A canoa fantástica A Cachoeira de Paulo Afonso · Capítulo 27 de 31
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A canoa fantástica

Pelas sombras temerosas

Onde vai esta canoa?

Vai tripulada ou perdida?

Vai ao certo ou vai à toa?

Semelha um tronco gigante

De palmeira, que s'escoa...

No dorso da correnteza,

Como bóia esta canoa!...

Mas não branqueja-lhe a vela!

N'água o remo não ressoa!

Serão fantasmas que descem

Na solitária canoa?

Que vulto é este sombrio

Gelado, imóvel, na proa?

Dir-se-ia o gênio das sombras

Do inferno sobre a canoa!...

Foi visão? Pobre criança!

À luz, que dos astros coa,

É teu, Maria, o cadáver,

Que desce nesta canoa?

Caída, pálida, branca!...

Não há quem dela se doa?!...

Vão-lhe os cabelos a rastos

Pela esteira da canoa!...

E as flores róseas dos golfos,

— Pobres flores da lagoa,

Enrolam-se em seus cabelos

E vão seguindo a canoa!...

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