A lenda das pedras verdes Mitos e poemas: Nacionalismo · Capítulo 6 de 19
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A lenda das pedras verdes

A lenda das pedras verdes

MUIRAKITANS

Á vontade dormia entre as montanhas

Yacyuaruá - lago dos mythos ;

hi vinham cumprir as Amazonas

Da Lua os sacros ritos.

Do rio Yamul1dá nas fonte turgidas

Elle se prende em troncos de palmeiras;

Nas margens -areaes onde dal1savam

As mulheres guerreiras.

As aves no balanço da folhagem,

Fugindo ao sol em braza do deserto,

Iam beiral-o u' essas horas calmas

Molhando o bico aberto.

As tribus bravas, ao cahir das noites,

Animavam interminas paragens j

Ardia o breu nas lascas da candeia,

Nas malocas selvagens.

No pantanal silente as saracuras,

N'um pé suspensas, arrufadas, frias,

Aos fogos fatuos desatavam gritos,

Ariscas, arredias.

o lago era um fetiche, as Amazonas

O cercavam - fulgindo ao luar claro,

Quando a deusa lasciva se espelhava

Nas aguas, sem reparo.

De bailados de guerra e cantos lubrico

Saturava-se o ar que ensurdecia ...

Um seio a outro seio se roçava

E tumido tremia!

Era a festa do anuo: á Lua plena

Mergulhavam no lago aos talismans,

E á tona vinham da bacia d'ouro

Com seus muirakitans

De côres verdes} lucidas, sublimes,

Que a Mãi dos mythos sensual guardava:

Pedras de aspecto vário, mas ás vezes

De aspecto que excitava.

Depois, pela floresta iam perdidas

Juntar-se aos homens na volupia intensa,

E a cada amante um ídolo cediam

Como que em recompensa.

E de manhã os incolas exhaustos,

No dõrso em ondas os cabellos pretos,

Tinham pendentes do sombrio colo

Os verdes amuletos.

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