O crepúsculo sertanejo A Cachoeira de Paulo Afonso · Capítulo 25 de 31
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O crepúsculo sertanejo

A tarde morria! Nas águas barrentas

As sombras das margens deitavam-se longas;

Na esguia atalaia das árvores secas

Ouvia-se um triste chorar de arapongas.

A tarde morria! Dos ramos, das lascas,

Das pedras, do líquen, das heras, dos cardos,

As trevas rasteiras com o ventre por terra

Saíam, quais negros, cruéis leopardos.

A tarde morria! Mais funda nas águas

Lavava-se a galha do escuro ingazeiro...

Ao fresco arrepio dos ventos cortantes

Em músico estalo rangia o coqueiro.

Sussurro profundo! Marulho gigante!

Talvez um — silêncio!... Talvez uma — orquestra...

Da folha, do cálix, das asas, do inseto...

Do átomo — à estrêla... do verme — à floresta!...

As garças metiam o bico vermelho

Por baixo das asas, — da brisa ao açoite —;

E a terra na vaga de azul do infinito

Cobria a cabeça co'as penas da noite!

Somente por vezes, dos jungles das bordas

Dos golfos enormes, daquela paragem,

Erguia a cabeça surpreso, inquieto,

Coberto de limos — um touro selvagem.

Então as marrecas, em torno boiando,

O vôo encurvavam medrosas, à toa...

E o tímido bando pedindo outras praias

Passava gritando por sobre a canoa!...

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