A senzala A Cachoeira de Paulo Afonso · Capítulo 8 de 31
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A senzala

Qual o veado, que buscou o aprisco,

Balindo arisco, para a cerva corre...

ou como o pombo, que os arrulos solta,

Se ao ninho volta, quando a tarde morre...,

Assim, cantando a pastoril balada,

Já na esplanada o lenhador chegou.

Para a cabana da gentil Maria

Com que alegria a suspirar marchou!

Ei-la a casinha... tão pequena e bela!

Como é singela com seus brancos muros!

Que liso teto de sapé doirado!

Que ar engraçado! que perfumes puros!

Abre a janela para o campo verde,

Que além se perde pelos cerros nus...

A testa enfeita da infantil choupana

Verde liana de festões azuis.

É este o galho da rolinha brava,

Aonde a escrava seu viver abriga...

Canta a jandaia sobre a curva rama

E alegre chama sua dona amiga.

Aqui n'aurora, abandonando os ninhos,

Os passarinhos vêm pedir-lhe pão;

Pousam-lhe alegres nos cabelos bastos,

Nos seios castos, na pequena mão.

______________

Eis o painel encantado,

Que eu quis pintar, mas não pude...

Lucas melhor o traçara

Na canção suave e rude...

Vede que olhar, que sorriso

S'expande no brônzeo rosto,

Vendo o lar do seu amor...

Ai! Da luz do Paraíso

Bate-lhe em cheio o fulgor.

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