Capítulo XVI
É manifesto o gosto dos estofadores porto-alegrenses pelo verde burocrático.
Em muitas das salas em que tenho entrado é essa a cor que predomina nos acolchoados das cadeiras e nos reposteiros das portas. Estender-se há até a essas particularidades íntimas de interior a influência positivista do Sr. Dr. Borges de Medeiros?
Diz-se que o verde é uma cor repousante, benéfica à vista e de boa combinação com outras nuanças, segundo nos ensina a natureza dos jardins, e, se nem sempre consegue em sofás e banquinhos de pé exprimir a mesma harmonia sorridente é quase sempre discreta, e muitas vezes acomodada a severidades de estilo.
Chloris! deusa das flores e consequentemente dos matizes, que importância no conjunto das coisas que observo pode ter este traço aparentemente tão insignificante? Tu bem o sabes, também eu adoro a maravilhosa cor das árvores de que ando apregoando o plantio por montes e vales.
Goethe, ao morrer, pediu — luz, mais luz! — eu peço — sombra, mais sombra! — sombra benigna que proteja a nossa terra querida das ardentias do sol e faça entumecerem-se os veios de água cristalina e pura no seio das nascentes criadoras. Sombra, mais sombra!