O São Francisco A Cachoeira de Paulo Afonso · Capítulo 28 de 31
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O São Francisco

LONGE, bem longe, dos cantões bravios,

Abrindo em alas os barrancos fundos;

Dourando o colo aos perenais estios,

Que o sol atira nos modernos mundos;

Por entre a grita dos ferais gentios,

Que acampam sob os palmeirais profundos;

Do São Francisco a soberana vaga

Léguas e léguas triunfante alaga!

Antemanhã, sob o sendal da bruma,

Ele vagia na vertente ainda,

— Linfa amorosa — co'a nitente espuma

Orlava o seio da Mineira linda;

Ao meio-dia, quando o solo fuma

Ao bafo morto de lia calma infinda,

Viram-no aos beijos, delamber demente

As rijas formas da cabocla ardente.

Insano amante! Não lhe mata o fogo

O deleite da indígena lasciva...

Vem — à busca talvez de desafogo

Bater à porta da Baiana altiva.

Nas verdes canas o gemente rogo

Ouve-lhe à tarde a tabaroa esquiva...

E talvez por magia à luz da lua

Mole a criança na caudal flutua.

Rio soberbo! Tuas águas turvas

Por isso descem lentas, peregrinas...

Adormeces ao pé das palmas curvas

Ao músico chorar das casuarinas!

Os poldros soltos — retesando as curvas, —

Ao galope agitando as longas crinas,

Rasgam alegres — relinchando aos ventos —

De tua vaga os turbilhões barrentos.

E tu desces, ó Nilo brasileiro,

As largas ipueiras alagando,

E das aves o coro alvissareiro

Vai nas balças teu hino modilhando!

Como pontes aéreas — do coqueiro

Os cipós escarlates se atirando,

De grinaldas em flor tecendo a arcada

São arcos triunfais de tua estrada!...

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