Nos campos A Cachoeira de Paulo Afonso · Capítulo 15 de 31
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Nos campos

"Fugi desvairada!

Na moita intrincada,

Rasgando uma estrada,

Fugaz me embrenhei.

Apenas vestindo

Meus negros cabelos,

E os seios cobrindo

Com os trêmulos dedos,

Ligeira voei!

"Saltei as torrentes.

Trepei dos rochedos

Aos cimos ardentes,

Nos ínvios caminhos,

Cobertos de espinhos,

Meus passos mesquinhos

Com sangue marquei!

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

"Avante! corramos!

Corramos ainda!...

Da selva nos ramos

A sombra é infinda.

A mata possante

Ao filho arquejante

Não nega um abrigo...

Corramos ainda!

Corramos! avante!

"Debalde! A floresta

— Madrasta impiedosa —

A pobre chorosa

Não quis abrigar!

"Pois bem! Ao deserto!

"De novo, é loucura!

Seguindo meus traços

Escuto seus passos

Mais perto! mais perto!

Já queima-me os ombros

Seu hálito ardente.

Já vejo-lhe a sombra

Na úmida alfombra...

Qual negra serpente,

Que vai de repente

Na presa saltar!...

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Na douda

Corrida,

Vencida,

Perdida,

Quem me há de salvar?"

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