Preces da Infancia Suspiros Poéticos e Saudades · Capítulo 10 de 57
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Preces da Infancia

VIII.

PRECES DA INFANCIA.

Vós me vedes, Deos Eterno,Como eu sou tão pequenina;Minha alma é inda innocente,Tão pura como a bonina.

Debeis como minhas vozesSão inda meus pensamentos;Do mundo nada conheço,Nem prazeres, nem tormentos.

Qual tenro botão de rosaQue á sombra da rosa cresce,Sem temer o vento, e a chuva,De um frouxo raio se aquece;

Mas pouco a pouco crescendo,Desabrocha, e cheiro exhala,Orna o prado que a sustenta,E da roseira é a gala.

Assim eu filhinha tenra,A meus pais devo esta vida;A seu lado elles me educam,Por elles serei querida.

Hoje innocente me chamam!Oh, como é bella a innocencia!É a virtude dos Anjos,É das virgens a sciencia.

Vós, oh Deos, que podeis tudo,Concedei-me por piedadeQue este aroma da innocenciaMe acompanhe em toda idade.

Oh meu Deos, dai á minha almaPuro e sancto pensamento,Como o perfume do templo,Que sóbe ao vosso aposento.

Dai a meus pais longa vida,E áquelles que á minha infanciaPrestam soccorros continuosCom tanto amor e constancia.

Que felizes, que ditososPor vós, oh Deos, protegidos,Passem seus dias, seus annosComo astros, sem ser sentidos.

Vigorai minha fraquezaCo’ a vossa sabedoria.Oh Deos, ouvi minhas preces,Escutai-me neste dia.

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