A novena
A novena
Rubro no occaso o sol, casa e terreiro
Da fazenda descobre,
Na fumaça das nuvens suspendido
Qual bacía de cobre.
Os puxados de palha então scintillam,
- Ninhos dos altos lenhos;
O rio mové a pá inchada d'agua
Da roda dos engenhos.
A ave canta ao longe e tange o gado
O vaqueiro na frente,
O cão dispara a perseguir na matta
A novilha doente.
Forte escada se encosta a branco mUTO
En tre mon tões de arêa;
Um balde ao lado, perto, e a luz da tarde
Se retira e escassêa.
Da montanha descendo - um povo esqualido
Ganha a estrada lisa;
O busto sahe-Ihe, descarnado e negro,
Da grosseira camisa.
Ao ulcerado hombro pende a enxada,
No pescoço a colleira;
As campainhas tinem balançando
a ferrea gargalheira.
Os escravos seguiam ... uma escrava
Quasi que vem de rastos!
E aquece o filho que sorrindo brinca
JUI] to aos seus seios castos.
Vira a escada, o sol dourando o tõpo,
E sonhou com a partida j
Não queria morrer! oh não se morre
Quando se deixa a vida!
Oito dias de surra não bastavam
Aos odios canibaes !
A fazenda tem leis j são nove dias j
Era um dia de mais!
A criança tomaram de seus braços,
Que foi morder o p6 j
Se erguendo cambalêa, quer seguil-a ...
Tão pequenina e s6!
Jungida ao poste a pobre da captiva,
Regaçam dous feitores
A manga-e estiram do chicote as pontas,
Oh! que quadro de horrores!. ..
Gemidos abafados ... pranto ... sangue ...
Que revoltante scena!
Rebentam chagas... Bravo! - diz um d'elles,
- São rosas da novena!
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Eis uma scena dos meus patrios climas,
Que infamia, meu Deus I
E é livre um paiz que reconhece
A escravidão dos seus!. ..