Último abraço A Cachoeira de Paulo Afonso · Capítulo 22 de 31
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Último abraço

"Filho, adeus! Já sinto a morte,

Que me esfria o coração.

Vem cá... Dá-me tua mão...

Bem vês que nem mesmo tu

Podes dar-lhe novo alento!...

Filho, é o último momento...

A morte — a separação!

Ao desamparo, sem ninho,

Ficas, pobre passarinho,

Neste deserto profundo,

Pequeno, cativo e nu!...

"Que sina, meu Deus! que sina

Foi a minha neste mundo!

Presa ao céu — pelo desejo,

Presa à terra — pelo amor!...

Que importa! é tua vontade?

Pois seja feita, Senhor!

"Pequei!... foi grande o meu crime,

Mas é maior o castigo...

Ai! não bastava a amargura

Das noites ao desabrigo;

De espedaçarem-me as carnes

O tronco, o açoite, a tortura,

De tudo quanto sofri.

Era preciso mais dores,

Inda maior sacrifício...

Filho! bem vês meu suplício...

Vão separar-me de ti!

"Chega-te perto... mais perto;

Nas trevas procura ver-te

Meu olhar, que treme incerto,

Perturbado, vacilante...

Deixa em meus braços prender-te

P'ra não morrer neste instante;

Inda tenho que fazer-te

Uma triste confissão...

Vou revelar-te um segredo

Tão negro, que tenho medo

De não ter o teu perdão!...

Mas não!

Quando um padre nos perdoa,

Quando Deus tem piedade

De um filho no coração

Uma mãe não bate à toa.

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