A lenda das pedras verdes
A lenda das pedras verdes
MUIRAKITANS
Á vontade dormia entre as montanhas
Yacyuaruá - lago dos mythos ;
hi vinham cumprir as Amazonas
Da Lua os sacros ritos.
Do rio Yamul1dá nas fonte turgidas
Elle se prende em troncos de palmeiras;
Nas margens -areaes onde dal1savam
As mulheres guerreiras.
As aves no balanço da folhagem,
Fugindo ao sol em braza do deserto,
Iam beiral-o u' essas horas calmas
Molhando o bico aberto.
As tribus bravas, ao cahir das noites,
Animavam interminas paragens j
Ardia o breu nas lascas da candeia,
Nas malocas selvagens.
No pantanal silente as saracuras,
N'um pé suspensas, arrufadas, frias,
Aos fogos fatuos desatavam gritos,
Ariscas, arredias.
o lago era um fetiche, as Amazonas
O cercavam - fulgindo ao luar claro,
Quando a deusa lasciva se espelhava
Nas aguas, sem reparo.
De bailados de guerra e cantos lubrico
Saturava-se o ar que ensurdecia ...
Um seio a outro seio se roçava
E tumido tremia!
Era a festa do anuo: á Lua plena
Mergulhavam no lago aos talismans,
E á tona vinham da bacia d'ouro
Com seus muirakitans
De côres verdes} lucidas, sublimes,
Que a Mãi dos mythos sensual guardava:
Pedras de aspecto vário, mas ás vezes
De aspecto que excitava.
Depois, pela floresta iam perdidas
Juntar-se aos homens na volupia intensa,
E a cada amante um ídolo cediam
Como que em recompensa.
E de manhã os incolas exhaustos,
No dõrso em ondas os cabellos pretos,
Tinham pendentes do sombrio colo
Os verdes amuletos.