As Saudades - A Suissa Suspiros Poéticos e Saudades · Capítulo 54 de 57
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As Saudades - A Suissa

Tal como o caçador afadigado,

Depois de em vão correr ingratos montes,

Se alfim vê belo pássaro que pousa

Sobre um tronco do bosque,

Alegre e duvidoso a arma prepara;

E quando cuida já que é presa sua,

Manso o vê que se escapa, e que desliza

Nos leves ares co'as talhantes plumas,

Triste, desesperado à casa volta:

Ou como terno amante, que de longe

O bem-amado avista, passeando

No jardim de seus pais; contente investe,

Já em doces idéias engolfado;

E quando perto chega,

E cuida ir desfrutar gratos momentos,

Ela modesta e temerosa, os olhos

Brandamente volvendo, se retira,

E o malfadado deixa

Entregue à dor, carpindo-se saudoso;

Assim eu, oh belíssima Suíça,

Vi teus montes, teus bosques de pinheiros,

Teus campos férteis co'o suor dos homens;

Vi teu lago tranqüilo, onde se espelha

De cima desse trono de alabastro,

O sol, mal que amanhece faiscante.

Assim jovem guerreiro de ouro armado,

No polido pavês atento se olha,

E contempla seu garbo, antes que saia

A discorrer os campos, coruscante.

Vi a tua cidade de Genebra,

Tão linda como o lírio junto d'água,

Tão graciosa como pura virgem,

Que a roca empunha, e que meneia o fuso.

Vi-te, e meu coração portas abria

Ao prazer fugitivo,

Que mais ligeiro corre que o teu Ródano.

Alma alegria a mente me orvalhava,

Tão seca de pesares;

E a saudade da Pátria que me punge,

Como que adormecida, menos dura,

A farpa descansava.

Esquecido de mim, do meu destino,

Começava a gozar-te; — e já me foges!

Mas se tu de meus olhos disapareces,

Desenhada na mente a imagem tua,

Jamais consentirei que se esvaeça.

Oh Suíça, oh Genebra, oh país livre!

Culta Cítia da Europa, solo honrado

Pelos Euler, Rousseau, Haller, e Géssner,

Recebe inda este adeus de um estrangeiro;

E praza ao céu que o último não seja,

Que a ti volte, e te veja uma, e mais vezes.

Genebra, 11 de outubro de 1834

Notas do autor

↑ O Monte Branco.

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