As Saudades - No Album de um Joven Amigo Suspiros Poéticos e Saudades · Capítulo 52 de 57
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As Saudades - No Album de um Joven Amigo

Amigo, eu parto, e deixo-te saudoso.

Pois que sempre tua alma bem formada

Minhas vozes ouviu, vozes sinceras;

Pois que sempre os conselhos da experiência

Com prazer escutaste,

Inda que às vezes duros;

No momento do adeus recebe, atende

Esta, de amor, não lisonjeira prova.

É qual sereno rio a mocidade,

Que as imagens retrata, e não conhece

O bem, e o mal, e as ilusões do mundo:

É como verde, flácida vergôntea,

Que a forma toma que o cultor lhe imprime,

E boa, ou má, não mais depois se muda.

Quem, como tu, da Pátria longe vive,

Longe dos paternais, úteis ditames,

Assaz tem que lutar, se à glória aspira.

Filósofos não faltam que te instruam;

Mas da vida, nas páginas de um livro,

Não se aprende a ciência.

Estuda, sim estuda, mas pratica

Dignas ações de ti; e eu te asseguro,

Pois que a Natura te protege, e inspira,

Qu'inda um dia serás brilhante estrela

Entre os astros que a Pátria nossa adornam.

A Deus praza que a Pátria não iludas,

E os votos de teus pais, e dos amigos.

A todo o instante que este livro abrires,

Lendo estes versos, dize: hei um amigo.

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