Noites do Equador Mitos e poemas: Nacionalismo · Capítulo 10 de 19
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Noites do Equador

Noites do Equador

OITES DO EQUADOR

os climas do Equador é tão tranquill:l.

A Noite pelos céos!

Os pés no mar, a fronte nas alturas

E sobre os seios seus

O tremulo filá de estrellas puras'

Ao descer da montanha que se el \'a,

Scismadora, idéal,

Dissereis, escondendo o colo mago,

A morena do vaI

Que esfria o corpo e vai banhar-se ao lago.

Das aras da savana odôres quentes

A ~arde á Noite envia,

E dos morrões do sol tomando as côres

A palmeira alumia

.A Noite americana em céos de amores.

E ella - nos lenç6es de brancas nuvens,

a solidão do espaço,

Se espreguiça em volupia, e mollemente

Ao estirar do braço

Mostra da coma o arco do crescente.

A.. floresta topando-a em seu caminho,

É mais amena e doce j

Ü rio, para ouvir-lhe o sonho brando,

Pendura-se na fouce

Do leve barco, ao remo se apartando ...

Das plagas suavlss11uas

Á rêde da floresta,

A Noite toda em festa

Descendo o ar fluctúa!

NOITES no EQUADOR

E somnolenta e límpida,

Lasciva, ardente e meiga)

Rescende á flôr da veiga

E bella e toda núa ...

Sonhando, assim levada

Das nuvens nos arminhos,

Alaga ermos caminhos

De trausparencia e luz!

Nos céos milHões d'estrellas,

Quaes borboletas d'ouro,

Palhetam seu thesouro

Nos limbos sempre azues I

Oh! quando ella apparece

Tão flllgida e brilhante

A projectar distante

Seus traços indecisos,

A selva dá-lhe aromas,

As virações bafejas,

t rra é toda em beijos,

O céu é todo em risos I

Trepando limosas pedras

Da restinga na corôa,

O pescador amarrando

Vae as cordas da canôa.

E corre o fio e na vaga

Atira a isca e o anzol,

A fiôr d'agua sobe a espuma

Que se apaga em caracol.

Nas paragens mais remotas,

Dos indios bravos na aldêa,

Conta lendas a tapuya,

Rola a criança na arêa.

Chega da caça o caboclo,

Arma a rêde em que descança;

Os outros, dos arvoredos,

Assistem, silvando, á dansa.

O vaqueiro enamorado

Canta as noites do sertão,

O rapaz da guia os riscos

Do tanger do boiadão.

a porta, a gentil matuta,

No batente da cabana,

Galhofa das serenatas,

Palmeja ouvindo a tyranna.

Findou o terço, os escravos

Louvado seja o Sen/zor

Dizem, volvendo á senzala,

Depois que os conta o feitor.

Outros, d'afanosa lida,

Á candeia do paiol,

São os espias da noite

Que vão sorprender o sol.

Das rochas altivas

Despenham-se vivas

As aguas ... lá vêm ...

Espanam-se as garças e as emas esqll1vas

Não vendo ninguem.

M. ~

50 1IlYTHOS E POEMAS

Doqdeja nas balsas

Phanta ·ticas va.lsas

Aos raios da luz,

O bando dos fogos que errando se exalça

Do chão dos paúcs.

Nos tanques, apathicas,

As plantas aquaticas

Desbrocham ... Que côres!

Parecem, pousando nas moitas selvaticas,

Subtis beija-flores!

E reza nas palmas

O côro das almac;

Das tribu de então,

Que foram traídas nas guerras mais alma.,

Vencidas... oh não!

lOS ares a lua,

Na plaga que estúa,

Afw1da-se e brilha:

Assim n'ardentia suspende a falúa

O bojo da quilha.

Doudeja nas balsas

Phantasticas va1sas

Aos raios da luz,

O bando de fogos que errando se exalça

Do chão dos paúes.

As claras noites do Equador são moças

Que o céos bu cam contentes'

As noites negras, tetricas, e curas,

E cravas que as correntes

Mostram do pulso a Deus nas desventuras.

E ellas, germinando o horror dos crimes

- Da escravidã.o imagem,

Passam quietas, quando o crime passa,

Ao gargalhar selvagem

Do mocho que nos craneo esvoaça

E nas trévas lá vão... lá vão fugindo

a aridez do pranto;

Os mortos têm pavor - de seus caixões

Lhes tecem roto manto

De fatua luz e vis exhalações.

i\IYTHOS E POEMAS

As noites do Equador são as ciganas

Lendo da selva as sinas j

Si lhes empresta o sol a côr morena,

O céo as faz divinas!

-~-

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