No album de uma Veneziana
XXX.
NO ALBUM DE UMA VENEZIANA.
Bem quizera, oh bella virgem,Hoje extrahir de meu peitoAlgum suave perfume,Em signal do meu respeito.
Quizera na minha lyraCadenciar algum hymno,Com que louvasse os encantosDesse teu rosto divino.
Mas temo, temo que o peito,De gemer já fatigado,Em vez de cantar, exhaleUm suspiro magoado.
Ah! temo, temo, acredita,Que a minha funebre lyra,Em vez de entoar um hymno.Só triste nenia desfira.
Ah! tu cuidas, bella virgem,Que é feliz todo o vivente?Inda estás no albor da vida,Tens uma alma inda innocente.
Não; tu me vês peregrino,Errando de terra em terra;Mas, oh virgem, tu não sabesQue dôr o meu peito encerra.
Maio, Veneza, 1835.