Capítulo XVII
Água pura. água cristalina onde encontrá-la?
Desde que cheguei ao Rio Grande do Sul ouço falar em tifo. Por isso, para a minha sede só me aconselham Caxambu. Arruino os meus hospedeiros submetendo-me a tão previdente conselho, mas seria levar muito longe o meu abuso se também me quisesse banhar em águas minerais!
Contudo, posto que prevenida não pude deixar de hesitar na hora do meu primeiro banho em Porto Alegre: — entro? — não entro? tal a cor encardida da água que enchia a grande banheira apesar das suas torneiras terem filtro.
Aprendi nesse momento de vacilação, que tanto se pode filosofar à beira de um túmulo como ao lado de uma tina de banho. O aroma do imutável cipreste funeral ou o da água de Colônia que refresca o ambiente de uma alcova balnear podem do mesmo modo sugerir indagações mentais e perplexidades dignas de Hamleto!
Teriam essas águas a doce virtude que os meus hábitos reclamam, ou outras qualidades contraproducentes? Ser incolor e inodora, ou ser cor de âmbar, que me deveria importar se fossem os mesmos os seus predicados? Qual seria a razão por que a vontade toda poderosa do homem não intervinha nessa questão de tão essencial interesse para a vida e a felicidade do povo, procurando ou outra água melhor para o abastecimento da cidade, ou melhorar a única de que se pode servir?
Seria esse um problema insolúvel? A ciência moderna tem desvendado segredos mais complexos, mas nenhum certamente de maior interesse do que este de que depende a higiene e a saúde dos habitantes de uma cidade, e cidade grande.