Capítulo XXV Jornadas no meu país · Capítulo 25 de 37
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Capítulo XXV

Uma verdadeira colmeia borborejante de atividade útil, onde mil e oitocentas alunas estudam admiravelmente, guiadas por um professorado de notável competência, a Escola Complementar de Porto Alegre! A casa, muito grande, parecia-me pequena para conter o imenso número de meninas e de moças que eu vi hoje espalhadas pelas suas galerias, salas e corredores.

Alguém que me acompanha, e tem deste notável estabelecimento de ensino um conhecimento profundo, assevera-me que nele o estudo não representa, como em muitas escolas do país, uma simples formalidade, aparência ilusória de instrução sem base séria, mas que nele se aprende de verdade, e se ensina com entusiasmo. Esta escola é o verdadeiro viveiro de todas as outras do interior do Estado, a mãe benigna e fecunda que espalha por todas as povoações doces mestras esclarecedoras e amáveis.

Como o dia era de festa, não sei a que jardins de espantosa uberdade tinham ido buscar as rosas e as violetas que alcatifavam o chão, enchiam as jarras, transbordavam de todos os vãos, como se a inesgotável flora as fizesse brotar até do estuque das paredes, e das frinchas do soalho.

Ao fulgor da mocidade casava-se a toada das músicas. Noto, com prazer muito especial, que no Rio Grande do Sul gostam de cantar. Sempre que há um pretexto para um hino, ninguém pede licença à casmurrice para o fazer ouvir.

No salão principal surpreende-me a maneira eloquente e torrentosa por que um poeta baiano e lente de pedagogia, Snr. Henrique de Casaes, estuda e critica a obra de um escritor patrício ali presente. Mais uma vez vejo manifestado assim esse fascinante dom da palavra, tão característico do torrão nortista de que o orador é filho,

Calado o poeta, rompem de novo os cantos. É toda a alma da mocidade rio-grandense que vibra alegremente, desassombradamente, nessas notas de júbilo e de patriotismo de que mal posso dar uma impressão nesta página banal.

Banalidade. que importa! Este não é um livro de literatura; é, a bem dizer, um diário de impressões. A sinceridade é a sua virtude; o estilo a sua menor preocupação. Quem o ler saberá que impressão causaram em um forasteiro no ano da graça de 1918, num dos invernos mais ásperos do Sul, as populações e as terras do Rio Grande, onde, ele mesmo, se voltar um dia, verá talvez tudo já de outro modo, e com outro espírito, tão vária é a vida e tão fulgurantes os contrastes que o Tempo imprime às coisas em cada uma das suas passadas vertiginosas.

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