Mãe penitente A Cachoeira de Paulo Afonso · Capítulo 23 de 31
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Mãe penitente

"Ouve-me, pois!... Eu fui uma perdida;

Foi este o meu destino, a minha sorte...

Por esse crime é que hoje perco a vida,

Mas dele em breve há de salvar-me a morte!

"E minh'alma, bem vês, que não se irrita,

Antes bendiz estes mandões ferozes.

Eu seria talvez por ti maldita,

Filho! sem o batismo dos algozes!

"Porque eu pequei... e do pecado escuro

Tu foste o fruto cândido, inocente,

— Borboleta, que sai do — lodo impuro...

— Rosa, que sai de — pútrida semente!

"Filho! Bem vês... fiz o maior dos crimes

— Criei um ente para a dor e a fome!

Do teu berço escrevi nos brancos vimes

O nome de bastardo — impuro nome.

"Por isso agora tua mãe te implora

E a teus pés de joelhos se debruça.

Perdoa à triste — que de angústia chora,

Perdoa à mártir — que de dor soluça!

"Mas um gemido a meus ouvidos soa...

Que pranto é este que em meu seio rola?

Meu Deus, é o pranto seu que me perdoa...

Filho, obrigada pela tua esmola!"

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