Conclusão Carlota Ângela · Capítulo 20 de 20
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Conclusão

Cinco anos depois, vivia ainda no mosteiro de S. Martinho de Tibães frei Francisco da Soledade.

Os leitores de mais rija e invulnerável organização admiram-se de que tal homem pudesse viver tanto.

A mim custar-me-ia também a crê-lo, se mo não fizessem acreditar pela data da lousa que vi na claustra daquele mosteiro, com os meus próprios olhos.

Viveu cinco anos para purificar-se e fazer-se digno da esposa que o esperava no céu.

Quereis saber a purificação qual foi?

Norberto de Meirelles e sua mulher, quando a filha expirava, luctavam com as extremas perseguições da fortuna infausta.

Meses depois, estavam pobres, pobres até à indigência.

Frei Francisco chamou estes infelizes para a vizinhança do mosteiro, e dava-lhes três partes do seu pão. A comunidade, quando conheceu tamanha virtude, repartia também do seu por eles. A mãe de Carlota expirou nos braços do monge, o velho sobreviveu-lhe um ano, e expirou quinze dias antes de frei Francisco.

Francisco Salter saiu deste mundo, quando já não tinha a quem perdoar em nome de Carlota Ângela.

Vêde-me do céu a mim, e a todos os infelizes, almas bemaventuradas!

Não foi a minha imaginação que vos criou! Logo que eu me senti sofrer em vós, a vossa passagem na terra deixou vestígios.

FIM.

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