Ideia: Literatura, Inteligência Artificial e o Preconceito do Travessão
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O VELHO IPÊ AMARELO
No alto da velha árvore, o ipê brilha à luz do sol.
De repente, uma folha se solta.
Gira pelo ar, lentamente.
Rodopia.
Sussurra nos ouvidos do vento.
Desce, deslizando… em silêncio.
Quase toca o chão, mas cai na vasilha de margarina
onde os pássaros e o cão bebem.
Outra folha cai.
Treme, hesita,
curva-se,
rola leve.
Seu desespero pelo novo é ouvido apenas pelo vento,
que a acaricia.
Ela beija a relva úmida.
Mais uma se desprende.
Brilhando ao sol, dourada.
Essa, o vento guarda.
Como quem busca perdão.
A folha voa,
roda,
gira,
e então encosta no musgo.
E outra, ainda.
Velha, mas também nova.
Cai lentamente,
saboreando cada instante.
Se curva.
Em silêncio.
Descansa no chão entre tantas outras.
O ipê as observa.
Nu.
Mas ainda resplandece.
Mais uma missão cumprida:
as folhas caídas, ouro espalhado,
felicidade que o tempo jamais levará.
Da esquina, surge um menino,
o mesmo da capa amarela, saltitando.
Pisoteia as folhas secas.
Elas voam,
rodopiam,
tremem,
e parecem rir com ele.
Sua mãe o observa,
não tão longe.
O vento brinca em seus cabelos.
As folhas giram,
cintilam,
abraçam a capa amarela
e o menino, radiante.
A mãe, com o sorriso no rosto,
retira do bolso um objeto azul.
Brilha. Estranho. Fascinante.
Ela sorri para o menino,
encantada.
E ele sorri de volta.
E parece que ela captura esse sorriso
no estranho objeto.
Ao fim, as folhas dançam entre os pés dele,
entre o sol e o musgo.
O ipê, nu, resplandece ainda.
O instante é ouro.
O instante é voo.
O instante escorrega entre os dedos.
Rafael Araújo
Sei que nunca vai me olhar
como o dono do seu sonho.
Nem tampouco me amar,
como ama o tal estranho.
Vivo em conto encantado,
que sozinho imaginei.
Nele, ao fim, de seu lado,
feliz para sempre fiquei.
Eu já te amei sem medida,
e sempre vou te amar.
Mesmo em outra partida,
não deixarei de lembrar.
Nem tempo, nem distância,
farão meu amor sumir.
É chama em perseverança,
que insiste em não cair.
Ninguém vai compreender
o motivo desse ardor.
Nasceu sem eu perceber,
transformando-se em amor.
Eu te amei, vou amar,
mas guardo tudo em segredo.
Se um dia me procurar,
verá só silêncio e medo.
Sei que nunca vai me ver
como o dono dos seus sonhos.
Mesmo se fosse me ter,
não seria em tom risonho.
Escrever é se reescrever em uma linguagem que só o autor entende. Quem lê acessa apenas fragmentos e reflete a partir do próprio olhar.
Será que algum leitor já conseguiu compreender o todo?
Novidades!!! Mais um conto fabuloso disponível...
“Cadê o buraco do tatu?”
Uma aventura marcada pela curiosidade, pela amizade e pelos segredos guardados pela floresta.
Até onde a curiosidade pode nos levar?
Venha descobrir esse novo capítulo da coletânea A Floresta: Contos fabulosos.
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Meu anjo
Hoje, eu bebi...
Logo eu, que nunca tinha bebido álcool.
Não resisti e cometi o pior dos erros:
Te telefonei.
Você parecia me evitar, mas atendeu.
Pedi para me amar mais uma vez.
Você me tolerou mais uma vez.
Implorei para me amar mais uma vez.
O seu silêncio já era a resposta.
Pedi que me envolvesse em seus braços mais uma vez.
Mas a droga do telefone parecia estar no silencioso.
Ou seu silêncio já era a resposta?
Implorei por um abraço.
Você disse tchau.
Liguei, liguei e liguei...
Até que... já não era mais você na linha.
Então desliguei e fui pra casa.
Pra sua casa.
Te encontrei na calçada, me aguardando.
Você me abraçou.
E me levou pra minha casa.
No dia seguinte, percebi mais uma vez o quanto sinto sua falta.
O amor pode existir.
Mas você... você se transformou no meu anjo.
Por Rafael Araújo e A. Kold
A menina e o menino
Olha como
⠀ a bola se
⠀move
⠀ no pé do menino
⠀ que tenta impressionar
⠀ a menina da plateia.
Mas não é a menina loira,
dos olhos azuis,
de blusa branca,
com a frase estampada:
“Joaquim é o melhor.”
⠀É a outra
⠀a de vestido rosado,
⠀cheio de florzinhas,
⠀cabelos pretos,
⠀óculos pequenos no rosto atento:
⠀ a mais bonita de todas.
Mesmo que o Joaquim,
ORELHUDO,
⠀ insista em dizer
⠀ que a mais linda
⠀ da plateia
⠀é vesga.
Por Rafael Araújo
Querido Diário
Querido diário,
Não sei como começar essa conversa interna, mas estou tentando.
Querido diário,
Queria te contar que ele falou comigo, mas gaguejei. Tive medo de ser um sonho. As palavras que queria dizer simplesmente não saíram... Gosto tanto do meu príncipe azul, mas ele não me nota.
Querido diário,
Não resisti ao vê-lo com aquele chato, que nem sabe ser enfermeiro direito. Porque ele quis estar com ele, e não comigo. Eu sei que sou tímido... mas gosto mais dele.
Querido diário,
Acho que vou desistir... até de escrever.
Querido diário,
Ele me pediu uma informação. Dessa vez não gaguejei. Acho que ele realmente gosta de mim.
Querido diário,
Eu o vi beijando aquele projeto de enfermeiro. Estou com ciúmes, nem sei por quê... Ele nem deve lembrar de mim.
Querido diário,
Acho que vou me fechar para o amor.
Querido diário,
Será que ele vai me notar? Todos os dias vejo fotos deles se beijando. Parece até que estão namorando de verdade. Aquele coisinha nem o ama. Eu sei. Sei demais.
Querido diário,
Ele finalmente me notou. Até me deixou um envelope: todo branco, silencioso, cheio de promessas que eu não sei decifrar.
Querido diário,
Há dois dias recebi o envelope dele. Ele deixou na minha mesa, mas ainda não abri. Estou ansioso. Será uma carta de amor?
Querido diário,
Ele não me ama. Ele vai casar... e me convidou.
Querido diário,
Ele se casa hoje. Mas não vou. Tenho medo de acreditar que o perdi para sempre.
Querido diário,
...
Por Rafael Araújo