Capítulo 18 — O luto pelos pais
Capítulo 18 — O luto pelos pais
喪親章第十八
Chinês clássico
子曰:孝子之喪親,哭不偯,禮無容,言不文,服美不安,聞樂不樂,食旨不甘,此哀戚之情也。三日而食,教民無以死傷生,毀不滅性,此聖人之政也。喪不過三年,示民有終也。爲之棺槨、衣衾而舉之,陳其簠簋而哀戚之,擗踴哭泣,哀以送之,卜其宅兆而安措之,爲之宗廟,以鬼享之;春秋祭祀,以時思之。生事愛敬,死事哀戚,生民之本盡矣,死生之義備矣,孝子之事親終矣。
Tradução
O Mestre disse:
— Quando o filho filial está de luto por um dos pais, chora sem modular a voz; nos ritos, não cuida da elegância dos gestos; suas palavras não têm ornamento. Não encontra repouso em roupas belas, não sente prazer ao ouvir música, não acha sabor em comidas delicadas. Essa é a disposição de uma tristeza verdadeira.
Depois de três dias, volta a comer: ensina-se ao povo que não se deve ferir a vida por causa dos mortos, nem consumir o corpo até destruir a própria natureza. Este é o governo dos sábios. O luto não ultrapassa três anos, para mostrar ao povo que a dor também tem um termo.
Preparam-se o caixão interno e o externo, as vestes e o sudário, e o corpo é erguido. Dispõem-se os vasos rituais e, com tristeza, bate-se no peito, golpeiam-se os pés no chão, chora-se e, em pesar, acompanha-se a despedida. Escolhe-se por divinação um lugar de sepultamento e ali se deposita o corpo em paz. Ergue-se um templo ancestral, no qual o espírito recebe oferendas; na primavera e no outono realizam-se sacrifícios, e em cada estação a pessoa amada é recordada.
Servir aos vivos com amor e reverência; servir aos mortos com tristeza e pesar: nisso se cumpre a raiz da vida humana e se completa a retidão que abrange morte e vida. Assim chega ao fim o serviço do filho filial a seus pais.
Nota. O capítulo descreve costumes funerários da China antiga. Sua conclusão combina intensidade do luto, preservação da vida dos sobreviventes e continuidade ritual da memória. Nota. --- Glossário editorial
Confúcio / Zhongni: “Zhongni” é o nome de cortesia usado na abertura do diálogo.
Zengzi / Shen: discípulo de Confúcio e interlocutor do texto; “Shen” é seu nome pessoal.
Piedade filial: não é submissão automática. O capítulo 15 torna explícito o dever de advertir pais e governantes diante da injustiça.
Filho do Céu: título ritual do soberano.
Três Potências: Céu, Terra e humanidade.
Altos ministros, grandes oficiais e oficiais letrados: posições da ordem aristocrática e administrativa da China antiga.
Altares do solo e dos cereais: expressão ritual que representa a continuidade do Estado.
Templo ancestral: espaço no qual os antepassados recebiam oferendas.
Livro das Odes: antigo clássico poético citado repetidamente na obra.
Cinco Castigos: sistema penal tradicional empregado no capítulo 11 como imagem de gravidade moral e política.
Nota sobre as fontes
Texto chinês: 孝經鄭注 (Xiaojing com o comentário de Zheng Xuan), transcrição pública do Wikisource. As notas do comentador foram removidas mecanicamente para isolar o texto clássico, e os dezoito capítulos foram conferidos depois da extração.
Testemunho comparativo: James Legge, “The Hsiâo King, or Classic of Filial Piety”, em The Sacred Books of China: The Texts of Confucianism, Part I, Oxford, Clarendon Press, 1879. A edição consultada informa que o texto se encontra em domínio público.
Referência textual adicional: Chinese Text Project, Xiao Jing. Consultado para a tradição dos títulos e a organização em dezoito capítulos.
Tradução: Literúnico, português brasileiro, 2026. Tradução realizada diretamente do chinês clássico. A versão de Legge foi usada apenas para comparação histórica e controle de leitura.