Capítulo XVIII
Quem me oferecerá mate chimarrão?
Até agora ainda ninguém se lembrou disso. Pois eu tinha uma certa curiosidade por me ver numa roda gaúcha em que se praticasse essa coisa típica e de que tantas vezes li e ouvi descrições, qual a de tomar chimarrão na bomba clássica e tradicional... Afinal fica a gente suspeitando de que tudo é literatura.
É provável que eu não gostasse do mate servido dessa maneira, como aprecio o chá preto que me dão aqui em xícaras delicadas e que em parte nenhuma do mundo pode ser melhor; nem mesmo em Ceilão; se é que em Ceilão não tomam por acaso de preferência o mate! É provável que não tomem, porque nós não sabemos fazer propaganda de coisa nenhuma, nem mesmo a do mate, que seria fácil.
Quando pergunto pelos usos e costumes originais do Rio Grande, respondem-me que eles só podem ser observados hoje em dia na campanha, como denominam o interior e o campo.
Em verdade, as capitais são todas parecidas quanto à sua vida e trato na sociedade. Quem poderia determinar a que país pertencia o lindo salão onde ontem passei tão belas horas e que pelo seu mobiliário e adornos ecléticos, como pela maneira por que era dirigido tanto podia ser do Rio como de Paris?
A chuva tamborilava nos vidros das janelas veladas por cortinas de seda.
Nas doces profundezas de uma poltrona maiple, entre estantes de livros e jarrões de rosas eu ouvia o som de um piano na sala próxima, admiravelmente dedilhado por uma formosa morena em sucessivas músicas de Chopin..
E a conversa era atraente, cheia das curiosidades do ocultismo e de impressões de literatura exótica.