A Alma do Homem sob o Socialismo: Bloco 18
Com as artes decorativas, a situação não é diferente. O público se agarrou, com uma tenacidade realmente patética, àquilo que creio terem sido as tradições diretas da Grande Exposição de vulgaridade internacional, tradições tão medonhas que as casas em que as pessoas viviam só eram adequadas à moradia de cegos. Coisas belas começaram a ser feitas, belas cores vieram da mão do tintureiro, belos padrões vieram do cérebro do artista, e o uso das coisas belas, seu valor e sua importância foram expostos. O público ficou de fato muito indignado. Perdeu a calma. Disse tolices. Ninguém se importou. Ninguém ficou minimamente pior por causa disso. Ninguém aceitou a autoridade da opinião pública. E agora é quase impossível entrar numa casa moderna sem ver algum reconhecimento do bom gosto, algum reconhecimento do valor de um entorno agradável, algum sinal de apreciação da beleza. Na verdade, as casas das pessoas são, via de regra, bastante encantadoras hoje em dia. As pessoas foram civilizadas em altíssimo grau.
É justo declarar, contudo, que o extraordinário sucesso da revolução na decoração doméstica, no mobiliário e em coisas semelhantes veio sobretudo do fato de que os artífices desses objetos apreciaram tanto o prazer de fazer aquilo que era belo, e despertaram para uma consciência tão viva da feiura e da vulgaridade daquilo que o público queria anteriormente, que simplesmente venceram o público pela privação. No momento presente, seria inteiramente impossível mobiliar uma sala como as salas eram mobiliadas poucos anos atrás, a menos que se procurasse cada coisa num leilão de móveis usados vindo de alguma casa de hospedagem de terceira categoria. Essas coisas já não são feitas. Por mais que se oponham a isso, hoje as pessoas precisam ter algo encantador ao seu redor. Felizmente para elas, sua pretensão de autoridade nesses assuntos artísticos fracassou por completo.