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@rafaelaraujoescritor

RAFAEL ARAUJO
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Público
Valsinha do Guardião

Quando te vi, sonhei...
por nós dois.
Enquanto sorrias, eu chorava por ti.
Guardei tantos sorrisos
que tu jamais verás.

Já não vivo, apenas espero teus beijos.
Criei tantos mundos para nós,
mas nem na narrativa sou feliz.

Tu não me vês,
não me ouves,
e eu sigo assim… tão sozinho.

Porque
és por mim, és por ti, és o fim.

Por Rafael Araújo
Público
Minhas Memórias

Lembro de situações e momentos que vivi na infância, mas não me vêm à mente imagens, apenas sensações de tê-los vivenciado.

Para os outros, essas lembranças são meras fabricações da minha mente...
Mas eu sei que são reais, porque as vivi e ainda as sinto, mesmo que dispersas entre os vários fragmentos de mim.

De algo posso afirmar: são lembranças que carregam um misto de sensações, todas resumidas na felicidade de tê-las vivido ao lado da minha mamãe.

Por Rafael Araújo
Público
O Dilema da Poesia e o Poeta

De onde nasce a poesia?

Das entranhas do poeta,
ou talvez da criatividade volátil do poeta.

Mas, no fundo, o poeta é sem rosto, sem olhos,
e até sem boca.
O poeta bate contra a parede, invisível.
Carrega a maca com seu próprio corpo machucado,
mas não chora, porque feridas se cicatrizam com sua poesia.

Talvez seja daí que a poesia nasce:
do completo que é vazio,
do vazio que enlouquece,
da loucura... de não saber de onde nasce a poesia.

Afinal, a poesia só nasce.

Por Rafael Araújo
Público
Improviso
Reformulo o ditado e vos digo:
Quem não tem urso,
Caça com coelho.

E quem não tem coelho?
Usa minha lança,
mas que tenha pulso firme,
porque ela escorrega fácil
e quando escorrega,
entra fundo.

Talvez... só talvez,
você goste de usá-la
e queira usar sempre.
Deixando de lado o urso que não tem,
verá que o coelho...
esse é apressado demais.

Por Rafael Araújo
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A fábula da Libélula e a raposa

O bambolê que girava na cintura da moça bonita conquistara o coração do bad boy, que a admirava enquanto fumava um cigarro, sentado no capô do conversível vermelho.
Na estica, o bad boy a convidou para sair, e, desse encontro, surgiu um romance quase natural.
A moça bonita, que adorava adornos e o vestido branco que marcava a cintura, aos poucos tornava-se a fraqueza do rapaz, que vivia apenas nas madrugadas.
A moça bonita que um dia girava bambolê na praça já não se vestia como Marilyn Monroe, pois não conseguia maquiar, com pó de arroz, as marcas deixadas em seus lindos braços.
Aquele sorriso que encantava a todos ficara congelado no passado, enquanto a tristeza se tornara seu sorriso de ponta cabeça.
Houve um dia em que o bad boy não resistiu ao passo da moça que um dia fora feliz, e a trancou no quarto.
Mas, no incêndio aceso por seu cigarro, a bailarina que girava o bambolê na cintura, radiante, deixou de ver o sol nascer.
E o bad boy, que por muito pouco tempo enxergara o sol quadrado, reiniciava a fábula do príncipe que virara sapo.

© 2025 Rafael Araujo
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Comunidade
A Padaria bomSimilar. Se existe, não sei, mas os sonhos de lá são gostoso e nos transportam para outra realidade.

O mercadinho do seuMIÚDO, tudo é bem organizado e cheio de variedades, só não tem o que não tem.

Na banquinha do Seuzé tem sorvete e bala de goma, pois os jornais em papel deixaram de dar lucrar.

Na hortelaria da Maganeira tem muito abacaxi, o resto são verduras que não existem no seuMIÚDO.

Todos vivem em harmonia, até o shopping aparecer e destruir o verde da praça.

Rafael Araujo
Público
A litúrgia do café

A manhã já inicia com um CAFÉ
Café — Coféééé...
Do outro lado temos COFFEE
Café — Coféééé — Coffee...
Depois das grandes águas, a manhã já nasce pedindo um Coffè
Café — Coféééé — Coffee — Coffè...
Mas eu, daqui, prefiro chamá-lo de o único bendito capaz de exaurir por completo minhas enxaquecas.

© 2025 Rafael Araujo