O palácio da Mãi d'Água Mitos e poemas: Nacionalismo · Capítulo 3 de 19
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O palácio da Mãi d'Água

O palácio da Mãi d'Água

o PALACIO DA MÃI D'AGUA

LErDA DO PARÁ

Existe n'uma collina,

Pelas margens do Portel,

Um encanto que sorprende

O viajar no batel.

Se ao largo singra uma igára,

Se perto voga a canôa,

O remador se benzendo

Dobra o joelho na prôa.

Fundo mysterio !. .. (iuem póde

Sondar um mysterio... Quem?

Ao alto nem de pensal-o

Chegar inda ousou ninguem.

A cachoeira assombrada,

Que acima rolando medra,

Batendo o corpo no rio

Se agarra de pedra em pedra!

Ha um prestigio! - De noite,

Na correnteza fremente,

Da montanha se desdobra

Crespa esteira reflectente.

É horrendo esse lampejo

Da phosphorica luzerna!

Parece o rio um fantasma

Que errando acende a lanterna.

Desse tôpo incendiado

Ao fundo da bruma clara,

Não vê-se a chamma que alenta

O facho que o rio aclara.

As aves piam nos ares,

Sobre a vaga que transluz._o

E os patos-bravos sacodem

Das azas gottas de luz!

o PALAClO DA MÁI D' AGUA

Diz o povo que a mãi d' agua

Lá vive nessa cimeira,

N'um palacio d'ouro fino

Á borda da ril'anceira ...

E quando o rio se veste

Desse clarão que fascina

É que o paço em que ella habita

Todo inteiro se illumina.

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