seiva dos arbustos Que mil campinas têm dado. Tem a ciência dos tempos Junta com outro ideal, Como um tope variado De um jardim universal. Tem um futuro mimoso Visão de felicidade. Tem dois verbos encarnados — O Progresso e a Liberdade. III E foi, Olympio, um século tão grande Que te deu o Senhor. Deu-te com ele um coração altivo, Cheio de pátrio amor. Deu-te a vida num século de vida, De luz e de verdade. Deu-te a missão de atleta denodado Da santa Liberdade. Encheu-te o coração de amor da pátria No mais subido excesso. Encheu-te o coração das simpatias Dos crentes do Progresso Assim teu peito inteiro apenas basta Para tão grande Nume. Ali não cabe mais. Tudo o que sobra Extingue-se em seu lume. Mas se acaso em seus íntimos refolhos Um vácuo ainda existe, Grava-lhe ali co'a pátria o pobre nome Do trovador tão triste. O trovador também ama o progresso, Respeita o pátrio amor. Se não queimasse-lhe esta chama o peito, Não fora trovador.

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