No monte A Cachoeira de Paulo Afonso · Capítulo 16 de 31
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No monte

"Parei... Volvi em torno os olhos assombrados...

Ninguém! A solidão pejava os descampados...

Restava inda um segundo... um só p'ra me salvar;

Então reuni as forças, ao céu ergui o olhar...

E do peito arranquei um pavoroso grito,

Que foi bater em cheio às portas do infinito!

Ninguém! Ninguém me acode... Ai! só de monte em monte

Meu grito ouvi morrer na extrema do horizonte!...

Depois a solidão ainda mais calada

Na mortalha envolveu a serra descampada!...

"Ai! que pode fazer a rola triste

Se o gavião nas garras a espedaça?

Ai! que faz o cabrito do deserto,

Quando a jibóia no potente aperto

Em roscas férreas o seu corpo enlaça?

"Fazem como eu?... Resistem, batem, lutam,

E finalmente expiram de tortura.

Ou, se escapam trementes, arquejantes,

Vão, lambendo as feridas gotejantes,

Morrer à sombra da floresta escura!...

"E agora está concluída

Minha história desgraçada.

Quando caí — era virgem!

Quando ergui-me — desonrada!"

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