A lenda da abóbora
A lenda da abóbora
A LENDA DA ABOBORA
FORMAÇÃO DO MAR
De assalto as sombra', quaes piratas negrm;,
Tomam as matas asperas, bravias ...
O jaguar como um arco empola o dorso,
Se estirando das patas luzidias.
Luzes de estrellas, de macias f1ammas,
ilellciosas brilham pallecentes;
Gemem ventos vezanos que aos tapuyo
São oraculos dos posthuJlloS parentes.
JIl 3
Aos fogos canibaes de cem fogueiras
Pendem ramas de trévas cavalgadas j
E os caboclos soturnos, nos espetos
Viram do morto as regiões tostadas.
Um rugido no ar. .. Jacaré torvo
Da O!aça o flanco fulvo chicotêa !...
Partia-lhe a cauda a féra ... elle sumia-se,
Deixando um. raStro de sangrenta ar@a.
Aos bailos do terreiro, as feiticeiras
Se encolhem tremulas, atiçando as brazas j
E grita a alma perdida e as aves tontas
Abrem no espaço rubro as curvas azas.
Em alarido enorme as tribus pavidas
Enchem de espanto as naturaes paragens;
Mutilações de dó ... soluços ... prantos,
Nos corpos nús funereas tatuagens!
De Yáia o chefe poderoso, a rede
Na cabana lá está - selvagem horto!
As carpideiras lanham-se, e agachado
Contempla o chefe Yáia o filho morto.
A LENDA DA ABOBORA
Não quer vasos de terra! - as igaçabas
São a seus olhos miseros sarchophagos;
E rincha o marabá, e os ritos cumprem-se
Ás dansas funerae dos anthropophagos.
Guarnecendo a maloca, em altos postes
As cabeças das victimas fincadas;
Os pregoeiros sopram nas buzinas
p'ra traz vergando as frontes gateadas.
De quando em quando, em contracções atleticas,
Um braço armado gira subitaneo;
O captivo resiste, e ao resi til-o
A massa tomba e se estilhaça. um craneo! ...
Em confusa algazarra os povos incolas
Na cordilheira buscam tredo acoite;
E em torno do defunto o fachos ardem
Dos genios máos esvasiando a noite.
*,~ *
N'uma abobora desforme
Abriu-lhe o sepulchro Yáia,
Foi pertinho da cabana
Por baixo da sapucaia.
Sentou-o no seu jazigo,
Uniu-lhe ao peito os joelhos,
Com seus colares de dentes,
eus diademas vermelhos.
Um bando de pombas bravas
Mortas ficaram-lhe aos pés,
A cauan que espanta as cobras,
Que lucta com as cascaveis.
De flecha e clava e membys
Cercou a mumia querida:
Para os cornbates da morte
Levava as armas da vida.
E de vêl-o triste, triste,
Chorando seu filho ahi,
A rola, as rolas gemiam
Nas palmas do licury.
Desce o chefe a montanha: a visital-o
Segue á luz da manhã que além domin ... ;
Aqui e ali, mil troncos suarentos
E o insecto que zumbe da matina!
A LENDA DA ABOBORA
Do rochêdo aos degráos sobem vapores,
- Erma, vasta e fumante escadaria L..
E o abutre pellado a testa esconde
DebaLxo d'aza voadora e fria!
Yáia proseguio ... mas avistando
A abobora tumular d'esses caminhos,
Notou que enormes pei.'{es se escapavam
Da planta cheia de algaçaes marinhos.
No terror que o agita, o caso infausto
Leva á óca dos seus, á tribu inteira L..
E as trompas soam nas quebradas longas
Suppondo augurio a nação guerreira!
Quatro meninos gemeos que attentavam
O chefe- partem, sem demora, inquietos,
Faminto, nús, zebrado, offegantes,
A grande pescaria em seus desertos.
Reunem-se os pagés, velhos, mulheres,
De labio roto e faces taciturnas;
E emquanto uns trepam no arvoredo excelso
Outros se escapam das baixinhas fumas.
]\fYTHOS E POEMAS
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Os cabodinho VIram
abobora- e sem as ombro
Ergueram-n'a contentes
Ao pequenino hombro;
Porém do centro o liquido
Pingando cahe, gotteja,
E dos milhões de poros
Mareja, sim, mareja!
En' isso assoma Yáia
Grave, sombrio, quedo;
Elles disparam rapidos
Com indizivel medo,
o chão se abrindo o fructo
Que inunda extremos lares ...
D'est'agua - o mytho barbara
Do Genesis dos mares!