Capítulo XX A Filha do Cabinda · Capítulo 21 de 21
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Capítulo XX

CONCLUSÃO

Três mezes depois o altar havia santificado o mutuo amor de Luiz e Magdalena.

O ninho de Jorge de Macedo abrigava mais uma ave; o bondoso capitalista, tinha, agora, em vez de uma filha, dous filhos queridos.

Era duplamente feliz.

Luiz tomára sobre si todo o pezo e toda a responsabilidade dos negocios do honrado negociante, para que este descançasse, e desempenhava-se de tal modo de seus encargos, que nada havia porque merecesse uma censura.

Magdalena era feliz e muito feliz.

Ainda hoje, os dous esposos, se reunem em cada tarde no caramanchão de maracujás do lago da chácara, no Botafogo, e ahi passam horas e horas, enlevados nas dulcissimas venturas da sua vida, que tem mais do céu do que da terra.

Há alli um novo Eden.

Americo saiu do Rio de Janeiro no dia immediato áquelle em que foi forçado a desafivelar a mascara com que pretendia encobrir a sua ambição; naquele em que foi expulso da casa do homem a quem devia muito, e ninguem mais o viu ou deu noticias dele.

Corria muito vagamente que andava desgraçadissimo na America do Norte, dizendo-se que fugira para lá.

Não sei. Talvez.

O cabinda, coitado, morreu de velhice, exalando o ultimo alento nos braços de Jorge, de Luiz e de Magdalena, que lhe cercavam o leito e o não desampararam nos dias de enfermidade.

Lembrou-se, no momento extremo, da sua parceira e dos filhos queridos, a quem, dizia, se ia juntar, mas desprendeu a alma do involucro terrestre, beijando risonho, como o justo que antevê o céu, as mãos dos seus três amigos, e dizendo como que em signal de agradecimento, pelo modo distincto e humanitario com que sempre foi tratado:

— Bem haja, meu senhor! O negro lá ha-de dizer à sua senhora que o branco fez o que prometteu. Tratou bem o negro e fez feliz a Filha do Cabinda.

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