A lenda da abóbora Mitos e poemas: Nacionalismo · Capítulo 8 de 19
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A lenda da abóbora

A lenda da abóbora

A LENDA DA ABOBORA

FORMAÇÃO DO MAR

De assalto as sombra', quaes piratas negrm;,

Tomam as matas asperas, bravias ...

O jaguar como um arco empola o dorso,

Se estirando das patas luzidias.

Luzes de estrellas, de macias f1ammas,

ilellciosas brilham pallecentes;

Gemem ventos vezanos que aos tapuyo

São oraculos dos posthuJlloS parentes.

JIl 3

Aos fogos canibaes de cem fogueiras

Pendem ramas de trévas cavalgadas j

E os caboclos soturnos, nos espetos

Viram do morto as regiões tostadas.

Um rugido no ar. .. Jacaré torvo

Da O!aça o flanco fulvo chicotêa !...

Partia-lhe a cauda a féra ... elle sumia-se,

Deixando um. raStro de sangrenta ar@a.

Aos bailos do terreiro, as feiticeiras

Se encolhem tremulas, atiçando as brazas j

E grita a alma perdida e as aves tontas

Abrem no espaço rubro as curvas azas.

Em alarido enorme as tribus pavidas

Enchem de espanto as naturaes paragens;

Mutilações de dó ... soluços ... prantos,

Nos corpos nús funereas tatuagens!

De Yáia o chefe poderoso, a rede

Na cabana lá está - selvagem horto!

As carpideiras lanham-se, e agachado

Contempla o chefe Yáia o filho morto.

A LENDA DA ABOBORA

Não quer vasos de terra! - as igaçabas

São a seus olhos miseros sarchophagos;

E rincha o marabá, e os ritos cumprem-se

Ás dansas funerae dos anthropophagos.

Guarnecendo a maloca, em altos postes

As cabeças das victimas fincadas;

Os pregoeiros sopram nas buzinas

p'ra traz vergando as frontes gateadas.

De quando em quando, em contracções atleticas,

Um braço armado gira subitaneo;

O captivo resiste, e ao resi til-o

A massa tomba e se estilhaça. um craneo! ...

Em confusa algazarra os povos incolas

Na cordilheira buscam tredo acoite;

E em torno do defunto o fachos ardem

Dos genios máos esvasiando a noite.

*,~ *

N'uma abobora desforme

Abriu-lhe o sepulchro Yáia,

Foi pertinho da cabana

Por baixo da sapucaia.

Sentou-o no seu jazigo,

Uniu-lhe ao peito os joelhos,

Com seus colares de dentes,

eus diademas vermelhos.

Um bando de pombas bravas

Mortas ficaram-lhe aos pés,

A cauan que espanta as cobras,

Que lucta com as cascaveis.

De flecha e clava e membys

Cercou a mumia querida:

Para os cornbates da morte

Levava as armas da vida.

E de vêl-o triste, triste,

Chorando seu filho ahi,

A rola, as rolas gemiam

Nas palmas do licury.

Desce o chefe a montanha: a visital-o

Segue á luz da manhã que além domin ... ;

Aqui e ali, mil troncos suarentos

E o insecto que zumbe da matina!

A LENDA DA ABOBORA

Do rochêdo aos degráos sobem vapores,

- Erma, vasta e fumante escadaria L..

E o abutre pellado a testa esconde

DebaLxo d'aza voadora e fria!

Yáia proseguio ... mas avistando

A abobora tumular d'esses caminhos,

Notou que enormes pei.'{es se escapavam

Da planta cheia de algaçaes marinhos.

No terror que o agita, o caso infausto

Leva á óca dos seus, á tribu inteira L..

E as trompas soam nas quebradas longas

Suppondo augurio a nação guerreira!

Quatro meninos gemeos que attentavam

O chefe- partem, sem demora, inquietos,

Faminto, nús, zebrado, offegantes,

A grande pescaria em seus desertos.

Reunem-se os pagés, velhos, mulheres,

De labio roto e faces taciturnas;

E emquanto uns trepam no arvoredo excelso

Outros se escapam das baixinhas fumas.

]\fYTHOS E POEMAS

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** *

Os cabodinho VIram

abobora- e sem as ombro

Ergueram-n'a contentes

Ao pequenino hombro;

Porém do centro o liquido

Pingando cahe, gotteja,

E dos milhões de poros

Mareja, sim, mareja!

En' isso assoma Yáia

Grave, sombrio, quedo;

Elles disparam rapidos

Com indizivel medo,

o chão se abrindo o fructo

Que inunda extremos lares ...

D'est'agua - o mytho barbara

Do Genesis dos mares!

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