Capítulo XXIII Jornadas no meu país · Capítulo 23 de 37
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Capítulo XXIII

Sentemo-nos para descansar num dos bancos da Praça da Harmonia, sítio um tanto abandonado, suponho mesmo que mal frequentado, mas onde vejo as mais belas árvores da cidade. Estas sim, parece terem alguma coisa para dizer, segredos antigos que as espiritualizam e fazem vontade à gente de os adivinhar. Estão plantadas à beira rio, uma delas deixa pender sobre as águas um dos braços fatigados. Em noites de lua cheia este cantinho deve fazer lembrar a Judia de Tomaz Ribeiro. Nem a barca lhe falta, porque a bem poucos metros da margem vejo deslizar uma, suavemente. Aqui o poeta é o sombrio Ingazeiro que se debruça do alto sobre a corrente pálida do rio. Mas do seu rimário é que não há tradução.

Olhando para as frondes deste arvoredo reparo que, desde que estou no Sul, não tenho ouvido cantar os passarinhos. Dizemme que para isso seria preciso ir ao campo.

Não é portanto o rumor da cidade que os deva espantar, pois que no Rio, a pequena distância das ruas barulhentas, visto que a nossa capital é positivamente a capital do ruído, eu tenho o meu jardim cheio de passarada. Será que o frio aqui os afugente? Não creio, porque se o frio é rude em um dia é logo no outro compensado pelo agasalho de um sol quente.

E não vemos em invernos muito mais rigorosos, na Europa, os pardais petiscarem na própria neve?

Seja porém qual for o motivo desta ausência dos passarinhos, só agora reparo, pela falta que deles sinto, quanto os meus ouvidos já se habituaram à sua voz.

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