A queimada A Cachoeira de Paulo Afonso · Capítulo 5 de 31
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A queimada

MEU NOBRE perdigueiro! vem comigo.

Vamos a sós, meu corajoso amigo,

Pelos ermos vagar!

Vamos Já dos gerais, que o vento açoita,

Dos verdes capinais n'agreste moita

A perdiz levantar!...

Mas não!... Pousa a cabeça em meus joelhos...

Aqui, meu cão! ... Já de listrões vermelhos

O céu se iluminou.

Eis súbito da barra do ocidente,

Doudo, rubro, veloz, incandescente,

O incêndio que acordou!

A floresta rugindo as comas curva...

As asas foscas o gavião recurva,

Espantado a gritar.

O estampido estupendo das queimadas

Se enrola de quebradas em quebradas,

Galopando no ar.

E a chama lavra qual jibóia informe,

Que, no espaço vibrando a cauda enorme,

Ferra os dentes no chão...

Nas rubras roscas estortega as matas....

Que espadanam o sangue das cascatas

Do roto coração!...

O incêndio — leão ruivo, ensangüentado,

A juba, a crina atira desgrenhado

Aos pampeiros dos céus!...

Travou-se o pugilato e o cedro tomba...

Queimado..., retorcendo na hecatomba

Os braços para Deus.

A queimada! A queimada é uma fornalha!

A irara — pula; a cascavel — chocalha...

Raiva, espuma o tapir!

... E às vezes sobre o cume de um rochedo

A corça e o tigre — náufragos do medo —

Vão trêmulos se unir!

Então passa-se ali um drama augusto...

N'último ramo do pau-d'arco adusto

O jaguar se abrigou...

Mas rubro é o céu... Recresce o fogo em mares...

E após... tombam as selvas seculares...

E tudo se acabou!...

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