O palácio da Mãi d'Água
O palácio da Mãi d'Água
o PALACIO DA MÃI D'AGUA
LErDA DO PARÁ
Existe n'uma collina,
Pelas margens do Portel,
Um encanto que sorprende
O viajar no batel.
Se ao largo singra uma igára,
Se perto voga a canôa,
O remador se benzendo
Dobra o joelho na prôa.
Fundo mysterio !. .. (iuem póde
Sondar um mysterio... Quem?
Ao alto nem de pensal-o
Chegar inda ousou ninguem.
A cachoeira assombrada,
Que acima rolando medra,
Batendo o corpo no rio
Se agarra de pedra em pedra!
Ha um prestigio! - De noite,
Na correnteza fremente,
Da montanha se desdobra
Crespa esteira reflectente.
É horrendo esse lampejo
Da phosphorica luzerna!
Parece o rio um fantasma
Que errando acende a lanterna.
Desse tôpo incendiado
Ao fundo da bruma clara,
Não vê-se a chamma que alenta
O facho que o rio aclara.
As aves piam nos ares,
Sobre a vaga que transluz._o
E os patos-bravos sacodem
Das azas gottas de luz!
o PALAClO DA MÁI D' AGUA
Diz o povo que a mãi d' agua
Lá vive nessa cimeira,
N'um palacio d'ouro fino
Á borda da ril'anceira ...
E quando o rio se veste
Desse clarão que fascina
É que o paço em que ella habita
Todo inteiro se illumina.