Adeus A Cachoeira de Paulo Afonso · Capítulo 12 de 31
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Adeus

— Adeus — Ai criança ingrata!

Pois tu me disseste — adeus — ?

Loucura! melhor seria

Separar a terra e os céus.

— Adeus — palavra sombria!

De uma alma gelada e fria

És a derradeira flor.

— Adeus! — miséria! mentira

De um seio que não suspira,

De um coração sem amor.

Ai, Senhor! A rola agreste

Morre se o par lhe faltou.

O raio que abrasa o cedro

A parasita abrasou.

O astro namora o orvalho:

— Um é a estrela do galho,

— Outro o orvalho da amplidão.

Mas, à luz do sol nascente,

Morre a estrela — no poente!

O orvalho — morre no chão!

Nunca as neblinas do vale

Souberam dizer-se — adeus —

Se unidas partem da terra,

Perdem-se unidas nos céus.

A onda expira na plaga...

Porém vem logo outra vaga

P'ra morrer da mesma dor...

— Adeus — palavra sombria!

Não digas — adeus —, Maria!

Ou não me fales de amor!

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