O Jesuíta Inspirações do Claustro · Capítulo 8 de 38
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O Jesuíta

(século XVIII) Deus é que dirige estas coisas: ele permite que existam imperadores e al­gozes para que haja santos e mártires: ele eleva os impérios para que haja lágrimas, castiga para regenerar. LACORDAIRE. Era longe — bem longe: e eu vim primeiro Cindindo as ondas desse mar profundo. E por amor da Cruz vaguei sozinho Nas ínvias matas desse novo mundo. O tamoio gentil hervava as setas, Quando pelos vergéis, tão seus, me via: E co'os olhos fosfóricos ardendo A taquara fatal a mim tendia. E tendia a taquara, —mas ao ver-me Quão sem temor e quão inerme estava, Trocando em doce o seu olhar fogoso, O arco e a seta pelo chão rojava. De mim as tribos bárbaras, indômitas, De mim o verbo do evangelho ouviram. E ergui a cruz nos píncaros dos montes, E após o verbo os povos me seguiram! Eu disse às tribos: — Todas vós sois ricas, — Que o ouro e a prata o solo vosso esmalta. Sois ricas tribos, — mas não sois felizes, Porque uma crença de um só Deus vos falta. E eu dei às tribos uma crença doce, Qual uma chuva de maná celeste: E as tribos foram desde então felizes, Qual flor pomposa que os jardins reveste. E quando os reis da terra se esqueceram Das tribos dadas a seu cetro forte, Eu levantei-me, e disse aos reis da terra, — O povo geme: transmudai-lhe a sorte.— Eternos templos eu ergui sozinho, Eternos como a duração da terra. E sozinho sagrei altares tantos Ao Deus que aos ímpios c'o trovão aterra. Eu dei às tribos uma crença doce, Eu levantei alcáceres eternos. Deram-me os homens prescrição e morte, Deram-me em premio as fezes dos infernos.

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